Quando eu acordo e olho pela janela, tudo o que consigo enxergar são aquelas nuvens branquíssimas cobrindo todo o céu, os morros, os prédios. Me pergunto se há algo além de todas elas, se existe alguém em alguma dessas janelas cobertas pensando a mesma coisa que eu. Às vezes essas mesmas nuvens me trazem uma certa nostalgia e como em um flashback me passam mil filmes pela cabeça em segundos. Aquelas lembranças boas e ao mesmo tempo ruins. Momentos que foram e que não voltam mais. Nem se quisermos muito. Nem isso.
Confesso que já passou pela cabeça, assim, quem sabe talvez eu pudesse construir uma máquina do tempo, algo parecido com as que assisto nos desenhos, filmes. Mas logo quando começo a fantasiar demais a história disso, a tolice me dá uma sacudidela, me trazendo de volta ao meu estado sã. Se as coisas passaram, é porque precisam e devem ficar no passado, mesmo que isso te traga saudade. Saudade é bom... é sinal de que as coisas te marcaram de verdade. Mas devemos deixar o passado dentro de gavetas; Abrir, olhar, relembrar e depois guardar e viver o que ainda há de vir.
Te sacode e vai viver.
(...)

