segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E se o tempo for te levar...


Acontece que não sou mais eu quem te empurra para fora da minha vida, são nossos próprios caminhos que fazem isso. Eles não andam mais lado a lado e não é a minha mão que você ainda segura. Agora você segura a mão de outra pessoa e eu também o faço.

Tantas promessas quebradas nos toques de alguns dedos entrelaçados. Não somos mais eu e você. Somos nós duas e outras duas almas coladas nas nossas. E eu, bom... eu não posso mais querer mudar uma coisa que foi a vida quem escreveu. Se o destino, que é o mais forte de tudo, quis assim... quem sou eu para mudá-lo? As vezes amar só não basta. O próprio amor nos empurra precipício a baixo.

Mas eu ainda te guardo, te guardo pra sempre. Em mim, em cartas, em contos e gavetas. Você é para sempre minha e eu sua. Um pedaço de mim ainda caminha com você, um pedaço esse que sei que não vai achar o caminho de volta para casa, porque eu quis assim. Eu quis guardar em ti, um pouco de mim. Sem arrependimentos, apenas com algumas mágoas, mas a história boa sempre marca coisas melhores e se sua felicidade agora não é mais comigo, fico feliz apenas em saber que ela ainda pode ser com outra pessoa. Minha felicidade é te ver feliz, apesar do tempo, dos desencontros.

Minha felicidade ainda é e sempre vai ser você, mesmo que de longe.

"Ah vai, me diz o que é o sossego
que eu te mostro alguém afim
de te acompanhar
e se o tempo for te levar,
eu sigo essa hora e pego carona
pra te acompanhar."

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Honey, why are you calling me so late?

Sento-me sempre aqui nessa mesma escrivaninha em que me encontro agora. Meus dedos tocam todas as teclas dessa máquina de escrever e apenas tocam. De mim não sai mais nenhuma palavra, nenhuma frase. Há dias me encontro nessa dificuldade de escrita, há dias que passo os dedos pelos livros, folheio suas páginas e os devoro à fim de que dentro dessa cuca minha algo entre e me faça jorrar palavras sobre folhas, paredes, bilhetes... mas ainda não sai nada.

Me sinto cheia de vazio, cheia de um nada. Estou oca.
E o pior é saber o motivo... e fugir da solução.

Depois de muito tempo sentando sobre as mãos, tentando conter aquela vontade súbita de correr atrás de você, eu resolvi largar-de-mão e fazer o que - para mim - seria o certo. Peguei o telefone e disquei seu número. Confesso que o desliguei quando chamou pela segunda vez. Sou medrosa. Mas resolvi ligar de novo, o que mais poderia acontecer? Você só estaria do outro lado da linha e, isso, não era nada. Ou era um conforto saber que não precisaria olhar no fundo dos teus olhos e isso era a certeza de que em você eu não iria me perder. Não dessa vez. Tomei coragem, respirei fundo e voltei a discar, deixaria chamar até atender dessa vez.
Alô?
...
Alô? Tem alguém na linha?
...
Olha só, eu vou desligar se ninguém falar nada.
...
Por fim, só suspirei, sei que ela entendeu.


"Para ouvir o coração basta ficar calado."


(Créditos a: Nina Drigin Gusman, pela luz no fim do túnel)

domingo, 4 de dezembro de 2011

A tempestade que chega é da cor dos teus olhos.


O problema mesmo é que eu acho que nunca tivemos aquele esforço mútuo. Nos acomodamos e nos acostumamos com o nada que tivemos. Ou foi com o tudo? Nem eu consigo me recordar mais. Só acho que não houve mesmo aquela vontade de dar as mãos e continuar querendo seguir em frente, adiante.

Você me toca com essas mãos de gelo, não me diz nada. Nada. Suas palavras são cheias de silêncio e mesmo que soltassem sons eu não poderia mais te ouvir. Essas palavras não são mais para mim. Talvez você já tenha até esquecido dos acordes e melodias com tantas dedicatórias para ti. Mas espere, pois eu não te culpo.

O que importa é que ainda existimos e que no fim sempre podemos encontrar uma nova estrada com um alguém esbanjando solidão, querendo companhia, é só pegarmos na mão para traçar um caminho longo. Não tenha medo não.

A vida sempre retribui os momentos bons que acabamos marcando nela e se não estiver seguro de si, as vezes as lembranças também podem ser a melhor companhia que podemos ter. Só lhe digo que na escuridão é que não podemos ficar já que é na luz que tudo o que escondemos vem à tona. Devemos ser sempre límpidos, mostrando tudo o que temos de bom e também de ruim, devemos nos doar por inteiro. Afinal, fingimento só serve para quem é de mentira. E eu sei, isso nós não somos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quem sou eu...?


Era comum, um pouco monótona e bipolar, - não porque era coisa da moda, apenas era - e sempre se pôde ser considerada - não pelos outros, por si mesma - um grande e bem desenhado clichê, daqueles que nunca cessam e nunca cansam. Era doce e amarga, olhos penetrantes, daqueles que te prendem e jogam n'um mar ilusório e vasto; Te joga pela brisa e te manda embora ao mesmo tempo que te pede para ficar. Não era entendida e nem se fazia entender. Só era ela e dela, assim como sempre quis ser. Era pequena, por vezes perdida, mas no fim sempre se encontrava n'uma ponta de caneta quase igual a essa em que escrevo agora. Lhe desse um papel e uma folha e mesmo sem saber como o fazer, lhe abria seu mundo inteiro apenas através das palavras.

Ligava a vitrola todo dia pela madrugada, deixava aquele som baixo cantarolando o fundo da sua mente: "Não fique aí parado, essa é a lei. Vou pintar um lugar mais bonito pra fazer meu festival, quando o carnaval passar vamos dançar, qualquer coisa é melhor que tristeza. Por favor, se esqueça. Vou criar um lugar escondido pra fazer meu recital." Era algo como a liberdade dançando por dentro de si. E aí fluía! Lhe dava barcos, asas, pernas, mundos... vida. Se fazia assim, só consigo mesma, explorando e visitando milhares de lugares e sonhava de olhos abertos. Aqueles mesmos olhos de poço fundo, mas tão límpidos. Era a confusão, a percepção e a doçura de quem não se importa em ser apenas quem é.

Ela não precisava ter ninguém e se tivesse, guardava escondido n'uma gaveta bem arrumada com laços de fita vermelhos, eram presentes embrulhados para si. Presentes da vida. Ela era amor e raiva num copo só, uma dose certa para cada medida. Tinha suas manias, como: Ler pessoas, prestar atenção em cada fagulha colorida que se escondia em cada pupila. Gostava de conhecer o desconhecido, prestar atenção nos detalhes, gestos, sorrisos. Caminhava pela rua destemida, sorrindo sorrisos por aí. Não os dava, apenas emprestava à quem sabia retribuir.

Uma menina, dançante da liberdade e sempre consigo mesma, nunca só, mas sempre assim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pensamentos soltos.

Li umas coisas que me deixaram inquieta, não por ainda habitar aqueles sentimentos antes tão possuídos por mim. - Pelo contrário, acho que foi a ausência deles que me trouxe esse desconforto. - Nunca entendi muito bem essas coisas de morte-por-amor, se é que me entendes... mas tudo bem. Acho que cada um morre do que quer morrer e tem o drama que quer ter. Não me leve à mal, só que, são muitas confusões aqui dentro da minha cuca confusa. (Gosto de usar essa palavra: C-o-n-f-u-s-ã-o.)
Mas acho que no fundo de tudo mesmo, nem que seja bem lá no fundo, não te reconheço mais. O que é isso que você se transformou? É realmente uma pena. Não achas? Não?

Por um momento, - mesmo que fosse curto - a minha vontade foi de segurar teu rosto de frente pro meu, te olhar nos olhos, e te ter perto, perguntar quando é que foi que tudo se perdeu e que o amor se transformou em socos e tapas, em dor. Como é que a gente morre estando vivo? Falo de morrer-de-amor, de não entender, mas entendo. Não morro. Só entendo.

Não morro... mas espero.

Encontrei uma velha carta sua, ou talvez não seja tão velha assim. Sei que tocou fundo, ninguém vai entender, mas eu entendo e entendi sempre. Digo sempre, porque a leio todos os dias antes de dormir. A deixei na cabeceira da cama, se não tenho um livro-de-cabeceira, tenho uma carta-de-cabeceira. - Pode rir. -


Penso sempre comigo: Ah, Deus... como eu quero paz. E mais do que isso, por favor, uma dose de anti-você.

domingo, 13 de novembro de 2011

Nota:

5:25 a.m.

Me perguntam de você...

Acho que as pessoas não vêem direito. Ou melhor, vêem, mas não enxergam claramente. Não enxergam nada de verdadeiro que ainda há em mim, porque se enxergassem, veriam que não há mais nada aqui que seja seu. Nenhum sorriso, nenhum beijo. E não enxergam porque não querem, não acredito que seja sem querer. Gostam de te ver no fundo do poço, triste, sozinho; Com aquele ar de tudo-bem-vai-passar. Vai passar sim, mas não é preciso que ninguém venha te tirar do sossego.

Sossego esse que se tem sido tão difícil de alcançar. As pessoas gostam de ofuscar o sorriso alheio, acabam com a alegria de outros. E se não estão felizes, pisam mais ainda em ti. Pisam sem dó. Apenas por pisar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alguns botes e outros pássaros.

Se você for minha estrela,
eu serei seu céu.

Ela ousava dizer com toda certeza de que como 2 + 2 são 4, podia sim ser considerada um clichê ambulante. Um grande e enorme clichê com frases de amor entre aspas bem desenhadas e pontos finais bem redondos, quem sabe talvez até com algumas vírgulas no meio.

Na verdade, acho que seu grande defeito não era o fato de ser clichê e sim o fato de pensar demais, já ouviram dizer que quem pensa demais acaba desistindo? Ela sempre repetia a mesma frase para si mesma, falava em voz alta, como se isso fizesse entrar na sua cabeça e mais ainda, no seu coração. Queria ser livre, assim como todas as palavras que usava, queria ser espontânea e ao invés de se torturar em pensamentos só queria agir.



Mas você pode fugir de foguete de mim
e nunca mais voltar se você achar outra galáxia
longe daqui com mais lugares para voar.


Quando queria gritar, não o fazia. Colocava todas as suas palavras em milhares de rascunhos, papéis soltos, cadernos. Dormia envolta de palavras escritas em paredes, rodeando sua cuca. Podia ser considerada um livrinho ambulante, ou aqueles de bolso onde são levados à todos os cantos. E sorria, ela sorria muito por se sentir tão dona de todas as suas palavras. Descobriu então que já era livre.


I live to make you free.





Por fim, descobriu que não ser clichê também é clichê e se fez assim feliz, se ela tinha o poder das palavras, já podia se considerar tendo tudo. O que mais ela poderia querer? Já podia expressar seus sentimentos, estava tudo bem.







{Uma nota: Joguei alguns devaneios aqui,
coisas sem sentido, não queria e nem poderia deixar o blog
cheio de teias de aranha, mas as palavras fogem de mim
como pássaros semi-livres de uma gaiola.}

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nota:

7:22 pm.

Somos duas crianças grandes. Egoístas, amáveis, doáveis.
Estamos no fundo do poço. Procuramos a borda e quando encontramos, acabamos afundando porque temos um peso amarrado nos pés.
O peso são os nossos corações, nos deixam livres no começo pra no fim nos prender.

"A nossa liberdade é o que nos prende."

sábado, 15 de outubro de 2011

2:39 am.

2h39min de uma madrugada relativamente inquietante. Aqui agora bate um coração quase igual a uma bomba relógio, pronta pra explodir.
Você o ouve?
Pode querer explodir por um milhão de razões, emoções e sentimentos. Aqui, quem me toca não é mais você e sim o vazio, o nada. Ao lado, não há sequer um vestígio de passagem tua; Não há o cheiro, o sabor, a vontade. Não há mais você. Sempre me doo demais e acabo me doendo mais ainda. Tudo bem. Quando fecho os olhos ainda posso te ouvir dizer que nunca me pediu nada, nunca cobrou, nunca quis, que eu é quem quis me jogar de cabeça e sem pensar nos riscos disso tudo, que a culpa é minha e que você não pode mais fazer nada. Agora aquela sua expressão de indiferença. Mas tudo bem, eu ainda posso abrir os olhos e viver e fingir que vai passar. Sempre passa, não é? Sempre passa.

Por agora eu vou continuar aqui, deitada com olhos fechados e a alma respirando. Ainda preciso te sentir mais perto e reviver algumas frases, outros momentos. Revivo, relembro e guardo, mas não na superfície de mim. Guardo em uma gaveta no fundo do fundo do fundo, vão ser só lembranças. Vou olhá-las com saudade e só.

Você não vai mais me tocar, porque aqui...
Aqui, quem te toca não sou mais eu...


(Nota: Como anda difícil escrever.)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Páginas em branco.

Vou e volto inúmeras vezes. Não por indecisão. Você sempre me traz de volta, me faz percorrer todo esse longo caminho, me guia até o fim. Logo depois me manda embora, me faz regredir, volto sozinha, com a cabeça baixa. Aquela sensação de fracasso.

Eu não sei, nunca soube e talvez nunca saberei o que é que você quer de mim, afinal. Me pega e me aninha. Depois me larga e joga fora como um pedaço de papel cheio de rasuras, como algo que não serve mais. E eu... eu aceito. Por fora digo que sim, tudo bem, eu entendo; Mas por dentro grito, luto e digo que não. Não pra mim, pra você, pra situação. Só que de nada adianta. Nunca adiantou.

Acontece que eu ainda tenho aquela fé que me move e que me diz que
um dia, eu vou cansar de ser apenas um rascunho da sua história e vou querer ser as páginas inteiras de um livro grande e vou ser as palavras que preenchem o conto de alguém. Eu ainda vou querer abrir um livro novo e sentir o cheiro das páginas nunca tocadas antes e vou querer lê-las do começo ao fim, por saber que são para mim. E você? Bom... sempre te imagino parada num final de tarde em frente a uma grande janela, e dentro desse lugar existem milhões de livros, novos, velhos, coloridos; Com capas grossas e finas. Você vai parar e entrar, pegar um livro qualquer e ao abrir vai ver que estou bem, completa, com uma primeira página em letra maiúscula e uma página final com um ponto grande, bem preenchido. Vou estar escrita em um milhão de frases bem alinhadas, com parágrafos completos, sem falhas. Vai pensar algo como poderia ter sido você, mas deixou passar, rasgou as páginas do começo ao fim e tacou fogo em todas elas. Poderia ser você, com letras grandes e uma dedicatória. Poderia ser, poderia. Mas não será. Assim como não poderia ter sido eu a continuação da sua história, nunca seria você a autora à me escrever.

Seu livro agora não tem pontos, letras e frases.
Só páginas em branco.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(...)

Não penso em você. Não penso em nós. Não penso nas mentiras.
Mas, eu minto...

(...)
Só que chega um dia que a gente supera.
E supera sabendo que está superando e no fim suspira aliviado,
com aquele gosto de liberdade, um sorriso sereno nos lábios.
Acabou...
Finalmente acabou.


Ps: Inspiração, pra onde você foi? Por favor, volta.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quero mais.


Quero mais eu, mais você.
Nós dois, em nós, enrolados; Embolados sob os lençóis.

Quero tempo frio, seus pés esquentando os meus,
nossos corpos em baixo das cobertas, 
as mãos (re)descobrindo mil e um caminhos.

Quero teus beijos sobre os lábios meus
e aquele teu cheiro tão doce percorrendo os meus sentidos.

Quero mais beijos, abraços, carícias. Nós, a sós, em nós.

Quero cama desarrumada pela manhã,
teu sorriso embriagado de sono me fazendo sorrir.

Quero tuas mãos nas minhas e meus dedos entrelaçados
nos fios dos teus cabelos.

Quero teu corpo sobre o meu, nossas pernas entrelaçadas.
Nós em nós.


Ps: Ando clichê demais. Mas só para não deixar o texto anterior em evidência.

domingo, 11 de setembro de 2011

Mosh.

"Não sei se eu saberia chegar até o final do dia sem você.
Por que em tão pouco tempo, faz tanto tempo que eu te queria."


Eu poderia escrever um daqueles meus textos de sempre. Poderia falar de amor, de mais amor e muito amor. Mas pra que? Quando começamos um relacionamento, sempre bate aquele medo de não dar certo, medo do tempo, da monotonia. Pra ser sincera, eu senti medo. E ainda sinto medo, como qualquer outra pessoa. Sinto medo de um dia perder a pessoa maravilhosa que eu tenho ao meu lado, medo de que um dia todo esse sentimento lindo e recíproco se acabe. Mas isso não me importa, me entrego e me doo de corpo, alma e coração. Disso não tenho receio.

Falar de amor, qualquer coisa que seja, sempre vai soar meio clichê, mas tudo bem. Hoje posso, com toda certeza do mundo, gritar aos quatro ventos o quão feliz eu sou, de verdade mesmo. Sinto uma felicidade enorme e uma cumplicidade maior ainda. Gosto de ter o que pensar logo pela manhã, de sorrir por uma coisa que eu sei que tenho certeza. Talvez uma das únicas certezas que hoje eu tenho na vida, é desse amor todo que eu sinto. É a certeza de nós e de que dois é melhor do que um e que eu sou bem melhor com você.

Nunca imaginei ter um relacionamento tão completo assim, porque além de uma namorada, eu tenho uma amiga e o quão bom isso é? É você ter com quem contar, rir, imaginar, fazer planos e amar imensuravelmente, é como você ter um pacote completo, sabe? É querer dar o melhor de si sempre, querer ser mais, muito mais. É aprender mil coisas novas e compartilhar tantas outras coisas. É poder ser você mesmo, sem fingir, sem mentir, só ser e é ser amado por ser assim, desse jeito só teu. É poder se sentir tranquilo, pleno, leve... ter um lugar só teu no mundo todo, que é naquele abraço que você se encaixa direitinho. É poder fazer das suas palavras as minhas: "Você é a parte de mim que eu mais gosto e que não traz uma interrogação no final." Porque o melhor de tudo é sentir e ter a certeza de que todo esse sentimento é recíproco. Nossa história tem começo, meio e nunca um fim. São reticências e vírgulas, mas nunca, nunca um ponto final. Até porque não existe mais ninguém nesse mundo todo que me complete tanto e que me faça tão feliz quanto você. E hoje... eu digo com toda certeza, porque eu sei que esse é só o primeiro ano de muitos outros que nós duas ainda vamos comemorar, e que eu sei... você é a mulher da minha vida.


"Que seja doce"

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Máquina do tempo.

Quando eu acordo e olho pela janela, tudo o que consigo enxergar são aquelas nuvens branquíssimas cobrindo todo o céu, os morros, os prédios. Me pergunto se há algo além de todas elas, se existe alguém em alguma dessas janelas cobertas pensando a mesma coisa que eu. Às vezes essas mesmas nuvens me trazem uma certa nostalgia e como em um flashback me passam mil filmes pela cabeça em segundos. Aquelas lembranças boas e ao mesmo tempo ruins. Momentos que foram e que não voltam mais. Nem se quisermos muito. Nem isso.

Confesso que já passou pela cabeça, assim, quem sabe talvez eu pudesse construir uma máquina do tempo, algo parecido com as que assisto nos desenhos, filmes. Mas logo quando começo a fantasiar demais a história disso, a tolice me dá uma sacudidela, me trazendo de volta ao meu estado sã. Se as coisas passaram, é porque precisam e devem ficar no passado, mesmo que isso te traga saudade. Saudade é bom... é sinal de que as coisas te marcaram de verdade. Mas devemos deixar o passado dentro de gavetas; Abrir, olhar, relembrar e depois guardar e viver o que ainda há de vir.

Te sacode e vai viver.
(...)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Aponta pra fé e rema.

Meus dias tem queimado como cigarro,
especialmente depois que nos conhecemos.


Pega um cigarro, dois, três. Um maço inteiro.
Se é isso que te faz relaxar.
(...)

E se tudo fosse do jeito que queríamos? Não haveria o medo da espera, dos dias, das palavras e dos atos.
As coisas seriam chatas, seriam um saco. Tudo naquela monotonia-de-sempre.
Eu queria que tivesse dado certo, fiz o que eu pude. Mas só querer nunca foi o suficiente, nem o querer demais.
Sei que a partir de agora só vou ouvir falar de você, e eu não quero. Decidi me afastar. Vai ser o melhor, só ter fé.
Aquela fé que nos faz seguir em frente, sabe?

Os nervos estavam à flor da pele e eu tomei uma decisão, me senti leve como uma pena correndo solta, sendo levada pelo vento.
Não vou mentir, depois me veio aquela saudade... Foi aí que eu parei para pensar em tudo o que havia acontecido.
Vi meu coração na contramão.

Como que as coisas mudam assim, do nada? E ficam sem controle. Eu não conseguia controlar mais. Estava tudo bem e depois, uma indo para cada lado.
Já que o fiz, - e havia feito tantas outras vezes - resolvi seguir e aceitar o que eu havia imposto. Agora já era tarde e eu, bom, eu nada poderia fazer para mudar.
Fiz coisas normais, do meu costume, da minha rotina e sem querer pensei em ir falar contigo ao fim delas. Aquilo era nosso. E me veio o vazio lá do fundo de dentro de mim.
E foi assim que eu fiquei fria, era frio do lado de fora... Mas era mais frio ainda lá dentro.

Pode suspirar. Suspira bastante.
As coisas não vão mudar, menina. Você não pode mais me ler.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Palavras de um adeus.

Tenho sentido tua falta mais do que posso aguentar.
Mas as palavras não tem sido mais suficientes e nem todo esse amor guardado aqui.
Entenda que eu não sou metade, sou inteira. Ou é assim, ou não é nada.
E se você não quer mais lutar por essa complementaridade, nada mais eu posso ou devo fazer.
Agora é dar tempo ao tempo, já que só o tempo pode dar um jeito de acalentar o meu coração e deixá-lo manso daquele jeito que só você conseguia fazer.
Na vida tudo passa, mas o amor que a gente sente, ele sim, é pra sempre.
Por agora, eu vou embora. E você... Bom, você também já foi.

(De que adiantou tentar... ou falar?)



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Permanecer.

Talvez eu quisesse ir embora.
Talvez eu realmente até pudesse ir.
Mas isso era mesmo o que eu queria?

Ela se comporta tão bem e por vezes isso chega a me atormentar. Seus jeitos, gestos, a destreza. Aquele seus olhos, olhares, o poço.
São histórias, lembranças, pura ficção? Se eu soubesse, talvez isso não me levasse tanto à loucura; Quem sabe talvez eu não tivesse tando medo de - de certo modo - lê-la.
Quando a compreensão me falha, me sinto o oposto de tudo o que sempre lhe disse. Total confusão.
Isso tudo sou eu ou somos nós? Ou sempre foi só você?
As vezes me perco tentando acertar; Ou errar. Quem sabe, também, só tentando fazer você aceitar, de fato, que, o ciclo sempre se repete e volta do começo ao fim, viciosamente.
Você vai. Você volta. Eu permaneço.

P-e-r-m-a-n-e-c-e-r. Já tentou procurar essa palavra no dicionário?... Quem sabe isso não te ajude mais um pouco?
Ficar (em algum lugar, posição ou atitude) por tempo prolongado; durar. Conservar-se, continuar, continuar a ser.

Essa sou eu. Sempre fui eu. E sempre me pareceu que isso tudo te assusta. Você foge do compromisso, do amor, de mim. Você me quer, mas não quer levar nenhuma bagagem junto comigo. Quer a si mesma e a mim, sem nada. Sem esperas, compromissos, cama arrumada pela manhã, perfumes distintos espalhados num mesmo cômodo da casa. Não quer dividir vida, felicidades, receios. Quer prazer, talvez. Porque até isso também ainda não me parece ser certo.

Mas afinal, o que é que você quer?
Tudo bem... Um dia eu sei e você também sabe. Eu não vou mais querer saber.

domingo, 17 de julho de 2011

(...) pra se viver ao lado teu.

Fecho os olhos e posso sentir o teu cheiro sempre tão fugaz passeando por esse comodo como se fosse você mesma caminhando de um lado para o outro naquela sua inquietação rotineira. Aquela sua mania de trocar de música a cada minuto, virando e mudando o disco de vinil mil e uma vezes. Como podemos nos trair tanto em memórias? Sorrio aquele sorriso de canto dos lábios... Bem aquele mesmo que você dizia ser o seu sorriso favorito no mundo. Você não vai mais sorrir pra mim? Me recordo todos os dias a falta que me faz. Sentado aqui, algo como Beatles tocando lá no fundo e tocando bem fundo aqui em mim. Nós poderíamos ter sido tudo, penso sempre assim.

Poderíamos? Não, podemos, se quisermos. Mas a vida é bem dessas mesmo, tem o dom de nos enganar e enrolar, as vezes quando vemos já deixamos passar e pode acabar sendo tarde demais, sabia? Eu quero que saiba que não quero deixar o tempo passar enquanto fico parado pensando se as coisas vão ser do jeito que quero ou não... Te convido para vir comigo e juntos tentarmos ser algo extremamente grandioso; Ter um sentimento desses únicos nunca sentido antes, me entende? Entende. Porque quando estou contigo é como se o mundo todo estivesse parado apenas nos dando a chance de amar sem medo, sem nenhum tipo de obstáculo em frente. Quero poder acordar todos os dias de manhã e tocar o seu corpo ao lado do meu e não um espaço vazio sobre essa cama tão grande, quero ver teu sorriso no correr da minha hora e os seus pés tão delicados tocando o carpete no chão da sala no embalo daquelas músicas que você tanto gosta de ouvir. Vem cá que eu te faço sorrir e te envolvo nesses braços tão teus, te cubro de carinho e te toco mansinho daquele jeito tão meu. Quero que saiba que não há mais ninguém no mundo que me faça tão feliz e que se encaixe tanto em mim. Quero que tenha vontade de ficar e que saiba que seu lugar é aqui, ao lado meu.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mesmo se for, bem no final. (...)

Escrito num dia de céu azul, com muitas nuvens e um frio de começo de inverno.

Me lembro bem daquela sua voz alta se embaralhando com o som saído do rádio do carro. Aquela sua risada que me puxava dos meus devaneios mais profundos. Um estalo pro fim do transe.
– É, meu bem, atraiçoamos os seus ideais.
– Que ideais?
– Sei que prometeu para si mesma nunca mais me ver.
E ainda podia e conseguia ler cada minimo detalhe de dentro de mim.
– Quem falou isso?
– Seu jeito de agir sempre te entregou.
– Não leve a mal.
Soltou outra gargalhada, dando um belo gole naquela Stella, – já quente, presumi. – No fundo algo como GRAM tocava bem baixo, mas ecoando na minha cabeça tão vazia de nada. “Você só me fez mudar, mas depois mudou de mim... Você quer me biografar, mas não quer saber do fim.” Quando passa aquele deja vu. Mesmo lugar, mesmo flashback. Eu. Você. Eu, sempre traindo minhas promessas. Você, sempre me fazendo dar pra trás. Agora deixei com que a gargalhada saísse de mim. Silêncio. Puxo fundo o ar pelas narinas. Cheiro de Camel... e álcool. Olho pro lado e tenho a mesma sensação de vazio que senti todos aqueles dias enquanto me sentava só sobre o carpete no chão da sala lembrando do meu corpo parado no vão da porta... e de você, se distanciando cada vez mais. A mesma música de agora também tocava naquele dia, e o cheiro, era o mesmo.
– Eu volto, é só um tempo que preciso pra mim. – disse.
Apenas assenti com a cabeça.

Poderia voltar, como sempre voltava, depois de meses. Choro muito nos primeiros dias, depois é como se tudo fosse se camuflando. Volto a sair e a ouvir músicas que antes eu não ouvia... Não mais aquelas músicas de fossa, toca agora Adele. “You had my heart inside of your hand and you played it to the beat.” E já consigo sorrir, acredita? Sei que sorrio alguns sorrisos falsos por aí, nenhum tão sincero quanto os que entrego à ti. Mas sorrio. Até que você volta... Volta trazendo tudo o que eu já havia fingido esquecer. Volta trazendo o nós e eu apenas dou espaço para que você entre. E você vai indo embora e voltando quando tem vontade... Porque sabe que se voltar, eu ainda vou estar aqui. E o quão ruim isso é? Não saberia dizer, só saberia dizer que é ruim. Mas a dimensão, é incalculável.

E quando prometo para mim mesma que a próxima vez que você for, será a última, eu me vejo aqui, nesse mesmo lugar... ao teu lado. Sorrisos, lembranças, momentos bons e esquecimento. Eu esqueço de mim e dos momentos ruins que passo quando você se vai, e só penso em como é bom poder te ter de volta. E tudo por fim se encaixa e eu sinto como se só pudesse ser completa com você, mesmo com tantas idas e vindas... É sempre pra mim que você volta. Isso basta, pelo menos por agora.

domingo, 19 de junho de 2011

Alvo na mira.

Foi como acertar num alvo imóvel. Não precisei de muita precisão, apenas uma mira rápida e certeira. Mas como tudo na vida, algum dia, acaba dando errado... Eu esqueci de mim mesma e não pensei em consequências futuras.

Posso sentir meu coração pulsar agora como se quisesse sair por aí caminhando sozinho e pudesse deixar o meu corpo estendido aqui sobre esse grande vazio chamado cama. Rolo de um lado para o outro, lado-cá lado-lá e por vezes sinto que a noite vira infinita. (Não vai acabar nunca?) Sou menos vazia ao amanhecer, com várias xícaras de café na beirada da janela olhando o sol saindo por detrás daquelas montanhas tão verdes. Já lhe falei que a luz vinda dos teus olhos ao olharem os meus se parece com a luz vinda desse sol pela manhã? Talvez seja por isso que eu estou sempre aqui nessas horas observando-o. Quero lembrar teus olhos, lembrar você. Tentar preencher esse vazio tão grande meu. Acredita que às vezes me dá certa vontade de dar uns toques bruscos com os ossos dos dedos em mim mesma para ver se não fiquei oca por dentro? Me pergunto se eu ouviria aquele mesmo barulho de quando bato na porta da tua casa e não me atendes. Barulho de silêncio, de solidão. (Sabia que nenhum dos mil cafés que tomo diariamente me tiram essa sensação de vazio de dentro?) Acho que escolhi um caminho-de-fuga errado. Mais um de tantos outros caminhos... Pudera eu voltar atrás de tudo.

Juro como não iria acertar ninguém com essa minha carência-afetiva. Juro como não iria exigir tanto de você como andei exigindo e não iria afastar-te de mim assim, desse jeito rude. Mas isso combina tanto contigo... Digo... O jeito rude, me entende? Agora é tarde, acho que contigo também foi assim. Quando não consigo dormir, penso que junto contigo também foi o meu sono. Tudo bem, eu fico aqui com meu sol e meu café. E esse sorriso bobo que se forma nos meus lábios sempre que te lembro. Acredita que ainda sinto vontade de lhe escrever mil-e-uma cartas? (E escrevo.) Não mandaria nenhuma... São minhas, só minhas. É como uma válvula de escape pros sentimentos confusos. Te conto minha vida, meus vazios e até os curtos momentos de felicidade que me batem. Se você voltar, talvez te mostre todas elas, ou apenas algumas... Só para rirmos de mim, de ti e desses nós só de sentimentos. (Aqui vai mais uma pra gaveta abarrotada.) Acho que vou esvaziar outra e guardar o resto. Termino aqui, agora imóvel. Sem alvo, sem mira. Sem sorriso. Mas com muitas lembranças.


Ei... Será que você ainda me deixa lembrar de você?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que você nunca vai saber.

Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.

Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.

(Verônica H.)

Combinou tanto comigo, que nem exitei em compartilhá-lo.

sábado, 4 de junho de 2011

"É grave? Tem cura? Um dia vou ter saco outra vez?"

Sabe aquelas fases da vida em que tu se sente de saco cheio de tudo e de todos? Pois é... Ando meio que estacionado nessa fase, daqueles tipos que não andam nem para trás e nem para frente. Cansei do cinismo e do sarcasmo das pessoas. Acho que as coisas ruins acabam bastando em nós mesmos, não precisamos de uma porcentagem à mais no nosso cotidiano, saca? Eu nem sei quando é que essa fase vai embora, mas bem que queria poder te dizer algo do tipo como: Ah-amanhã-passa. Mas não passa... E eu é que não vou mentir pra ninguém agora, como também não mentirei para mim mesmo.

Só acho que chega uma hora da vida que a gente enche o saco mesmo, cara. E eu enchi... Achei que demorou bastante, até... E que eu tive bastante paciência comigo mesmo e com o resto todo. Não enlouqueci ninguém e nem à mim mesmo, - pelo menos por enquanto. - Como também acho que não devo me afastar de ninguém, assim, como quem se tranca num casulo e fica lá por dias, meses ou até anos, naquele mundo fechado, cubículo chato. Vou sair por aí, andar, viajar, ver pessoas antigas e conhecer tantas outras novas, talvez. É aquele tempo em que quero que se danem todos, mas que também acabo por querer todos perto, mesmo que por um momento. É um foda-se-mas-não-se-foda. Sei lá... Acho que já enrolei demais. Só queria dizer que ando sem saco pras pessoas mesmo e que ao mesmo tempo que quero conhecê-las, também não quero. Quero todos longe e todos perto.

Pô cara, como eu ando chato! Penso que se eu não enlouquecer antes, acabo por enlouquecer todo mundo e aí sim, quem vai encher o saco são as pessoas. E de mim. Já pensou que merda? Se as pessoas cansarem de mim com tanta facilidade quanto eu canso delas, já era. Vou ter que conversar comigo sozinho e ficar horas em casa ouvindo aqueles discos com músicas tipo-dor-de-cotovelo. Por isso acho que é meio que um aviso... Pra que as pessoas tenham paciência naqueles meus dias de fundo do poço, de chatisse agúda e carência de comunicação. Aceito uns solavancos, umas sacudidelas pra acordar um pouco quando estiver enchendo o saco. Mas nada muito alarmante, nem grosseiro. Não quero que se afastem e nem que desistam de mim. Talvez precise só de uma força mesmo. Acho que é só.


(E meus textos cada vez piores... Felicidade não me traz inspiração.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Meio fora-de-foco.

Vezenquando bate aquela vontade louca de ser meio inconsequente, de correr atrás de um sentimento que não me pertence. Sei que se tudo isso que tu diz sentir realmente fosse todo meu, iria me assustar e logo eu desejaria te deixar aqui e ir embora como se não me importasse seus sentimentos e muito menos os meus. Sabe aquela vontade de não pensar, só fazer? Isso é culpa de todo aquele medo instaurado no dentro-dentro de mim, aquele medo que vem bem de lá do fundo, e que é tão raro de ser entendido por pessoas de fora. É aquele medo da perda. Já perdi a conta de quantas vezes abafei todos aqueles meus gritos noturnos com o travesseiro. Me sinto fatigado da vida... da vida desse jeito. As coisas não andam mais me agradando e a cada dia que passa sinto que essa distância de todas as pessoas ao meu redor só aumenta. Ando me fechando no meu mundo, querendo tudo e todos longe. Aí me bate aquela necessidade de uma válvula de escape, sento-me sobre a escrivaninha e tento colocar todo esse sentimento para fora, mas só o que saem são palavras soltas, frases inacabadas.

É quase como: Nada no papel e nada no coração. Me entende? Encho meu saco e saio pela noite, vou à bares, festas... Beijo bocas que não são minhas, procuro em todas elas um gosto desconhecido, mas afinal há um conhecido? E se eu um dia achasse esse tal... iria reconhecê-lo? Sei lá, sei lá. Uma vez me falaram: É por isso que as pessoas vão para a noite e beijam várias bocas, nenhuma é o suficiente. Podem ser bocas infinitas, porque são só bocas, não são sentimentos. Sentimento é o que preenche, bocas só deixam aquela sede no final. Procura em demasia me cansa, por isso ando naquela fase de barquinho na correnteza... Se for pra ser, será. Procurar demais acaba nos trazendo aquele sentimento the flash, muito amor no começo, muito calor e no fim... Indiferença e frieza.

Quero abraços, carinhos e beijos calorosos. Quero poder pedir todos os dias Que seja eterno, que seja doce. Quero poder sonhar com alguém de olhos abertos antes de dormir e poder pegar o telefone de madrugada e discar aquele número já gravado na memória só pra ouvir a voz embriagada de sono do outro lado da linha. Quero noites em claro, quero cafés quentes e um amor também. Quero eu e quero um alguém que esteja entregue por inteiro.

Estou cansado de pessoas que só se entregam pela metade.


(Texto dedicado à Anna Molly” pois ontem andava precisando de uma daquelas
luzes-no-fim-do-túnel e ela falou uma frase e dela, saiu esse pequeno texto.
Ando sem inspiração, desculpem pelas teias no Blog.)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

C.F.A.

Eu não te entendo.
Você não me entende porquê você nos divide em dois: eu e você. Não existe divisão. Eu não sou só eu. Eu sou também você e todos os outros, e todas as coisas que eu vejo. Você não me entende porque você nunca me olhou. Olhe firme no meu olho, me encara fundo. A gente só consegue conhecer alguém ou alguma coisa quando olha para ela bem de frente, cara a cara.
Me diz o que é que você está vendo no fundo das minhas pupilas?
No fundo das tuas pupilas eu vejo meu próprio rosto.
E no fundo das suas pupilas eu vejo o meu próprio rosto. Quando eu olho no seu olho eu sou você e você é eu. Se você tiver medo de mim é porque você tem medo de você.

Me diga agora, outra vez: você tem medo de mim?

domingo, 10 de abril de 2011

Coração de pedra.


Tudo o que eu queria era que soubesse sobre todas aquelas coisas que acabavam ficando escondidas por trás das minhas palavras mal-faladas e dos meus olhos sempre marejados de lágrimas que eu teimava em segurar. Eram um misto de insegurança, medo-de-perder e ao mesmo tempo vontade de deixar tudo ir-se embora. Não sei o porquê de querer te deixar ir... Talvez fosse para saber se irias voltar por vontade própria. Mas acabei te deixando preso em baixo das minhas asas, parece coisa de mãe, não é? Mas era coisa de mulher. Mulher sozinha com muita carência afetiva, isso sim.

Eu sempre fui muito só e vi em você uma oportunidade de fuga e refúgio para todas aquelas minhas carências. Vi em você também uma companhia para as minhas tardes solitárias em que eu tomava café ouvindo a estação de rádio mais brega que achava enquanto rolava o botão por entre meus dedos. Queria alguém que eu pudesse encaixar em todas aquelas músicas amorosas que eu ouvia. E aí vi você, seu sorriso e o seu modo de ser tão entregue sem medo da dor que pode vir no dia seguinte. Claro, porque nunca sabemos o dia de amanhã e as dores que virão o mais tardar. Podia ver em você um diário meu, daqueles que você não precisa escrever, me entende? Deixe-me explicar melhor... Era como um diário-de-voz. Eu lhe contava todos os meus medos, receios e segredos e você guardava-nos todos no seu sorriso. Aquele meu sorriso. Rolávamos na cama trocando risadas e confições, beijos e carícias. Te sentia tão meu. Você era tão meu.

Até aquela tarde... Maldita tarde. Como eu havia dito, não sabemos o que virá depois e eu deixei me levar demais e quando vi estava completamente perdida sem você. E por fim vi que você não era tudo aquilo que eu imaginei que fosse, você se foi e me deixou aqui. Sem minhas histórias, sem minha vida e sem meu diário. Apenas com as tardes solitárias e os cafés frios na varanda. Os dias pareciam tão mais frios, talvez seja isso que tenha congelado o meu coração. Desilusões nos fazem ser coração-de-pedra. E isso me faz rir. Sempre me pego rindo muito do passado. Como somos tolos quando amamos, não é? Rio novamente para mim mesma e por vezes até repito: "Você já foi mais inteligente". E no fim concluo: "É o amor que nos deixa burros".


(Ps: Só para tirar um pouco das teias do blog, ando sem inspiração.)

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Sei, sei. Você vai perguntar: mas houve um erro?" c.f.

– Pensou comigo?
– O que?
– As pessoas erram, sabem que erram e quando você faz algo para que elas acordem, elas ainda te acham a parte errada da história.
– Normal. Enxergar o próprio erro é sempre o mais difícil.
– E perguntar o por que da coisa toda ter acontecido não serve? Não ajuda?
– Ajuda. Mas a pessoa está certa, você está errada. Compreende?
– Compreendo que é assim que perdemos as melhores coisas que temos na vida.
– Um dia a ficha cai.
– Só espero que não seja quando for tarde demais.


"E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim:
mas de quem foi o erro?" (Caio F.)

terça-feira, 22 de março de 2011

Álcool e amnésia.

(Apesar da música citada no texto, ele foi escrito ao som de
Copeland - California.)

Por vezes me pego olhando lá para trás e vejo o quanto podemos errar quando queremos alguma coisa demasiadamente. Já sonhei ter me arrependido de não ter te chamado para subir aquela noite, estávamos tão completamente bêbadas que essa seria a desculpa perfeita para um erro sem um pingo de justificação. Sim, sem justificação. Afinal, não precisaríamos de desculpas se isso fosse realmente um desejo nosso, nos entregar naquela noite. Talvez não tivéssemos nem tomado todas aquelas taças e mais taças de vinhos a fim de apenas nos entregarmos a uma pequena conversa na calada da noite. O que mais justificaria um erro cheio de outros erros a mais? Acredito bem lá no fundo de mim que não queríamos nada daquilo que pensávamos. Já começamos errando em pensamentos. Te pedi que respirasse fundo, se lembra? Que tentasse pelo menos sentir os seus sentidos, que deixasse toda aquela maresia pesada tomar conta das suas narinas e de ti por completo adentro. Era pura tolice todo aquele papo de é-isso-que-queremos-senão-não-estaríamos-pensando. Pensamos porque nos deixamos pensar, mas isso não quer dizer que deveríamos ter feito. Me entende? Acho que não, porque eu mesma já me perdi nos devaneios embaraçados nessa minha cuca confusa. Quando você disse que era tudo o que você queria, estar ali comigo naquele momento, naquela nossa data e eu ri.
- Por que ri?
- Porque acho graça no modo como você só fala as coisas quando bebe.
- Posso falar sem beber também.
- E por que nunca falou antes?
- Porque nunca me deu a oportunidade.
Era sempre esse seu jeito de me fazer calar, de bloquear meus pensamentos com apenas uma frase simples e ridícula. Sempre eu, também, que te privava das palavras por puro medo de me entregar demais e deixar com que tudo fosse como sempre foi antes. Dor, era esse o meu medo e aí me deixava arrepender mais lá para frente. Era puro medo, menina.
Na verdade, o que eu queria mesmo era que você tivesse subido naquela noite, que tivesse sentado bem aqui nesse sofá onde me sento agora para escrever todas essas palavras sem cabimento. Sei que iríamos rir a noite toda e que eu iria vê-la seguindo até o toca-discos e colocar alguma coisa como Beatles, talvez. As vezes penso que te conheço tanto e que me conheço de menos. Podia ter deixado o barquinho fluir, como aquela tua frase na tarde do parque.
- Apenas deixe fluir, meu bem. Deixe fluir.

Sempre falei de arrependimentos e agora me arrependo. Não deixei fluir, o barco não seguiu a brisa e hoje estou aqui, só. Eu, a garrafa de vinho e o toca-discos com uma frase baixa penetrando bem lá no fundo do fundo "Love is all we need, she loves you." Goles e mais goles de vinho, é tudo o que eu preciso e terei uma bela dose de amnésia. Queria que por um momento tudo fosse verdade, que eu me esquecesse mesmo de tudo isso e que pela manhã tudo não passasse de uma mentira. Apenas fechei os olhos e me deixei levar pelo inconsciente. Se fugir é para quem tem medo, eu fujo por ser forte.

terça-feira, 15 de março de 2011

"Não há nada a ser esperado. Nem desesperado." cfa.

Penso e repenso em você todas as vezes em que me tomas e me preenches esse vazio que as vezes acho que nunca será cessado e por fim reconheço que tudo possui um motivo e está escrito bem no fundo desse meu poço por vezes tão escuro e vazio que até te fazes perder-se no espaço oco com paredes cheias daquele musgo verde-antigo, local esse nunca explorado por nenhuma outra pessoa antes. A inquietação me indaga mentalmente tirando-me de devaneios: E aí quais são seus planos? Levaria-te comigo por todo caminho percorrido se meu coração trôpego não me traísse por inúmeras vezes seguidas.

Ah, meu bem... Penso também que nos traímos tanto! Não só em memórias, pensamentos, mas em palavras mais ainda. As palavras se perdem e me tiram do meu rumo certo de mim. Olho lá atrás e consigo enxergar todas as vezes em que repeti para mim mesmo que nunca mais iria me apaixonar ou colocar meu coração nas mãos de outra pessoa e aí me vejo aqui, lendo cartões trocados por nós e só o que me resta é sorrir, afinal, aí está a prova viva de que sempre nos traímos. Nunca seguimos nossos conselhos, por mais que saibamos o quão certo eles são. Mas acho mesmo que o certo é sempre fazer o errado, se entregar e ver até onde vai, certo? Vai saber. Estou bem onde estou e se é pra ser assim, vai ser. Nada de medos, receios ou pés atrás. Corpo, alma e coração entregues. Costumo colocar muito isso nos textos, mas é assim que é, é assim que tem que ser: Estar entregue. Não esperar nada e nem se desesperar. Se vivermos sempre com medo das coisas que aparecem para nós, lá no fim, podemos nos arrepender, e muito. Melhor deixar o vento soprar e te levar, ser feliz e mais nada.

O resto é consequência. Let it be.

segunda-feira, 7 de março de 2011

c.f.a.

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem, eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim."


Ao som de Transmissor - Aquática.


As vezes me pergunto tanto para onde vais sem mim assim, me deixando aqui desse jeito como se não tivessemos passado por nenhuma daquelas coisas que tu sabes que passamos. E aí caio no fundo do fundo do poço dos meus pensamentos e lástimas: O que eu quero, afinal? Se quero ir contigo nessa aventura tão nossa em sonhos ou se preciso deixar-te ir solitário percorrendo todos os cantos desse mundo como falavas que querias fazer antes de conhecer a mim. E agora, Deus? Penso no egoísmo que seria meu se lhe obrigasse a ficar nessa cidade pacata cheia de gentes que não sabem o que é amor e que não entendem talvez a força que um pode ter. Me pego por fim pensando no que fazer e mergulho cada vez mais fundo no dentro-dentro de mim e me perco e as vezes acho que nunca me acho até que lhe enxergos e sei que podes ver esse fundo tão fundo dentro de um eu desconhecido por mim mas tão conhecido por ti. Teus olhos doces e por vezes até turvos que me trazem uma calmaria sem tamanho e que me fazem esquecer todos os tempos em que não consigo entender um só nó atado dessa minha mente confusa. Ainda sim me sinto inquieta, essas vozes ecoando aqui dentro e que me indagam sempre sobre o que irei fazer e me paro em frente à um espelho qualquer e grito para mim mesma em voz alta para que ecoe bem dentro do espaço oco em mim: O que queres? Hãm? - E eu mesma me respondo com um balançar de cabeça enquanto as mãos seguem até a mesma. O que estou fazendo comigo mesma? Não poderia deixar-te ir sem mim, solitário desse jeito, prometemos tantas coisas que deviam ser cumpridas como aquelas frases do tipo para-sempre-mesmo-que-o-para-sempre-não-exista. Mas eu quero que exista, sou eu e você, você em mim e isso deveria ser o suficiente, não achas? O amor que eu sempre disse que sentia por ti e que dizias sentir o mesmo, isso tão nosso. Para-sempre, repeti mil vezes para mim enquanto via o quarto girar inúmeras vezes à cima da minha cabeça e sentia teus lábios tão quentes nos meus, me afagando até a alma e por fim lhe abraço, sentindo todo o meu mundo tão pequeno por caber em mim assim. E então decido à palo seco que é contigo que vou seguir para onde quiseres ir e me levar, não importa onde ou quando, sendo contigo. E aí me vejo saindo do fundo do poço e tenho a certeza de que é você quem sempre me puxa do fundo de mim e que eu não deveria estar em outro lugar do mundo a não ser aqui.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Querido Caio.

Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O que é felicidade para você?

Sente essa brisa do mar que bate no seu rosto? Sinto-na todos os dias ao passar pelo calçadão da praia; Nas idas à aula, ao mercado. Evito sempre pegar conduções inuteis, dessas que poluem toda essa visão maravilhosa, sabe? Eu sei lá, mas as pessoas perdem muito do seu tempo vivendo coisas que não precisam de todo esse tempo para serem vividas, elas perdem oportunidades de apreciarem coisas tão lindas. Olha esse mar, cara; Essas nuvens, esses pássaros. Procuro me sentar aqui pelo menos uma vez ao dia, todos os dias da semana e isso me faz um bem danado. É como se essa brisa que eu sinto me desse uma certa liberdade, compreende, amigo? Certas vezes quando me pego estressado demais com essa rotina maluca, venho aqui e é como se todos os problemas fossem mandados embora junto com essa correnteza. Podem me chamar de bobo, eu não ligo, sou melhor do que muitas pessoas que vejo por aí. Ar de superioridade não leva ninguém a lugar algum e vejo as pessoas cada vez mais mesquinhas, ignorantes e sozinhas. No fim, todas elas ficarão sozinhas e eu, eu vou é rir, meu caro. Eu estou aproveitando tudo o que a vida me deu de melhor, eu estou vivendo enquanto o resto está se matando por dinheiro. Vou estar sendo hipócrita se disser que não gosto de dinheiro; Pois gosto sim, afinal, hoje em dia tudo é movido à dinheiro, é tudo por dinheiro e eu preciso salvar a minha. Mas felicidade mesmo é aquilo que vem de dentro, são as coisas simples, aquelas que nem sempre são notadas. Vou te falar que ando feliz, demais até e é um feliz tão batalhado, você compreende? E como dizia Caio: "Merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranqüilo." Espero tanto que as pessoas se dêem conta da besteira que andam fazendo com suas vidas e que não seja tarde, que elas consigam batalhar pela felicidade delas também, mas sem tanta hipocrisia e soberba; Sem tanta ambição. Para que tudo isso se depois não levamos nada?

Para que tudo no fim se transformar em perda de tempo e de vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lucy e a máquina de escrever.

Colocou os sapatos e saiu como se a chuva que caía lá fora não fosse significativamente incomoda. E até que não era, não para Lucy. Seu casaco de estrelas era demasiado confortável e ainda lhe parecia como o céu de sonhos que cabia dentro de si; E por que não usá-lo também como capa de chuva? Não se importava que fosse de tecido e que lhe deixasse encharcada. Tinha um objetivo e mais do que isso, tinha um desejo e iria realizá-lo custasse o que fosse. Se havia uma coisa que nunca iriam lhe tirar era a vontade que possuía de realizar todos os seus desejos, por mais difíceis que fossem e por mais demorados também. No caminho passou na pequena banca e comprou um saquinho de amoras, teve o cuidado de escolher as mais vermelhas e apetitosas. Levou-nas com todo o cuidado, como se fossem preciosas. E eram. Sentia felicidade só por tê-las ali consigo, mesmo que fosse algo simples. Continuou seu caminho até a pequena loja de leitura, seu lugar favorito no mundo todo acreditara.

Caminhava distraída até o seu destino quando ao dobrar a esquina da Rua Lüneburg, deparou-se com algo realmente extraordinário, era a coisa mais linda que já havia visto. Deixou com que o saquinho de amoras caísse sobre o chão e nem sequer reparou em seu movimento, aproximou-se da grande vitrina de vidro e colou seu rosto na mesma, vislumbrava aquele objeto como se fosse a unica coisa existente ali e naquele momento era. Após alguns minutos balançou a cabeça brevemente até voltar a si e percebeu a falta das amoras, avistou-nas ao chão e rapidamente pegou o saquinho, envolvendo-o nos braços; Enfiou a mão no bolso e pegou todo o dinheiro que tinha, sabia que era para comprar os livros, mas não se importava; Havia uma prioridade maior agora. Respirou fundo e logo adentrou a loja, era dia de promoção e aquela preciosidade toda iria ser sua. Ah, iria mesmo. Aproximou-se do balcão e fez o pedido para um moço baixinho, gordo e com um bigode branco. Recebeu apenas um aceno de cabeça, enquanto percorria os movimentos do senhor com um sorriso nos lábios; Ele pegou o objeto e o colocou dentro de sua caixa, logo entregando-na para a menina que saiu da loja com o maior sorriso que lhe cabia.

Ela foi rumo à sua casa, cantarolava algo como Beatles internamente, em um dos braços havia uma caixa e no outro um saquinho de amoras bem vermelhas. Chegou na Rua Schlump e parou em frente ao número 9, soltou um suspiro e subiu os degraus, ainda estava em êxtase. Adentrou a casa e foi direto ao quarto, colocou a caixa sobre a escrivaninha e deixou as amoras ao lado; Sentou-se sobre o banco e abriu a tampa da caixa, aproximou os dedos e tocou cada tecla, observando e contornando as letras quando possível. Sorriu vitoriosa. A máquina de escrever que agora possuíra era a coisa mais linda nunca vista antes, e ela tinha tudo o que precisava. Tinha amoras vermelhas e as palavras. Passou o dia todo escrevendo palavras aleatórias em folhas, só para sentir o poder que agora sentia que possuía. Era o poder das palavras e Lucy sabia, ela não tinha medo em usá-las.



Dedico esse pequeno texto à
Lana Pikachu, @littlelovegood. (http://canseidefalsasverdades.blogspot.com)
porque ao ler, consegui encaixá-la direitinho na história.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amor s.m. apego; carinho; zelo; (...)

Ao som de Hey Monday - 6 months.


"E é como se eu não pudesse sentir nada sem você por perto." As horas, os dias, tudo passa demasiadamente devagar. A saudade aperta tanto que chega a doer num misto de sofreguidão e inquietação sem tamanho, me entende? Fico extremamente chata, emotiva, monótona e exagerada. Quando você não está é como se tudo caminhasse numa espécie de câmera lenta ou sei lá, e enfim me falta algo, talvez um pedaço de mim. E realmente falta. Sabe, quando estou contigo sinto um vórtex de sentimentos misturados e palavras me faltam, mesmo sem me bastar, elas ficam repetitivas, nós ficamos e isso de certa forma é bom. E por fim tudo se completa e se encaixa, tudo fica mais divertido e mais amplo. E o tempo que antes se arrastava agora corre como se quisesse fugir por entre meus dedos, e as horas passam a ser insuficientes. Se pudesse desejaria não só um dia inteiro com mais horas como pediria uma vida inteira ao seu lado. Ou melhor, acho que isso eu já terei. Penso comigo que o amor é mesmo a coisa mais clichê que existe, além de nos deixar completamente bobos, bem mais do que de costume. Mas sabe que não venho me importanto com isso? Me importo comigo, contigo, com nós. Felicidade é bom quando se está completa, assim como eu agora. Somos duas partes diferentes que se encaixam, como num quebra cabeça. Nos completamos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Possessão ou egoísmo. E se for os dois?

possessão s.f.

1. Posse;
2. Domínio;
3. O ato de se tornar alguém possesso.

egoísmo s.m.

1. Ato de pensar apenas em si próprio.


Simples como quando se ganha um brinquedo novo e não se quer emprestar. Egoísmo nos limita a nada. Sou pessoa dessas, sabe? Dessas assim que podem fazer certas coisas, mas quando outras pessoas fazem se sentem traídas. Ou dessas outras que quando se tem algo não quer dividir, emprestar ou se empresta é por pouco tempo senão se sente extremamente inquieta e incomodada. Não vou dizer que acho, porque seria mentira. Eu tenho total certeza de que o que é meu tem que ser só meu, senão eu não quero. Não é só questão de possessão, ou até que pode ser. É como se pudesse guardar a pessoa em um pote e lacrar ele todo ou ter um papel lhe dando total liberdade para possessão exclusiva daquela pessoa. Não gosto nem quando olham demais, ainda mais quando tocam. Me pego rindo quando leio essas coisas, esses sentimentos. Isso é demasiado ruim, mas tão comum.

Poderia ter um remédio. Um remédio igual esses que nós tomamos para dor de cabeça.

- Mãe, tô com possessão em demasia. Tem remédio aí?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Jeremy, um livro e fagulhas multi-coloridas.


Ao som de Conspiracy - Paramore.

Como se tudo o que passei até hoje não tivesse me servido de nada. Estou exatamente no lugar onde eu nunca deveria estar, lugar esse que sei que não pertence a mim. Todo esse céu de cores não tão belas quanto o céu pelo qual estou acostumada a vislumbrar. Sinto que estou presa dentro de um grande inferno particular, um inferno que foi destinado somente para mim. Quando foi que deixei a vida me guiar para um caminho cujo qual eu não quero seguir? Fui sempre sendo traída por meus próprios atos. Caminho pelas ruas e por mais cheias que estejam, continuo me sentindo só, como se fosse a única pessoa por aqui. Rostos tão normais, nenhum conhecido. Minhas retinas não conseguem visualizar um só rosto familiar, um só porto de paz para um começo de vida tão cheio de sofreguidão. Saio na rua e nem sei o porque, talvez seja mesmo só para abastecer o pequeno comodo que eu chamo de lar — ou que agora é chamado assim por mim.

Na maior parte do tempo me pego sentada na escrivaninha junto à lareira, lendo meus livros, escrevendo pequenos devaneios ou histórinhas sonhadas ou inventadas pela minha mente nem sempre tão sã. Me levanto poucas vezes, apenas para repor a caneca de café. Enquanto espero consigo ver as luzes que entram pela janela e se refletem nas pequenas louças nunca-usadas guardadas no armário de madeira velha com portas de vidro. Sabe, possuo muito tempo ocioso, tenho muita coisa para não-fazer e as vezes isso me causa uma certa inquietação e me sinto quase sempre fatigada. Certas vezes fico com os cotovelos apoiados no para-peito da janela e por mais tolo que seja, visualizo os vastos telhados e imagino onde estaria Jeremy agora, se estaria tão mais longe do que sempre esteve e se estaria pensando em mim. Poderia estar aqui do meu lado devaniando sobre a história desses telhados, mas não está, nunca estará e então eu suspiro.

Na maioria das vezes sinto falta da sua felicidade que contagiava tudo a sua volta, algo tão simples. Logo reparo que a única coisa que está mais perto entre nós são essas cores e essa Lua quase transparente desenhada sobre o azul-mar desse céu. Rio da minha própria tolice. Jeremy nunca foi de se prender a cidades, céus ou luas e muito menos a alguém, ainda mais alguém como eu. Mas apesar de tudo sinto sua falta. Outra tolice que me arranca risadas: A falta. E então escuto o tintilar da campainha. — Quem será? — Já que não conheço ninguém por aqui. Desço as escadas sentindo a curiosidade me tomando completamente, enquanto o badalar da campainha canta nos meus ouvidos cada vez mais a cada passo que vou dando. Ao abrir a porta, me deparo com o vazio. Logo trato de ir fechando-na, — era só uma brincadeira, afinal — e então deslizo meus olhos para o chão, me deparando com um pequeno livro deitado sobre o tapete no hall de entrada, era um livro de capa vermelha-quase-cor-de-rosa e com letras douradas. Senti os cantos dos lábios atormentarem-se num sorriso logo ao tocar o livro com as mãos, ao abri-lo pude ver pequenas fagulhas multi-coloridas lançarem-se para fora das páginas como se dançassem a fim de contrastar com aquele céu agora de cores tão mais lindas nunca vistas antes em nenhum outro lugar. Jeremy estava de volta. Eu sabia. Sorri novamente.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pesadelo s. m. Sonho agitado, com sensação de opressão.

Niterói, 09 de Janeiro de 2010. Um dia simples e diria até que bem normal, mesmo com a chuva, ou era o que eu queria acreditar. Acordei cedo, me aprontei e fui a caminho da faculdade, havia prova. Sempre achei tudo isso uma chatisse, mas não tinha como escapar. Logo ao chegar, fui em direção a fila do elevador, seria algo tão rotineiro se não fosse por um fato. Ao chegar no andar da minha prova, dei uma olhada pela janela, queria saber onde estava R, mas acabei me deparando com algo que nunca deveria acontecer. M estava sentada com uns amigos e beijava um garoto. Foi aí que tudo desabou. Prova? Era o que eu menos precisava agora. Peguei o primeiro elevador que tardou a chegar e desci, ainda num estado de choque. Ao entrar, encontro G.
- Não vai fazer a prova? — Indagou.
- Não.
- E por que?
- Porque preciso descobrir o motivo de ter visto a minha namorada beijando outra pessoa. — Joguei as palavras com todo tom de raiva que me cabia.
Saí do elevador sem ao menos deixar G falar mais alguma coisa, fui até perto dela, que me encarava com uma expressão de indiferença.
- Viu R? — Perguntei.
- Não. — Respondeu segurando o meu braço e sorrindo de uma forma extremamente cínica.
Assenti com a cabeça e por instinto puxei meu braço e saí andando. E não, ela não veio atrás de mim. Me sentei do outro lado do Campus, fiquei ali por um tempo, deixando com que o ódio me corroesse cada vez mais por dentro, até que não aguentei. Senti uma raiva muito maior, quis saber o porquê de tudo aquilo. Me levantei e fui caminhando até ela, que sorria, se divertindo. Era como se nada tivesse acontecido, e percebi que para ela realmente não importava mais. Ao me ver, virou-se.
- Por que você fez isso? — Perguntei, tentando ao máximo me concentrar no meu motivo de estar ali, assim.
- Porque eu cansei. Eu não te amo, C. — Jogou as palavras sobre mim. Senti como se fosse um tapa na cara.
- Não me ama? E tudo o que você disse ontem quando estávamos na sua casa? O seu pra sempre acaba tão fácil assim? Achei que você fosse mais do que isso. — Tentava segurar o choro, enquanto ela se virava para I e ria, como se tudo não passasse de uma invenção minha.
- Mas eu não sou, e tudo o que eu falei era mentira. Nós não passamos de uma mentira. E agora eu sei o que eu quero e estou com quem eu quero estar.
Olhei para S, que fingia não estar prestando atenção na nossa conversa. Mas no fundo era tudo o que ele queria, sempre foi isso. Balancei a cabeça negativamente, não podia acreditar. Logo M se levantou e saiu andando com os amigos.
- Então é assim, M? — Deixei todas as lágrimas rolarem, não me importando com nada mais.
M deu a mão para S e se virou rapidamente para mim, sem parar de andar. E enquanto falava, ainda pude ver aquele sorriso indiferente nos lábios.
- Eu lhe disse tudo aquilo ontem e agora estou aqui, enquanto você está aí, chorando. — Terminou de falar e riu, indo embora.
Fiquei parada por um tempo e fui atrás de R, precisava dele, precisava sair dali. Não demorou muito e o encontrei, vinha olhando o caderno de questões da prova. Fui falar com ele e sem entender nada, apenas me abraçou, dizendo que não importava o que fosse, ia ficar tudo bem. Perguntei se ele tinha o número de T, que eu precisava falar com ela. Ele apenas assentiu, me passando o celular enquanto a ligação já estava em andamento. Contei tudo para ela, que apenas disse que tudo não passava de uma mentira, que M estava apenas fingindo. Era impossível. Me despedi e desliguei o telefone. Pensava em tudo o que passamos, olhava a aliança e ficava cada vez mais vazia por dentro. Apesar de tudo, só me cabia aceitar a decisão tomada por ela. E era o que eu iria fazer, aceitar. Me deitei na cama e fechei os olhos.

E então acordei. Tudo não passou de um pesadelo. Bem real, mas um pesadelo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

É, não teve jeito. Você chegou quando eu não acreditava que poderia amar alguém dessa maneira. No momento mais improvável da minha vida você simplesmente chega com toda a sua luz pra me mostrar um lado da vida que eu desconhecia. E a afirmação do que sentimos tem sido a intensidade de como tudo entre nós acontece. Quando dei por mim você já estava aqui, fazendo parte dos meus dias e dos meus planos e, mais que isso, fazendo parte de mim. Não busco e não quero entender nada, porque simplesmente não tem explicação. Isso é perceptível em cada "tchau" difícil, em cada dia que fica mais prazerosa sua companhia, em cada cuidado seu comigo, em todo encanto meu pelos sorrisos seus, em cada palavra e em cada gesto, em absolutamente tudo...Te amo em tudo. Por tudo o que você é, por tudo o que você tem transformado em mim, pelo o que somos juntas, por todas as nossas risadas, pelas nossas infinitas afinidades e principalmente pela liberdade de sermos nós mesmas sem nenhum receio, sem nenhuma superficialidade. Em tão pouco tempo conseguimos ir mais longe e hoje posso afirmar que você é simplesmente minha alegria, possui todas as qualidades que aprecio e não precisei me apaixonar pra te achar perfeita.. Me apaixonei por você porque já era perfeita. Mais que te agradecer, eu quero te fazer feliz. E no final, tudo é relativo, quando te fizer feliz, vai me fazer feliz! Que juntas possamos construir a história na medida do nosso sentimento, e que ele seja o juiz para decidir tudo o que viermos a passar juntas.

"Eu me acho em você e você está em mim... Somos duas partes que se encaixam."

(O texto não é meu, mas se encaixa tão bem que eu resolvi colocar aqui.)