quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quem sou eu...?


Era comum, um pouco monótona e bipolar, - não porque era coisa da moda, apenas era - e sempre se pôde ser considerada - não pelos outros, por si mesma - um grande e bem desenhado clichê, daqueles que nunca cessam e nunca cansam. Era doce e amarga, olhos penetrantes, daqueles que te prendem e jogam n'um mar ilusório e vasto; Te joga pela brisa e te manda embora ao mesmo tempo que te pede para ficar. Não era entendida e nem se fazia entender. Só era ela e dela, assim como sempre quis ser. Era pequena, por vezes perdida, mas no fim sempre se encontrava n'uma ponta de caneta quase igual a essa em que escrevo agora. Lhe desse um papel e uma folha e mesmo sem saber como o fazer, lhe abria seu mundo inteiro apenas através das palavras.

Ligava a vitrola todo dia pela madrugada, deixava aquele som baixo cantarolando o fundo da sua mente: "Não fique aí parado, essa é a lei. Vou pintar um lugar mais bonito pra fazer meu festival, quando o carnaval passar vamos dançar, qualquer coisa é melhor que tristeza. Por favor, se esqueça. Vou criar um lugar escondido pra fazer meu recital." Era algo como a liberdade dançando por dentro de si. E aí fluía! Lhe dava barcos, asas, pernas, mundos... vida. Se fazia assim, só consigo mesma, explorando e visitando milhares de lugares e sonhava de olhos abertos. Aqueles mesmos olhos de poço fundo, mas tão límpidos. Era a confusão, a percepção e a doçura de quem não se importa em ser apenas quem é.

Ela não precisava ter ninguém e se tivesse, guardava escondido n'uma gaveta bem arrumada com laços de fita vermelhos, eram presentes embrulhados para si. Presentes da vida. Ela era amor e raiva num copo só, uma dose certa para cada medida. Tinha suas manias, como: Ler pessoas, prestar atenção em cada fagulha colorida que se escondia em cada pupila. Gostava de conhecer o desconhecido, prestar atenção nos detalhes, gestos, sorrisos. Caminhava pela rua destemida, sorrindo sorrisos por aí. Não os dava, apenas emprestava à quem sabia retribuir.

Uma menina, dançante da liberdade e sempre consigo mesma, nunca só, mas sempre assim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pensamentos soltos.

Li umas coisas que me deixaram inquieta, não por ainda habitar aqueles sentimentos antes tão possuídos por mim. - Pelo contrário, acho que foi a ausência deles que me trouxe esse desconforto. - Nunca entendi muito bem essas coisas de morte-por-amor, se é que me entendes... mas tudo bem. Acho que cada um morre do que quer morrer e tem o drama que quer ter. Não me leve à mal, só que, são muitas confusões aqui dentro da minha cuca confusa. (Gosto de usar essa palavra: C-o-n-f-u-s-ã-o.)
Mas acho que no fundo de tudo mesmo, nem que seja bem lá no fundo, não te reconheço mais. O que é isso que você se transformou? É realmente uma pena. Não achas? Não?

Por um momento, - mesmo que fosse curto - a minha vontade foi de segurar teu rosto de frente pro meu, te olhar nos olhos, e te ter perto, perguntar quando é que foi que tudo se perdeu e que o amor se transformou em socos e tapas, em dor. Como é que a gente morre estando vivo? Falo de morrer-de-amor, de não entender, mas entendo. Não morro. Só entendo.

Não morro... mas espero.

Encontrei uma velha carta sua, ou talvez não seja tão velha assim. Sei que tocou fundo, ninguém vai entender, mas eu entendo e entendi sempre. Digo sempre, porque a leio todos os dias antes de dormir. A deixei na cabeceira da cama, se não tenho um livro-de-cabeceira, tenho uma carta-de-cabeceira. - Pode rir. -


Penso sempre comigo: Ah, Deus... como eu quero paz. E mais do que isso, por favor, uma dose de anti-você.

domingo, 13 de novembro de 2011

Nota:

5:25 a.m.

Me perguntam de você...

Acho que as pessoas não vêem direito. Ou melhor, vêem, mas não enxergam claramente. Não enxergam nada de verdadeiro que ainda há em mim, porque se enxergassem, veriam que não há mais nada aqui que seja seu. Nenhum sorriso, nenhum beijo. E não enxergam porque não querem, não acredito que seja sem querer. Gostam de te ver no fundo do poço, triste, sozinho; Com aquele ar de tudo-bem-vai-passar. Vai passar sim, mas não é preciso que ninguém venha te tirar do sossego.

Sossego esse que se tem sido tão difícil de alcançar. As pessoas gostam de ofuscar o sorriso alheio, acabam com a alegria de outros. E se não estão felizes, pisam mais ainda em ti. Pisam sem dó. Apenas por pisar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alguns botes e outros pássaros.

Se você for minha estrela,
eu serei seu céu.

Ela ousava dizer com toda certeza de que como 2 + 2 são 4, podia sim ser considerada um clichê ambulante. Um grande e enorme clichê com frases de amor entre aspas bem desenhadas e pontos finais bem redondos, quem sabe talvez até com algumas vírgulas no meio.

Na verdade, acho que seu grande defeito não era o fato de ser clichê e sim o fato de pensar demais, já ouviram dizer que quem pensa demais acaba desistindo? Ela sempre repetia a mesma frase para si mesma, falava em voz alta, como se isso fizesse entrar na sua cabeça e mais ainda, no seu coração. Queria ser livre, assim como todas as palavras que usava, queria ser espontânea e ao invés de se torturar em pensamentos só queria agir.



Mas você pode fugir de foguete de mim
e nunca mais voltar se você achar outra galáxia
longe daqui com mais lugares para voar.


Quando queria gritar, não o fazia. Colocava todas as suas palavras em milhares de rascunhos, papéis soltos, cadernos. Dormia envolta de palavras escritas em paredes, rodeando sua cuca. Podia ser considerada um livrinho ambulante, ou aqueles de bolso onde são levados à todos os cantos. E sorria, ela sorria muito por se sentir tão dona de todas as suas palavras. Descobriu então que já era livre.


I live to make you free.





Por fim, descobriu que não ser clichê também é clichê e se fez assim feliz, se ela tinha o poder das palavras, já podia se considerar tendo tudo. O que mais ela poderia querer? Já podia expressar seus sentimentos, estava tudo bem.







{Uma nota: Joguei alguns devaneios aqui,
coisas sem sentido, não queria e nem poderia deixar o blog
cheio de teias de aranha, mas as palavras fogem de mim
como pássaros semi-livres de uma gaiola.}