sexta-feira, 20 de abril de 2012

Já não vejo porque voltar.

Respiro fundo e posso sentir aquele cheiro pesado e a fumaça do cigarro entrando pelas narinas, embriagando-me por dentro. Corro as mãos no espaço ao lado do meu na cama e pela primeira vez em anos consigo tocar algo... ou melhor... alguém. Havia me esquecido como era bom ter companhia ao acordar, mesmo no silêncio do quarto escuro iluminado apenas por alguns resquícios da luz da manhã.

E então penso: Menina de poucas palavras e coração gigante, me conta o nome da sua rua para que eu possa te ver passar naqueles momentos em que as horas me batem e a saudade aperta. Menina de olhos turvos cor de oceano, por vezes tão vastos como tal, me deixa te ler enquanto o silêncio da noite nos toma. Me deixa te ninar até que a luz da manhã nos invada, me deixa entrelaçar os dedos nos teus enquanto vejo essa sua mente arredia pedir conselhos daquele teu jeito tão tímido e guardado de ser aos meus dizeres. Me conta todos os seus sonhos, daquele mais profundos e os mais bobos e deixa que eu a ajude a florescer. Deixa eu te falar a falta enorme que fez e a que faz quando se vai e o quão cheio de saudades fica esse quarto tão cheio de vazios. Te deixo me ler enquando ainda sou eu, completa e cheia de linhas bem acabadas como um livro novo, pois sem você não sou inteira, sou apenas metade e já fico perdida sem saber quem sou.
Me deixa sorrir e dizer o enorme clichê que me tornei ao perceber que isso tudo é só amor, porque eu sinto... mesmo sem ouvir ou falar nada. Até mesmo de longe.

terça-feira, 3 de abril de 2012

I'll be your sea.



Lembro-me bem quando dissera:
— Sempre que sentir saudades olhe para o mar. — Logo pensei: Esse mar é tão vasto quanto todas as minhas lembranças. É imensidão demais para se apegar.

E todas aquelas vezes em que eu corri as mãos no espaço vazio ao lado do meu, aquele outro lado da cama o qual você nunca quis prencher. Foi tudo uma mera aventura para ti... e não para mim. Mas que grande novidade... sempre caio na rede do apego. Sou sempre sugada por essa enorme areia movediça, tento sair e sou sempre puxada de volta e quando vejo já acabou por ser tarde demais. Sempre traindo meus próprios ideais. Digo que não vai ser assim, que não vou repetir... mas meu mar manso adora se juntar em águas turbulentas. Sou movida pela tentação, pelo perigo. Gosto de me jogar em lugares desconhecidos que não sei onde vão dar, gosto do fato de ser desconhecido. Então deixo que a brisa me leve...

Quero conhecer outro mar mesmo sem saber nadar. Deixar-me afogar.