quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E se preciso for.



É como se, não sei, todas as coisas sonhadas fossem se dissipando assim, n'um estalar de dedos. Eu tento correr contra o tempo, fugir de tudo o que me leva para longe de você... mas você me afasta, é você, mesmo sem perceber, que me empurra p'ra longe da sua vida. Pode não ser o que você quer, mas é o que faz.

Me sinto perdida e as vezes é como se fosse eu a culpada de tudo. Fecho os olhos apertados, levo as mãos ao rosto, me esforço em pensamento e o que sai é um nada. Simplesmente nada. Porque eu não entendo nada. Não consigo achar um motivo plausível para todos esses afastamentos brutos, esses empurrões e pedidos desesperados de querer que te deixe sozinha.

O que é que você quer de mim afinal? O que quer que eu faça?

Se n'um segundo tudo estava bem, tudo está bem e aí, segundos depois estou eu aqui e você lá, no outro canto da sala, sentada em uma cadeira qualquer, no escuro. Percorro meus olhos e não consigo enxergar nada, não enxergo nem sequer você. E se já não posso tocar, tatear e não posso ver, como é que você quer então que eu ainda sinta? Sozinha não dá. Eu não posso sozinha e nem quero sozinha. É um complemento mútuo, tem que ser e precisa ser uma coisa mútua. Eu e você, dois em um. Mas eu não te entendo, nunca entendi. Não consigo nem me entender, também. Só... não sei. Não sei mais o que pensar, como agir.

Me dá uma luz, um sinal.
Abre a porta e me manda ir embora de vez ou me pede p'ra ficar com você. Só se decide... mas que seja rápido. Eu não quero ter que ir embora p'ra você ver a falta que tudo faz, a falta que eu faço e quão vazio fica tudo sem mim aqui. Não quero que seja tarde demais, não espere que seja tarde demais. Não me deixa me perder, não se deixa me perder... porque você sabe e eu também sei, eu posso não encontrar mais o caminho de volta.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

(Re)confesso.

Escrito n'uma madrugada quente, 
na vitrola: Los Hermanos ao vivo no Cine Íris. 


O meu medo era que todo esse nosso sentimento mútuo se transformasse em pó, em nada. Como agir caso isso acontecesse? Seria como me perder n'um mar de sofreguidão lenta e profunda. Falo dramatizando o máximo que posso p'ra ver se assim consigo demonstrar ao menos um pouco o quão vazia eu fico cada vez que tu resolve passar por aquela porta soltando palavras doídas e sem pensar, dizendo que vai e pior que isso: que vai e não volta nunca mais.

No fim, sempre te vejo voltar, eu sei... mas é que penso sempre com aquele meu medo instaurado: "E se dessa vez for mesmo pra sempre?" Ia me perder enfim, te perdendo em mim e esquecendo tudo o que aprendi nesses anos todos contigo. Mas eu repito, é tudo culpa desses nossos nós tão bem amarrados que me fazem sempre acreditar que não há vida ou sequer felicidade se não for ao teu lado. Mas também, e se tiver? Se tiver, eu não quero conhecer e muito menos saber como é. Deixa meu coração trôpego continuar manso com teu jeito leve e intenso de me levar por aí...

Eu já não ligo mais se me esqueci de te esquecer.
Você vai, você volta, eu permaneço.
Mas te espero porque sei que você sabe o caminho de volta
e como trazer tudo que estava no fundo de volta pra superfície.