domingo, 27 de dezembro de 2009

Parte V

Fiquei completamente estática, imaginando o que fazer naquele momento, por mais que fosse ela ali, a minha outra metade, eu continuava tímida tanto quanto estava antes. Tudo bem, talvez um pouco menos, mas ainda estava. A vi soltar um suspiro enquanto soltava o cinto de segurança, respirei fundo e olhei pela janela.

- Pode ficar tranqüila, amor. – Ela disse, tentando me deixar mais a vontade, eu acho.

- Eu estou tranqüila, ou pelo menos estou tentando ficar. – Falei em um tom mais calmo, mas sem deixar de soltar uma risada baixa após falar.

De repente a vejo soltando meu cinto de segurança. Realmente, acho que se ela não tomasse a iniciativa eu iria ficar que nem uma bobona aqui fitando o nada e perdendo as oportunidades que estavam ali, visíveis. Tirei o cinto e me sentei virada de frente para ela, percebendo que ela já estava assim a algum tempo. Eu abri um sorriso enorme porque estava pensando como deve ser extremamente engraçado olhar para minha cara quando eu avisto ela sorrindo, se eu fosse ela, estaria me zoando, devo ficar com a maior cara de otária.

- O que está pensando? – Perguntou ela.

- Ah, nada, estava pensando umas coisas aqui.

- Hm, e não vai mesmo me falar o que era?

- Ah, acho que não precisa, amor. Nem era nada de importante.

- Sei, pela cara que fez, me parecia ser pelo menos bem engraçado.

- Talvez. – Ri novamente, pensando.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Parte IV

Chegamos no carro, guardamos a mala e continuamos seguindo até entrarmos no mesmo. Sim, sempre fazendo tudo juntas. É como se as coisas não dessem certo se fizéssemos separadas, entende? Pois bem, fomos em direção a casa dela, eu não conseguia dizer uma só palavra, estava nervosa, muito nervosa. Ela estava sempre com aquele sorriso lindo nos lábios, e eu tentava me focar nele para tentar me acalmar, mas não estava adiantando muito. Até porque, como eu iria me acalmar agora? Eu estava indo para a casa dela, conhecer a família dela. Era estranho demais para mim, e eu nem havia me preparado psicologicamente. Eu só sentia aquele frio na barriga, e ela parecia tão calma ali, dirigindo, e eu aqui, tão boba, morrendo de vergonha, as vezes até parecia que eu era tímida. Eu respirava lentamente, tentando me acalmar. Mas já que não estava dando tão certo, eu comecei a cantar baixinho, como num sussurro e ficava batendo meus dedos na porta do carro tentando dar algum ritmo a musica. Até que ela quebrou todo aquele silêncio.

- Está nervosa, é?

Pensei comigo mesma, que pergunta é essa? Ela só pode estar brincando.

- Hm... O que você acha, amor? Acho que se eu pudesse parar o tempo, eu parava e ficava aqui dentro do carro pra sempre.

Soltei uma baixa risada logo após falar e a olhei, espantada ao ver que havia parado o carro.

- O tempo pode parar, se quisermos. – E me fitou, com aquele sorriso que me deixava abobalhada.


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Parte III

Soltei um suspiro e fui andando em direção a ela, pensava comigo mesma e ria sozinha, era uma mistura de felicidade e ansiedade, e, de timidez. Eu estava realmente aliviada por ela não ter me visto ainda e nem ter tido o desprazer de ver o meu corpo descontrolado apenas por meus olhos terem a avistado.

Enquanto caminhava, pensava comigo mesma; Como ela podia ser tão linda e tão... Minha?! Fui chegando mais perto, sem tirar o sorriso abobalhado dos lábios, até que ela se virou e abriu aquele sorriso lindo que só ela tinha. Ah, como eu amava aquele sorriso! Deixei a mala ali mesmo e abri meus braços, a envolvendo em um abraço apertado, cheio de amor e saudade. Como eu a amava. Agora sim eu tinha certeza da escolha que eu havia tomado, era ela que eu queria, era com ela que eu queria viver o resto da minha vida, sem aquela maldita distância que nos separava. Após uns cinco minutos abraçadas, ela me fitou e sorriu novamente, eu sentia meu corpo estremecer, parecia que aquilo tudo era mentira, era um sonho e que eu iria acordar a qualquer momento. Mas não, não era apenas um sonho e, por mais que eu acordasse, isso não iria acabar nunca, e o melhor, a partir de hoje, eu iria acordar com ela ao meu lado e essa iria ser a nossa realidade. Peguei a minha mala e fomos caminhando até o estacionamento do aeroporto, ambas de mãos dadas, sem falar uma só palavra, apenas contemplando o momento perfeito que estávamos vivendo.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Parte II

Meus pensamentos foram rapidamente isolados quando ouvi a voz do piloto nos informando que já estávamos no aeroporto. Foi nessa hora que a fixa realmente caiu, eu já havia chegado e não tinha mais volta, não tinha jeito de fugir agora; O jeito era descer e encarar a decisão que eu havia tomado. Quando vi todos os passageiros se levantando e caminhando em direção a porta respirei fundo, peguei meu casaco e me levantei, fui caminhando em passos lentos até a porta, fui sem pressa alguma, ainda precisava de um tempo para assimilar tudo o que estava acontecendo. Mas tem sempre algo que atrapalha meus pensamentos, e não iria ser diferente agora... Em poucos minutos eu já havia chegado no local onde pegamos as malas, respirei fundo novamente e fiquei esperando minha mala passar, peguei-na e fui caminhando até a saída, novamente em passos lentos, sem pressa alguma. Como os corredores desse aeroporto eram pequenos! Por mais devagar que eu andasse, de nada adiantava. E foi aí então que eu a avistei, era mais linda do que eu me lembrava... Muito mais. Meu corpo não respondia mais os meus comandos e por um curto período de tempo meu coração parou de bater, logo tomando uma força incontrolável e batendo tão rapidamente que parecia que queria sair do meu corpo. Realmente ele sabia que sua outra metade estava ali.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Parte I

- E mais uma vez lá fui eu com toda aquela minha empolgação de quem está apaixonada. Engraçado, mas eu nunca acreditei quando me disseram para não ir com muita sede ao pote, mas afinal, quem iria se importar com isso numa horas dessas? -

Pensamentos voavam dentro da minha cabeça e eu estava mais ansiosa do que nunca, era o dia mais importante, o mais esperado. Lembro-me quando comecei a contar quantos dias faltavam... Ficava indignada com o fato de os dias demorarem tanto para passar! E agora as horas correm como o vento e, eu não consigo parar de olhar para o meu relógio e de imaginar que daqui a uns vinte minutos estarei desembarcando do avião e entrando em uma vida completamente desconhecida, ou melhor, desconhecida entre aspas, até porque já a imaginei tanto sozinha que até já acho que é bastante conhecida... Pelo menos para mim.


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

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É incrivel o poder que uma palavra tem, até mesmo no silêncio, a palavra até em pensamento consegue formar um buraco tão fundo dentro de cada um de nós. As vezes eu sou pessoa de muitas palavras e as vezes de muito silêncio, muitas caras e bocas. Muitas de minhas expressões significam mil vezes mais do que palavras que eu solto ao vento, que eu gasto apenas por gastar. Muitas palavras me machucam mil vezes mais do que muitas coisas. Frases tem um poder enorme, que saem rasgando, machucando tudo o que vêem pela frente, sem distinguir sentimentos, momentos e todo o resto. Eu queria que cada pessoa tivesse, dentro de si, o poder de escolher as palavras, saber usá-las para todos os momentos certos... Na verdade, eu queria tantas coisas impossiveis. Queria que o silêncio pudesse curar as palavras ditas ao invés de uma lágrima que corre dos olhos; Queria que o mesmo fosse a cura de todas as palavras mal pensadas, jogadas e dadas sem nenhum tipo de amor a quem as recebe. Como eu queria que as palavras acabassem com distâncias existentes em pessoas que se amam e que o silêncio valesse muito mais na hora dos encontros. Daria tudo para que elas, as palavras, mudassem coisas que realmente devem ser mudadas. Mas isso é apenas querer, apenas sonhar alto. Afinal, palavras são só palavras. E servem no máximo para machucar, é só isso que elas fazem, é só isso que elas trazem. Amor, saudade, arrependimento, dor e mil outros sentimentos, todos em momentos diferentes, todos em momentos iguais. Palavras doem muito mais que um tapa. Tapas são esquecidos com o tempo, existem palavras que ferem tanto que nunca mais são esquecidas. Pense antes de usá-las. Silencie.