Foi como acertar num alvo imóvel. Não precisei de muita precisão, apenas uma mira rápida e certeira. Mas como tudo na vida, algum dia, acaba dando errado... Eu esqueci de mim mesma e não pensei em consequências futuras.
Posso sentir meu coração pulsar agora como se quisesse sair por aí caminhando sozinho e pudesse deixar o meu corpo estendido aqui sobre esse grande vazio chamado cama. Rolo de um lado para o outro, lado-cá lado-lá e por vezes sinto que a noite vira infinita. (Não vai acabar nunca?) Sou menos vazia ao amanhecer, com várias xícaras de café na beirada da janela olhando o sol saindo por detrás daquelas montanhas tão verdes. Já lhe falei que a luz vinda dos teus olhos ao olharem os meus se parece com a luz vinda desse sol pela manhã? Talvez seja por isso que eu estou sempre aqui nessas horas observando-o. Quero lembrar teus olhos, lembrar você. Tentar preencher esse vazio tão grande meu. Acredita que às vezes me dá certa vontade de dar uns toques bruscos com os ossos dos dedos em mim mesma para ver se não fiquei oca por dentro? Me pergunto se eu ouviria aquele mesmo barulho de quando bato na porta da tua casa e não me atendes. Barulho de silêncio, de solidão. (Sabia que nenhum dos mil cafés que tomo diariamente me tiram essa sensação de vazio de dentro?) Acho que escolhi um caminho-de-fuga errado. Mais um de tantos outros caminhos... Pudera eu voltar atrás de tudo.
Juro como não iria acertar ninguém com essa minha carência-afetiva. Juro como não iria exigir tanto de você como andei exigindo e não iria afastar-te de mim assim, desse jeito rude. Mas isso combina tanto contigo... Digo... O jeito rude, me entende? Agora é tarde, acho que contigo também foi assim. Quando não consigo dormir, penso que junto contigo também foi o meu sono. Tudo bem, eu fico aqui com meu sol e meu café. E esse sorriso bobo que se forma nos meus lábios sempre que te lembro. Acredita que ainda sinto vontade de lhe escrever mil-e-uma cartas? (E escrevo.) Não mandaria nenhuma... São minhas, só minhas. É como uma válvula de escape pros sentimentos confusos. Te conto minha vida, meus vazios e até os curtos momentos de felicidade que me batem. Se você voltar, talvez te mostre todas elas, ou apenas algumas... Só para rirmos de mim, de ti e desses nós só de sentimentos. (Aqui vai mais uma pra gaveta abarrotada.) Acho que vou esvaziar outra e guardar o resto. Termino aqui, agora imóvel. Sem alvo, sem mira. Sem sorriso. Mas com muitas lembranças.
Ei... Será que você ainda me deixa lembrar de você?
3 comentários:
Owwwwn! Adorei o texto. Melancólico, mas bonito.Retratou bem aquela sensação de que quando vamos dormir, acordamos e está tudo bem de novo, mas logicamente não está. É horrível, mas, as lembranças machucam e curam ao mesmo tempo, não é?! Beijos!
http://biacentrismo.blogspot.com
Aaaa *-* to sem palavras, li pelo menos 3 vezes. Cansei de escrever pra ele, e ele fingir não se importar... É estranho, me enche de carinho, e torna-se vazio, tão rápido :/
Beijos
Cartas, cartas que nunca são entregues. São tão fofas.
Gostei do seu texto, intenso.
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