tenho olhado pra janela mais do que deveria
com aquela sensação de querer me jogar
fecho os olhos e consigo sentir o vento batendo no meu rosto
a dor da queda
e por fim
a ida sem volta
choro muito todos os dias
me sinto sozinha nas vinte e quatro horas do dia
até mesmo nas seis horas mais mal dormidas da minha vida
parece que os remédios não fazem mais efeito
antidepressivos
ansiolíticos
calmantes
sorrisos tortos falsos
a vida tá pesando cada dia mais
mais
e mais
cansando de ser eu
de ser ela
de ser a outra
de ser só mais uma
mais uma duas três quatro cinco mil
qualquer uma
só mais uma
mais um tapa buraco dentre bilhões de outros tapa buracos
que no fim
não servem mais e são jogados fora
eles dizem que é pecado
sabe?
tirar a própria vida
você vai pro inferno
mas que inferno é esse?
há algum outro inferno longe desse que a gente já vive?
o inferno somos nós quem fazemos
e o céu
também
o inferno
e o céu
são os outros
somos eu e você
eles
nós
todos
o inferno sou eu
e eu já não aguento mais viver dentro desse
meu inferno particular
sexta-feira, 15 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
não ser
é fácil falar qualquer coisa quando não se conhece inteiramente e internamente a pessoa de fato. eu aviso logo: sou ruim, sou problema. deveria vir com uma bula prescrita, com aqueles rótulos que vão explicando que o veneno vai ressecando e cortando da garganta até a alma. solidão. egocentrismo. prazer. não sei em que ponto me perdi mas já não pretendo me encontrar, não há mais um caminho de volta sequer que me faça me enxergar agarrada a uma corda de salvação, nada que me tire desse fundo de poço escuro em que eu me joguei de cabeça e com tanta vontade. eu não sou eu. ninguém me conhece. eu não existo. eu só não sou. e no meio disso tudo eu não quero mesmo ser. não mais. nada.
Assinar:
Postagens (Atom)