sexta-feira, 22 de abril de 2011

C.F.A.

Eu não te entendo.
Você não me entende porquê você nos divide em dois: eu e você. Não existe divisão. Eu não sou só eu. Eu sou também você e todos os outros, e todas as coisas que eu vejo. Você não me entende porque você nunca me olhou. Olhe firme no meu olho, me encara fundo. A gente só consegue conhecer alguém ou alguma coisa quando olha para ela bem de frente, cara a cara.
Me diz o que é que você está vendo no fundo das minhas pupilas?
No fundo das tuas pupilas eu vejo meu próprio rosto.
E no fundo das suas pupilas eu vejo o meu próprio rosto. Quando eu olho no seu olho eu sou você e você é eu. Se você tiver medo de mim é porque você tem medo de você.

Me diga agora, outra vez: você tem medo de mim?

domingo, 10 de abril de 2011

Coração de pedra.


Tudo o que eu queria era que soubesse sobre todas aquelas coisas que acabavam ficando escondidas por trás das minhas palavras mal-faladas e dos meus olhos sempre marejados de lágrimas que eu teimava em segurar. Eram um misto de insegurança, medo-de-perder e ao mesmo tempo vontade de deixar tudo ir-se embora. Não sei o porquê de querer te deixar ir... Talvez fosse para saber se irias voltar por vontade própria. Mas acabei te deixando preso em baixo das minhas asas, parece coisa de mãe, não é? Mas era coisa de mulher. Mulher sozinha com muita carência afetiva, isso sim.

Eu sempre fui muito só e vi em você uma oportunidade de fuga e refúgio para todas aquelas minhas carências. Vi em você também uma companhia para as minhas tardes solitárias em que eu tomava café ouvindo a estação de rádio mais brega que achava enquanto rolava o botão por entre meus dedos. Queria alguém que eu pudesse encaixar em todas aquelas músicas amorosas que eu ouvia. E aí vi você, seu sorriso e o seu modo de ser tão entregue sem medo da dor que pode vir no dia seguinte. Claro, porque nunca sabemos o dia de amanhã e as dores que virão o mais tardar. Podia ver em você um diário meu, daqueles que você não precisa escrever, me entende? Deixe-me explicar melhor... Era como um diário-de-voz. Eu lhe contava todos os meus medos, receios e segredos e você guardava-nos todos no seu sorriso. Aquele meu sorriso. Rolávamos na cama trocando risadas e confições, beijos e carícias. Te sentia tão meu. Você era tão meu.

Até aquela tarde... Maldita tarde. Como eu havia dito, não sabemos o que virá depois e eu deixei me levar demais e quando vi estava completamente perdida sem você. E por fim vi que você não era tudo aquilo que eu imaginei que fosse, você se foi e me deixou aqui. Sem minhas histórias, sem minha vida e sem meu diário. Apenas com as tardes solitárias e os cafés frios na varanda. Os dias pareciam tão mais frios, talvez seja isso que tenha congelado o meu coração. Desilusões nos fazem ser coração-de-pedra. E isso me faz rir. Sempre me pego rindo muito do passado. Como somos tolos quando amamos, não é? Rio novamente para mim mesma e por vezes até repito: "Você já foi mais inteligente". E no fim concluo: "É o amor que nos deixa burros".


(Ps: Só para tirar um pouco das teias do blog, ando sem inspiração.)