Vou e volto inúmeras vezes. Não por indecisão. Você sempre me traz de volta, me faz percorrer todo esse longo caminho, me guia até o fim. Logo depois me manda embora, me faz regredir, volto sozinha, com a cabeça baixa. Aquela sensação de fracasso.
Eu não sei, nunca soube e talvez nunca saberei o que é que você quer de mim, afinal. Me pega e me aninha. Depois me larga e joga fora como um pedaço de papel cheio de rasuras, como algo que não serve mais. E eu... eu aceito. Por fora digo que sim, tudo bem, eu entendo; Mas por dentro grito, luto e digo que não. Não pra mim, pra você, pra situação. Só que de nada adianta. Nunca adiantou.
Acontece que eu ainda tenho aquela fé que me move e que me diz que
um dia, eu vou cansar de ser apenas um rascunho da sua história e vou querer ser as páginas inteiras de um livro grande e vou ser as palavras que preenchem o conto de alguém. Eu ainda vou querer abrir um livro novo e sentir o cheiro das páginas nunca tocadas antes e vou querer lê-las do começo ao fim, por saber que são para mim. E você? Bom... sempre te imagino parada num final de tarde em frente a uma grande janela, e dentro desse lugar existem milhões de livros, novos, velhos, coloridos; Com capas grossas e finas. Você vai parar e entrar, pegar um livro qualquer e ao abrir vai ver que estou bem, completa, com uma primeira página em letra maiúscula e uma página final com um ponto grande, bem preenchido. Vou estar escrita em um milhão de frases bem alinhadas, com parágrafos completos, sem falhas. Vai pensar algo como poderia ter sido você, mas deixou passar, rasgou as páginas do começo ao fim e tacou fogo em todas elas. Poderia ser você, com letras grandes e uma dedicatória. Poderia ser, poderia. Mas não será. Assim como não poderia ter sido eu a continuação da sua história, nunca seria você a autora à me escrever.
Seu livro agora não tem pontos, letras e frases.
Só páginas em branco.

