sábado, 27 de junho de 2015

aponta pra fé e rema

ando me perguntando muito em que parte da vida a gente se perde ou apenas não temos mais aquela força toda de querer nos encontrar
todos os dias antes de dormir eu fecho os olhos bem apertados e peço com toda a fé que ainda me cabe que essa tempestade passe e o mar continue a ficar calmo
meu barquinho precisa descansar assim como o barquinho dela
mas somos tão egoístas mas tão egoístas que pedimos apenas que o mar acalme pro barco não afundar 
eu que sempre me vi nela e sempre pude me encontrar naqueles olhos e no apoio no amor nas broncas e nas histórias mil vezes repetidas agora me pego olhando para os mesmos olhos e engolindo a seco segurando um choro agarrado na garganta 
meu deus, o que é que eu faço? 
que vida é essa que vai tirando as pessoas que mais amamos sem nem termos tempo pra lutar contra?
essa noite eu vou pedir de novo e amanhã e depois e depois
deixa ela ficar comigo mais um pouco
só mais um pouco

sexta-feira, 12 de junho de 2015

pianinho

nós temos a tendência de fugir de tudo o que nos faz bem
e correr pro abraço de tudo o que nos tira o riso
eu nunca entendi muito bem como ocorrem as coisas
quais são os critérios de escolha que o coração possui
assim
por que você?
por que eu?
por que nós?
por que que mesmo tendo tanto amor
tanto amor
a gente prefere ir do que ficar?
por que mesmo querendo ficar
a gente resolve ir?

uma vez minha alma foi dividida em duas partes
eu fiquei guardando uma
e a outra foi embora com ela
ela é exatamente o meu equilíbrio entre
o ser racional e o ser emocional
ela é quem me abre a mente
quem explora o meu dentro de mim
passam-se os anos
passam-se as pessoas
ela passa
e permanece
vai e volta
sempre volta e fica e gruda
gruda como aquele musgo na pedra
nada tira nada sai nada apaga

ela é minha
e eu sou dela

mesmo que nem sempre a gente entenda
mesmo que nem sempre estejamos juntas
minha alma é dela
e é só ela
quem tem o poder de me fazer feliz assim

quinta-feira, 4 de junho de 2015

3

todos nós somos um bando de crianças grandes e assustadas
queremos correr do que nos faz bem por puro medo
de um futuro que está tão tão tão distante
medo do futuro
medo do passado
medo do presente
medo da vida
medo medo medo medo
medo de ser feliz
medo de amar
medo de ser amado
apenas medo
não nos jogamos de cabeça no que queremos
porque nosso medo acaba sendo maior que tudo
maior até que a nossa capacidade de querer algo
querer alguém
a vida é um eterno vai e vem
pessoas vem
pessoas vão
a felicidade vem
a felicidade vai
a vida é esse eterno ciclo 
de perdas ganhos encontros reencontros
você cai
mas levanta
dói
mas passa
mas toda dor advém de um momento de felicidade
mesmo que dure muito
ou não dure nada
e doer sempre dói porque estamos nesse mundo pra viver
viver as oportunidades que nos são dadas
viver nossas vontades
viver
nada é pra sempre
cada momento é único
ú n i c o
e podemos e devemos aproveitar cada um deles como se tudo fosse acabar amanhã
nenhuma pessoa é igual
nenhum momento é o mesmo
cada um de nós tem o seu caminho pra seguir
você ama uma pessoa esperando que esse amor e essa companhia seja algo único e vai ser, mesmo que ao longo do percurso vocês se percam, soltem as mãos. se for pra ser, vai ser, seja hoje ou daqui 10 anos, o que é seu sabe encontrar o caminho de volta.
se tá escrito, é teu. 
mas se o acaso escolher que os caminhos devem ser trilhados cada um de um lado, isso não quer dizer que você vai ser triste.
o mundo tá aí, rodando, rodando, rodando.
há sempre outros dias
outras pessoas
outras coisas
novos motivos
cada coisa tem o seu tempo.
let it be


(Extraído e adaptado de uma conversa com a Fernanda em 3 de junho de 2015.)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

que dói o tempo, passarinho, até eu me acostumar

eu chorei
eu chorei não por tudo o que já foi
ou por tudo que já fomos
eu chorei porque em você tudo é saudade
é o cheiro é o toque 
é o seu lugar vazio 
é o silêncio agudo que fica nessa casa 
nessa sala
nesse quarto
esse espaço vazio do tamanho de um buraco negro ao meu lado na cama
é a falta da calma
a falta da alma
sem amar
sem mar
sem paz
sem você 
sem ar

tudo o que me cabe é aceitar
pois se você foi
já foi
e não há mais de voltar
pois eu que antes era passarinho
hoje já não sei mais voar