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terça-feira, 15 de março de 2011

"Não há nada a ser esperado. Nem desesperado." cfa.

Penso e repenso em você todas as vezes em que me tomas e me preenches esse vazio que as vezes acho que nunca será cessado e por fim reconheço que tudo possui um motivo e está escrito bem no fundo desse meu poço por vezes tão escuro e vazio que até te fazes perder-se no espaço oco com paredes cheias daquele musgo verde-antigo, local esse nunca explorado por nenhuma outra pessoa antes. A inquietação me indaga mentalmente tirando-me de devaneios: E aí quais são seus planos? Levaria-te comigo por todo caminho percorrido se meu coração trôpego não me traísse por inúmeras vezes seguidas.

Ah, meu bem... Penso também que nos traímos tanto! Não só em memórias, pensamentos, mas em palavras mais ainda. As palavras se perdem e me tiram do meu rumo certo de mim. Olho lá atrás e consigo enxergar todas as vezes em que repeti para mim mesmo que nunca mais iria me apaixonar ou colocar meu coração nas mãos de outra pessoa e aí me vejo aqui, lendo cartões trocados por nós e só o que me resta é sorrir, afinal, aí está a prova viva de que sempre nos traímos. Nunca seguimos nossos conselhos, por mais que saibamos o quão certo eles são. Mas acho mesmo que o certo é sempre fazer o errado, se entregar e ver até onde vai, certo? Vai saber. Estou bem onde estou e se é pra ser assim, vai ser. Nada de medos, receios ou pés atrás. Corpo, alma e coração entregues. Costumo colocar muito isso nos textos, mas é assim que é, é assim que tem que ser: Estar entregue. Não esperar nada e nem se desesperar. Se vivermos sempre com medo das coisas que aparecem para nós, lá no fim, podemos nos arrepender, e muito. Melhor deixar o vento soprar e te levar, ser feliz e mais nada.

O resto é consequência. Let it be.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim."


Ao som de Transmissor - Aquática.


As vezes me pergunto tanto para onde vais sem mim assim, me deixando aqui desse jeito como se não tivessemos passado por nenhuma daquelas coisas que tu sabes que passamos. E aí caio no fundo do fundo do poço dos meus pensamentos e lástimas: O que eu quero, afinal? Se quero ir contigo nessa aventura tão nossa em sonhos ou se preciso deixar-te ir solitário percorrendo todos os cantos desse mundo como falavas que querias fazer antes de conhecer a mim. E agora, Deus? Penso no egoísmo que seria meu se lhe obrigasse a ficar nessa cidade pacata cheia de gentes que não sabem o que é amor e que não entendem talvez a força que um pode ter. Me pego por fim pensando no que fazer e mergulho cada vez mais fundo no dentro-dentro de mim e me perco e as vezes acho que nunca me acho até que lhe enxergos e sei que podes ver esse fundo tão fundo dentro de um eu desconhecido por mim mas tão conhecido por ti. Teus olhos doces e por vezes até turvos que me trazem uma calmaria sem tamanho e que me fazem esquecer todos os tempos em que não consigo entender um só nó atado dessa minha mente confusa. Ainda sim me sinto inquieta, essas vozes ecoando aqui dentro e que me indagam sempre sobre o que irei fazer e me paro em frente à um espelho qualquer e grito para mim mesma em voz alta para que ecoe bem dentro do espaço oco em mim: O que queres? Hãm? - E eu mesma me respondo com um balançar de cabeça enquanto as mãos seguem até a mesma. O que estou fazendo comigo mesma? Não poderia deixar-te ir sem mim, solitário desse jeito, prometemos tantas coisas que deviam ser cumpridas como aquelas frases do tipo para-sempre-mesmo-que-o-para-sempre-não-exista. Mas eu quero que exista, sou eu e você, você em mim e isso deveria ser o suficiente, não achas? O amor que eu sempre disse que sentia por ti e que dizias sentir o mesmo, isso tão nosso. Para-sempre, repeti mil vezes para mim enquanto via o quarto girar inúmeras vezes à cima da minha cabeça e sentia teus lábios tão quentes nos meus, me afagando até a alma e por fim lhe abraço, sentindo todo o meu mundo tão pequeno por caber em mim assim. E então decido à palo seco que é contigo que vou seguir para onde quiseres ir e me levar, não importa onde ou quando, sendo contigo. E aí me vejo saindo do fundo do poço e tenho a certeza de que é você quem sempre me puxa do fundo de mim e que eu não deveria estar em outro lugar do mundo a não ser aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O que é felicidade para você?

Sente essa brisa do mar que bate no seu rosto? Sinto-na todos os dias ao passar pelo calçadão da praia; Nas idas à aula, ao mercado. Evito sempre pegar conduções inuteis, dessas que poluem toda essa visão maravilhosa, sabe? Eu sei lá, mas as pessoas perdem muito do seu tempo vivendo coisas que não precisam de todo esse tempo para serem vividas, elas perdem oportunidades de apreciarem coisas tão lindas. Olha esse mar, cara; Essas nuvens, esses pássaros. Procuro me sentar aqui pelo menos uma vez ao dia, todos os dias da semana e isso me faz um bem danado. É como se essa brisa que eu sinto me desse uma certa liberdade, compreende, amigo? Certas vezes quando me pego estressado demais com essa rotina maluca, venho aqui e é como se todos os problemas fossem mandados embora junto com essa correnteza. Podem me chamar de bobo, eu não ligo, sou melhor do que muitas pessoas que vejo por aí. Ar de superioridade não leva ninguém a lugar algum e vejo as pessoas cada vez mais mesquinhas, ignorantes e sozinhas. No fim, todas elas ficarão sozinhas e eu, eu vou é rir, meu caro. Eu estou aproveitando tudo o que a vida me deu de melhor, eu estou vivendo enquanto o resto está se matando por dinheiro. Vou estar sendo hipócrita se disser que não gosto de dinheiro; Pois gosto sim, afinal, hoje em dia tudo é movido à dinheiro, é tudo por dinheiro e eu preciso salvar a minha. Mas felicidade mesmo é aquilo que vem de dentro, são as coisas simples, aquelas que nem sempre são notadas. Vou te falar que ando feliz, demais até e é um feliz tão batalhado, você compreende? E como dizia Caio: "Merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranqüilo." Espero tanto que as pessoas se dêem conta da besteira que andam fazendo com suas vidas e que não seja tarde, que elas consigam batalhar pela felicidade delas também, mas sem tanta hipocrisia e soberba; Sem tanta ambição. Para que tudo isso se depois não levamos nada?

Para que tudo no fim se transformar em perda de tempo e de vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lucy e a máquina de escrever.

Colocou os sapatos e saiu como se a chuva que caía lá fora não fosse significativamente incomoda. E até que não era, não para Lucy. Seu casaco de estrelas era demasiado confortável e ainda lhe parecia como o céu de sonhos que cabia dentro de si; E por que não usá-lo também como capa de chuva? Não se importava que fosse de tecido e que lhe deixasse encharcada. Tinha um objetivo e mais do que isso, tinha um desejo e iria realizá-lo custasse o que fosse. Se havia uma coisa que nunca iriam lhe tirar era a vontade que possuía de realizar todos os seus desejos, por mais difíceis que fossem e por mais demorados também. No caminho passou na pequena banca e comprou um saquinho de amoras, teve o cuidado de escolher as mais vermelhas e apetitosas. Levou-nas com todo o cuidado, como se fossem preciosas. E eram. Sentia felicidade só por tê-las ali consigo, mesmo que fosse algo simples. Continuou seu caminho até a pequena loja de leitura, seu lugar favorito no mundo todo acreditara.

Caminhava distraída até o seu destino quando ao dobrar a esquina da Rua Lüneburg, deparou-se com algo realmente extraordinário, era a coisa mais linda que já havia visto. Deixou com que o saquinho de amoras caísse sobre o chão e nem sequer reparou em seu movimento, aproximou-se da grande vitrina de vidro e colou seu rosto na mesma, vislumbrava aquele objeto como se fosse a unica coisa existente ali e naquele momento era. Após alguns minutos balançou a cabeça brevemente até voltar a si e percebeu a falta das amoras, avistou-nas ao chão e rapidamente pegou o saquinho, envolvendo-o nos braços; Enfiou a mão no bolso e pegou todo o dinheiro que tinha, sabia que era para comprar os livros, mas não se importava; Havia uma prioridade maior agora. Respirou fundo e logo adentrou a loja, era dia de promoção e aquela preciosidade toda iria ser sua. Ah, iria mesmo. Aproximou-se do balcão e fez o pedido para um moço baixinho, gordo e com um bigode branco. Recebeu apenas um aceno de cabeça, enquanto percorria os movimentos do senhor com um sorriso nos lábios; Ele pegou o objeto e o colocou dentro de sua caixa, logo entregando-na para a menina que saiu da loja com o maior sorriso que lhe cabia.

Ela foi rumo à sua casa, cantarolava algo como Beatles internamente, em um dos braços havia uma caixa e no outro um saquinho de amoras bem vermelhas. Chegou na Rua Schlump e parou em frente ao número 9, soltou um suspiro e subiu os degraus, ainda estava em êxtase. Adentrou a casa e foi direto ao quarto, colocou a caixa sobre a escrivaninha e deixou as amoras ao lado; Sentou-se sobre o banco e abriu a tampa da caixa, aproximou os dedos e tocou cada tecla, observando e contornando as letras quando possível. Sorriu vitoriosa. A máquina de escrever que agora possuíra era a coisa mais linda nunca vista antes, e ela tinha tudo o que precisava. Tinha amoras vermelhas e as palavras. Passou o dia todo escrevendo palavras aleatórias em folhas, só para sentir o poder que agora sentia que possuía. Era o poder das palavras e Lucy sabia, ela não tinha medo em usá-las.



Dedico esse pequeno texto à
Lana Pikachu, @littlelovegood. (http://canseidefalsasverdades.blogspot.com)
porque ao ler, consegui encaixá-la direitinho na história.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amor s.m. apego; carinho; zelo; (...)

Ao som de Hey Monday - 6 months.


"E é como se eu não pudesse sentir nada sem você por perto." As horas, os dias, tudo passa demasiadamente devagar. A saudade aperta tanto que chega a doer num misto de sofreguidão e inquietação sem tamanho, me entende? Fico extremamente chata, emotiva, monótona e exagerada. Quando você não está é como se tudo caminhasse numa espécie de câmera lenta ou sei lá, e enfim me falta algo, talvez um pedaço de mim. E realmente falta. Sabe, quando estou contigo sinto um vórtex de sentimentos misturados e palavras me faltam, mesmo sem me bastar, elas ficam repetitivas, nós ficamos e isso de certa forma é bom. E por fim tudo se completa e se encaixa, tudo fica mais divertido e mais amplo. E o tempo que antes se arrastava agora corre como se quisesse fugir por entre meus dedos, e as horas passam a ser insuficientes. Se pudesse desejaria não só um dia inteiro com mais horas como pediria uma vida inteira ao seu lado. Ou melhor, acho que isso eu já terei. Penso comigo que o amor é mesmo a coisa mais clichê que existe, além de nos deixar completamente bobos, bem mais do que de costume. Mas sabe que não venho me importanto com isso? Me importo comigo, contigo, com nós. Felicidade é bom quando se está completa, assim como eu agora. Somos duas partes diferentes que se encaixam, como num quebra cabeça. Nos completamos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Possessão ou egoísmo. E se for os dois?

possessão s.f.

1. Posse;
2. Domínio;
3. O ato de se tornar alguém possesso.

egoísmo s.m.

1. Ato de pensar apenas em si próprio.


Simples como quando se ganha um brinquedo novo e não se quer emprestar. Egoísmo nos limita a nada. Sou pessoa dessas, sabe? Dessas assim que podem fazer certas coisas, mas quando outras pessoas fazem se sentem traídas. Ou dessas outras que quando se tem algo não quer dividir, emprestar ou se empresta é por pouco tempo senão se sente extremamente inquieta e incomodada. Não vou dizer que acho, porque seria mentira. Eu tenho total certeza de que o que é meu tem que ser só meu, senão eu não quero. Não é só questão de possessão, ou até que pode ser. É como se pudesse guardar a pessoa em um pote e lacrar ele todo ou ter um papel lhe dando total liberdade para possessão exclusiva daquela pessoa. Não gosto nem quando olham demais, ainda mais quando tocam. Me pego rindo quando leio essas coisas, esses sentimentos. Isso é demasiado ruim, mas tão comum.

Poderia ter um remédio. Um remédio igual esses que nós tomamos para dor de cabeça.

- Mãe, tô com possessão em demasia. Tem remédio aí?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Jeremy, um livro e fagulhas multi-coloridas.


Ao som de Conspiracy - Paramore.

Como se tudo o que passei até hoje não tivesse me servido de nada. Estou exatamente no lugar onde eu nunca deveria estar, lugar esse que sei que não pertence a mim. Todo esse céu de cores não tão belas quanto o céu pelo qual estou acostumada a vislumbrar. Sinto que estou presa dentro de um grande inferno particular, um inferno que foi destinado somente para mim. Quando foi que deixei a vida me guiar para um caminho cujo qual eu não quero seguir? Fui sempre sendo traída por meus próprios atos. Caminho pelas ruas e por mais cheias que estejam, continuo me sentindo só, como se fosse a única pessoa por aqui. Rostos tão normais, nenhum conhecido. Minhas retinas não conseguem visualizar um só rosto familiar, um só porto de paz para um começo de vida tão cheio de sofreguidão. Saio na rua e nem sei o porque, talvez seja mesmo só para abastecer o pequeno comodo que eu chamo de lar — ou que agora é chamado assim por mim.

Na maior parte do tempo me pego sentada na escrivaninha junto à lareira, lendo meus livros, escrevendo pequenos devaneios ou histórinhas sonhadas ou inventadas pela minha mente nem sempre tão sã. Me levanto poucas vezes, apenas para repor a caneca de café. Enquanto espero consigo ver as luzes que entram pela janela e se refletem nas pequenas louças nunca-usadas guardadas no armário de madeira velha com portas de vidro. Sabe, possuo muito tempo ocioso, tenho muita coisa para não-fazer e as vezes isso me causa uma certa inquietação e me sinto quase sempre fatigada. Certas vezes fico com os cotovelos apoiados no para-peito da janela e por mais tolo que seja, visualizo os vastos telhados e imagino onde estaria Jeremy agora, se estaria tão mais longe do que sempre esteve e se estaria pensando em mim. Poderia estar aqui do meu lado devaniando sobre a história desses telhados, mas não está, nunca estará e então eu suspiro.

Na maioria das vezes sinto falta da sua felicidade que contagiava tudo a sua volta, algo tão simples. Logo reparo que a única coisa que está mais perto entre nós são essas cores e essa Lua quase transparente desenhada sobre o azul-mar desse céu. Rio da minha própria tolice. Jeremy nunca foi de se prender a cidades, céus ou luas e muito menos a alguém, ainda mais alguém como eu. Mas apesar de tudo sinto sua falta. Outra tolice que me arranca risadas: A falta. E então escuto o tintilar da campainha. — Quem será? — Já que não conheço ninguém por aqui. Desço as escadas sentindo a curiosidade me tomando completamente, enquanto o badalar da campainha canta nos meus ouvidos cada vez mais a cada passo que vou dando. Ao abrir a porta, me deparo com o vazio. Logo trato de ir fechando-na, — era só uma brincadeira, afinal — e então deslizo meus olhos para o chão, me deparando com um pequeno livro deitado sobre o tapete no hall de entrada, era um livro de capa vermelha-quase-cor-de-rosa e com letras douradas. Senti os cantos dos lábios atormentarem-se num sorriso logo ao tocar o livro com as mãos, ao abri-lo pude ver pequenas fagulhas multi-coloridas lançarem-se para fora das páginas como se dançassem a fim de contrastar com aquele céu agora de cores tão mais lindas nunca vistas antes em nenhum outro lugar. Jeremy estava de volta. Eu sabia. Sorri novamente.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pesadelo s. m. Sonho agitado, com sensação de opressão.

Niterói, 09 de Janeiro de 2010. Um dia simples e diria até que bem normal, mesmo com a chuva, ou era o que eu queria acreditar. Acordei cedo, me aprontei e fui a caminho da faculdade, havia prova. Sempre achei tudo isso uma chatisse, mas não tinha como escapar. Logo ao chegar, fui em direção a fila do elevador, seria algo tão rotineiro se não fosse por um fato. Ao chegar no andar da minha prova, dei uma olhada pela janela, queria saber onde estava R, mas acabei me deparando com algo que nunca deveria acontecer. M estava sentada com uns amigos e beijava um garoto. Foi aí que tudo desabou. Prova? Era o que eu menos precisava agora. Peguei o primeiro elevador que tardou a chegar e desci, ainda num estado de choque. Ao entrar, encontro G.
- Não vai fazer a prova? — Indagou.
- Não.
- E por que?
- Porque preciso descobrir o motivo de ter visto a minha namorada beijando outra pessoa. — Joguei as palavras com todo tom de raiva que me cabia.
Saí do elevador sem ao menos deixar G falar mais alguma coisa, fui até perto dela, que me encarava com uma expressão de indiferença.
- Viu R? — Perguntei.
- Não. — Respondeu segurando o meu braço e sorrindo de uma forma extremamente cínica.
Assenti com a cabeça e por instinto puxei meu braço e saí andando. E não, ela não veio atrás de mim. Me sentei do outro lado do Campus, fiquei ali por um tempo, deixando com que o ódio me corroesse cada vez mais por dentro, até que não aguentei. Senti uma raiva muito maior, quis saber o porquê de tudo aquilo. Me levantei e fui caminhando até ela, que sorria, se divertindo. Era como se nada tivesse acontecido, e percebi que para ela realmente não importava mais. Ao me ver, virou-se.
- Por que você fez isso? — Perguntei, tentando ao máximo me concentrar no meu motivo de estar ali, assim.
- Porque eu cansei. Eu não te amo, C. — Jogou as palavras sobre mim. Senti como se fosse um tapa na cara.
- Não me ama? E tudo o que você disse ontem quando estávamos na sua casa? O seu pra sempre acaba tão fácil assim? Achei que você fosse mais do que isso. — Tentava segurar o choro, enquanto ela se virava para I e ria, como se tudo não passasse de uma invenção minha.
- Mas eu não sou, e tudo o que eu falei era mentira. Nós não passamos de uma mentira. E agora eu sei o que eu quero e estou com quem eu quero estar.
Olhei para S, que fingia não estar prestando atenção na nossa conversa. Mas no fundo era tudo o que ele queria, sempre foi isso. Balancei a cabeça negativamente, não podia acreditar. Logo M se levantou e saiu andando com os amigos.
- Então é assim, M? — Deixei todas as lágrimas rolarem, não me importando com nada mais.
M deu a mão para S e se virou rapidamente para mim, sem parar de andar. E enquanto falava, ainda pude ver aquele sorriso indiferente nos lábios.
- Eu lhe disse tudo aquilo ontem e agora estou aqui, enquanto você está aí, chorando. — Terminou de falar e riu, indo embora.
Fiquei parada por um tempo e fui atrás de R, precisava dele, precisava sair dali. Não demorou muito e o encontrei, vinha olhando o caderno de questões da prova. Fui falar com ele e sem entender nada, apenas me abraçou, dizendo que não importava o que fosse, ia ficar tudo bem. Perguntei se ele tinha o número de T, que eu precisava falar com ela. Ele apenas assentiu, me passando o celular enquanto a ligação já estava em andamento. Contei tudo para ela, que apenas disse que tudo não passava de uma mentira, que M estava apenas fingindo. Era impossível. Me despedi e desliguei o telefone. Pensava em tudo o que passamos, olhava a aliança e ficava cada vez mais vazia por dentro. Apesar de tudo, só me cabia aceitar a decisão tomada por ela. E era o que eu iria fazer, aceitar. Me deitei na cama e fechei os olhos.

E então acordei. Tudo não passou de um pesadelo. Bem real, mas um pesadelo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sobre saudade,

Saudade.: sf.(a) 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhado do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.2. Pesar da ausência de alguém que nos é querido.



Penso comigo mesma até que ponto a distância pode ser boa para uma saudade. Sinto saudade quando estou perto, imagine a saudade em demasia que sinto agora já que estou há quase dois dias longe de tudo o que amo. Penso também que saudade é coisa deveras ruim, mesmo quando certas pessoas dizem que: "É bom, só vai mostrar a vocês o quanto se gostam e se querem juntas." Ah vá, não preciso estar tão longe pra saber que amo e que lhe quero junto. Se o perto pra mim já é longe, e digo mais, estar longe é a pior coisa que se existe quando se ama. E não é besteira. Ficamos chatos, irritados e carentes. Isso tudo é falta de amor e saudade em grandes doses. Saudades antecipadas que não tiveram tempo suficiente de serem esgotadas. Saudades que ficam guardadas, emboladas e que aumentam cada dia mais. Saudade é ruim. Queremos tudo o que amamos sempre perto, me entende? Temos uma vida, uma rotina e acabamos nos acostumando com ela. Acordar, ler mensagem. Almoçar, falar ao telefone. A tardinha, sair, tocar, amar. É disso o que eu estou falando! Amor perto. Não amor longe. Essas coisas causam sofreguidão em demasia, coisa chata. Como diz um amigo meu: "É ranço de vida." E concordo. Acho isso tudo desperdício de amor, de felicidade. Quero-na pertinho de mim, coladinha, agarradinha. Quero poder enchê-la de beijos e abraços infinitos que não cabem em mim e que nem eu os quero guardar. São todos dela, assim como eu sou dela. Da cabeça aos pés. Eu só sei que essa saudade está longe de ter fim, doze dias contadinhos nos dedos, gravados na ponta do lápis. Saudades da voz, dos beijos, dos abraços e dos sorrisos. Todos tão nossos. Não preciso estar longe pra saber que sinto falta e que a quero sempre comigo. O amor é infinito. O choro também, só que isso eu consigo segurar.
Diretamente de São Paulo, SP.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

1689

Querido Klaus,


Não pense que é fácil o que estou fazendo, sinceramente me dói ter que te escrever esta carta assim. Mas acho que já passou da hora de saberes sobre todas essas coisas e palavras que venho guardando dentro de mim. A primavera já se foi e agora os pássaros cantam como se anunciassem o começo de uma nova estação. Penso todos os dias no peso demasiado dessa distância que tanto insiste em nos separar. Acho também que já está na hora de acabarmos com toda essa sofreguidão que não cessa. Não sei mais o que pensar... Reparastes que a nossa sinfonia nunca mais tocou? A minha velha vitrola sempre engasga na primeira nota e dessa não se ouve mais nenhum outro acorde. Ah, meu bem. Pra onde foi que a vida nos levou afinal? As flores novas já estão para nascer e não recebo sequer uma notícia sua e isso, bom, há tempos. Me esqueceu? Outrora diria que era bobagem tudo isso e eu tola iria acreditar. A ponte já não me leva mais ao mesmo caminho e os seus passos eu não sigo mais. A felicidade agora procura outros horizontes e a minha visão já alcança pra lá do Oceano. Não fujas mais de mim.

Com amor,
Anne.

Querido Klaus,

Não ouço mais você e meu coração inquieto já cansou de esperar pelo calor do seu. O que me resta agora é acalentá-lo, pois que amanhã já é outro dia e não somos mais tão crianças.

Carinhosamente,
Anne.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre luzes e pianos,


Quem sou eu agora? Me sento em frente ao piano e sinto como se nunca estivesse aqui antes, apesar de todas as noites com os mesmos acordes e sons. As luzes da cidade agora batem na minha janela, algumas pareciam brigar para ultrapassar apenas certas frestas, consigo olhar as vitoriosas refletidas sobre o tampo do piano. É a única coisa que me ilumina por aqui. Por que sinto esse lugar tão desconhecido? Corro os dedos pelas teclas, me arriscando em apertar uma ou outra. Não ouço nenhuma melodia que me faça lembrar dias anteriores. Fico por horas ali, sentada, os dedos correndo de um lado para o outro novamente, agora sem força alguma. Não emito nenhum tipo de som. Estou cansada de me sentir sozinha. - era a única coisa de que me lembrara. Não haviam mais lembranças. Podia virar meu rosto e ver a imagem de uma garota refletida no espelho. Penso comigo mesma: - Pobre garota. Todas as noites sentada no mesmo lugar, sem ninguém. Logo sinto um vento forte entrar pela janela, abrindo-a mais, fazendo todas as partituras voarem para longe. Pareciam folhas livres que caíram de uma árvore. Soltei apenas um suspiro, nem um pouco leve e me levantei sem pressa alguma. Me ajoelhei sobre o chão e catei folha por folha, tentando estudar com a vista forçada os desenhos das melodias sobre o papel. Me lembrei da claridade vinda da janela, mas logo percebi que de nada iriam adiantar. Eram apenas algumas luzes bobas de Natal.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vertigem,

É o que sinto todas as vezes que olho bem no fundo dos seus olhos negros turvos, me sinto num poço escuro, perdido. Abro um sorriso forçado e me perco nesses teus braços largos, nesses abraços vagos. Pra onde foi que a vida me levou afinal? Não acho que seja esse o meu lugar, nem o seu. Várias vezes nos traímos nas lembranças de vidas passadas. Vidas essas que não nos pertencem mais, mas sempre nos deixamos levar. Ah, criança... O que foi que fizeram com você? Entendo que todos os seus planos foram levados embora, todos nesse oceano de lágrimas que escorrem dos seus olhos. Mas você não pode e nem vai se deixar vencer. Não foi essa pessoa pela qual eu me apaixonei. - Sim, me apaixonei. Um segredo tão meu agora que nem em sonhos deixo transparecer, talvez devesse, mas não -. Acho que não lembra daqueles dias na praia, éramos felizes. Você me completava e eu podia ver aquele brilho intenso nos seus olhos, brilho agora que foi ofuscado por uma dor que eu nem sei de onde surgiu. Dói em mim saber que nada me afeta mais, nem mesmo a sua indiferença. Mesmo assim, sinto como se tivesse que te defender de tudo aquilo que te faz mal. Pode ser difícil, mas eu vou estar sempre aqui. Vou sempre te velar, te cuidar. Dorme, criança... Dorme que agora a chuva cai com força pra lavar a nossa alma; E todas as lembranças também.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

;

Passo a mão sobre o espaço vazio ao lado do meu. E essas lembranças? Ah! Sempre me traindo. Talvez fosse só um sonho, ou seria a minha pequena-grande vontade de te ter aqui. Posso estar errada. Eu nego, penso e paro. Repito mil vezes para mim mesma: "Pare de se torturar! - Ela não vem." E esse cheiro tão teu que eu sinto então, de onde vem? Abro um livro, dois, três. Bato as almofadas do sofá. O cheiro é tão intenso, mas ao mesmo tempo tão fugaz. Depois de ouvir todas aquelas músicas - nossas músicas - eu me jogo sobre o tapete e fecho os olhos, posso e sinto você chegar. Traição. Mente insana e traíra que me arrasta prum mar totalmente ilusório. Tola sou eu que me deixo levar. Mas eu sei que não é só um mero sonho, uma vontade. Sei que vai voltar. Seu lugar é aqui, comigo. Meus braços sentem falta de um abraço que nunca teve, de um sorriso que só se foi imaginado. Todos os espaços vagos, dias tardos. Passo todos eles esperando você chegar, e sei que vai. Quero dormir bem tarde, talvez eu acredite em tudo isso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[...]

"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa." (Caio F.)

Eu sei que as coisas não são fáceis, nada é. Saiba que eu me tornei uma pessoa bem melhor e muito mais completa desde que você apareceu e entrou na minha vida. Sei também que tudo correu muito rápido, mas foi uma rapidez tão esperada e certa. Somos muito diferentes, nos relacionamos com várias pessoas diferentes, tivemos muitas histórias, erramos milhares de vezes e você é muito mais cabeça que eu. Mas que diferença isso faz afinal? Não me imagino com mais ninguém no mundo além de você. É com você que faço planos pro futuro; Planos esses que quero que se concretizem o mais rápido possível. Te quero tanto que as vezes acho que esse sentimento nem cabe em mim, que o deixo ir saindo pelos cantos. Meus dias só são completos depois que ouço pelo menos a sua voz. Posso ser ciumenta e até chata, um pouco infantil, mas sinto medo de te perder. A vida já me levou tanta coisa que sempre acabo ficando com um receio, me entende? E seus abraços, tão meus. É o unico lugar em que me sinto segura, onde eu posso ficar envolvida por horas e perder a noção de tempo e espaço. Além de tudo, é você quem eu amo e pode parecer clichê, mas não há mais ninguém no mundo que me faça tão completa quanto você e a minha vida já não faz mais sentido se você não estiver nela.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A primavera e eu.

Estação maluca, espero alguém que não vem. Talvez maluca seja eu. Mas sabe quando você acorda achando que vai fazer sol e quando abre a cortina e olha pela janela está chovendo? Parece comigo. Tempo bipolar. E todas as vezes que eu saí numa tarde calorenta pra caminhar achando que o vento ia bater e as coisas iam ser melhores do que dentro de casa e tudo o que eu consegui foi uma brisa boba e mais quente que o ar que sai do meu ventilador. Decepção. Outra coisa que combina comigo. Covarde. Posso ser isso também. Quando vejo o círculo se fechando, sempre penso em fugir. É sempre a minha primeira opção. "Isso é errado!" - penso mil vezes. Minha mente nunca me obedece, sempre me trai. Estação maluca. E essa chuva? Hoje cedo mesmo estava um calor daqueles e agora chove, uma chuva sem refresco algum, sem vida. Não me acrescenta em nada. Vontade de descer, me molhar. Mas vou ficar aqui sentada, pensando em tudo o que eu poderia ter feito, mas não fiz. E não farei. Cadê você que não vem? A chuva já cessou, tá nascendo um arco-íris. O que será que tem ao fim dele? Pensamento de criança. Acho que preciso de um cigarro. Vou deixar a porta aberta, esperar você chegar. Feche-a ao passar. Não deixe que seus pensamentos me invadam, sou confusa demais só com os meus.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Aleatoriedade com passados.

Até que ponto o passado pode voltar para atrapalhar tudo o que já se foi construído sem ele? Penso que as coisas nunca podem estar encaixadas corretamente, porque vem sempre alguma coisa para desandar tudo, sabe? Olha cara, eu não tenho exigido nada demais de ninguém, só quero um pouco de respeito. Eu mereço isso. Ou não? Eu corro muito o tempo todo, sempre penso em fugir de tudo e me trancar no meu quartinho, mas isso é besteira. É besteira! Não podemos fugir de nada. Não podemos pensar demais que desistimos e pensar demais também significa fugir. Estamos todos presos dentro de uma vida cheia de clichês, de tramas e dramas. Me escuta, as vezes penso que amar é tudo o que temos. É o que nos faz sentir vivos, me entende? Me entenda, amar te traz várias coisas boas - ruins também, eu sei - mas muitas coisas boas. Teu coração fica sem ritmo, seu corpo estremece só de pensar naquela pessoa. Ah, eu me permito amar, sofrer. Quero me sentir vivo, cara. Estou vivo. Estamos vivos. Se permita. Por favor, voe longe.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Clichê.

- Quanto tempo faz?
- Não sei. O tempo não me importa.
- Não mesmo.
- Te importa?
- O tempo?
- Não. Os meus motivos.
- Seus motivos. Eu deveria?
- É. Talvez não, afinal são meus... Mesmo tendo haver com você.
- Eu?
- Nós.
- Nunca se perguntou porque não ligo mais?
- No começo sim, várias vezes. Achei que havia cansado. Até pensei em ligar.
- Pensou. Pensar demais nos faz desistir.
- Eu não desisti.
- Não?
- Não. Deite sua cabeça sobre meu peito, fique em silêncio.
- Mas tenho tantas coisas para falar.
- Agora não importa. Você ouve?
- O que?
- O meu coração.
- Seu coração bate do mesmo jeito que o meu quando estou perto de você. Desritmado.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Com quantos legos se faz uma personalidade?

Me falaram certa vez que sou pessoa muito difícil de lidar. Ah vá, qual a graça em ser fácil? Não gosto de ser previsível, porque aí sim, aí toda a graça se vai. Me deixar parecer com os outros seria deveras chato e de chatisse já estou cheia. Mas sou chata mesmo; Sou grossa mesmo e irônica mais ainda. Tem quem goste. Pra mim, pessoa que reclama demais é porque não tem uma boa personalidade e quer que todo mundo seja de um determinado jeito que simplifique a convivência. Isso é uma caretisse só, meu bem. As pessoas são diferentes, cada uma tem a sua personalidade. Tem quem aceite e quem critique. Já eu, não dou a mínima. Tudo o que é fácil demais enjoa. Bom mesmo é o desafio. E desafios muito me agradam.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Que seja doce.

Por vezes me senti fatigado. Não sei bem o porque, não saberia explicar, mas tudo me cansava... As pessoas, as coisas, os dias, a cidade toda era um saco. Me entende, cara? Aposto que não entende, mas vai dizer que sim. Tudo bem. Eu não me importo mais se me entendem ou não, sabe por que? Porque ela me entende. Ela, só ela. Me meti num grande clichê e pela primeira vez não estou me importando mesmo. Que se danem-os todos. Amor é isso mesmo. Amor é clichê. Eu sou clichê. Somos. Me sinto feliz, você não? Olha, eu tenho ela, tenho à mim. Nos temos. Não me venha com frases desanimadas, não me diga que o fim é sempre próximo. Já te falei que não me importa. Nada me importa, nada além dela, de nós, do nosso mundo. Como dizia meu querido Caio: "Que seja doce!", repito isso para mim mil vezes ao dia. E será!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

m.

Só quero que ela saiba que eu poderia estar em Paris ou até mesmo no Japão, mas que sem ela do meu lado não ia fazer sentido algum. Sei lá cara, mas todos nós temos um lugar no mundo e eu achei o meu. E é ao lado dela, da mulher que eu amo. E eu não vou abrir mão disso por nada, me entende? Qual é a graça de estar no lugar mais bonito do mundo e se sentir incompleto? Nenhuma. Ou ela vem comigo, ou eu não vou. Não tem escolha, é isso ou isso. Fim.