
Ao som de Conspiracy - Paramore.
Como se tudo o que passei até hoje não tivesse me servido de nada. Estou exatamente no lugar onde eu nunca deveria estar, lugar esse que sei que não pertence a mim. Todo esse céu de cores não tão belas quanto o céu pelo qual estou acostumada a vislumbrar. Sinto que estou presa dentro de um grande inferno particular, um inferno que foi destinado somente para mim. Quando foi que deixei a vida me guiar para um caminho cujo qual eu não quero seguir? Fui sempre sendo traída por meus próprios atos. Caminho pelas ruas e por mais cheias que estejam, continuo me sentindo só, como se fosse a única pessoa por aqui. Rostos tão normais, nenhum conhecido. Minhas retinas não conseguem visualizar um só rosto familiar, um só porto de paz para um começo de vida tão cheio de sofreguidão. Saio na rua e nem sei o porque, talvez seja mesmo só para abastecer o pequeno comodo que eu chamo de lar — ou que agora é chamado assim por mim.
Na maior parte do tempo me pego sentada na escrivaninha junto à lareira, lendo meus livros, escrevendo pequenos devaneios ou histórinhas sonhadas ou inventadas pela minha mente nem sempre tão sã. Me levanto poucas vezes, apenas para repor a caneca de café. Enquanto espero consigo ver as luzes que entram pela janela e se refletem nas pequenas louças nunca-usadas guardadas no armário de madeira velha com portas de vidro. Sabe, possuo muito tempo ocioso, tenho muita coisa para não-fazer e as vezes isso me causa uma certa inquietação e me sinto quase sempre fatigada. Certas vezes fico com os cotovelos apoiados no para-peito da janela e por mais tolo que seja, visualizo os vastos telhados e imagino onde estaria Jeremy agora, se estaria tão mais longe do que sempre esteve e se estaria pensando em mim. Poderia estar aqui do meu lado devaniando sobre a história desses telhados, mas não está, nunca estará e então eu suspiro.
Na maioria das vezes sinto falta da sua felicidade que contagiava tudo a sua volta, algo tão simples. Logo reparo que a única coisa que está mais perto entre nós são essas cores e essa Lua quase transparente desenhada sobre o azul-mar desse céu. Rio da minha própria tolice. Jeremy nunca foi de se prender a cidades, céus ou luas e muito menos a alguém, ainda mais alguém como eu. Mas apesar de tudo sinto sua falta. Outra tolice que me arranca risadas: A falta. E então escuto o tintilar da campainha. — Quem será? — Já que não conheço ninguém por aqui. Desço as escadas sentindo a curiosidade me tomando completamente, enquanto o badalar da campainha canta nos meus ouvidos cada vez mais a cada passo que vou dando. Ao abrir a porta, me deparo com o vazio. Logo trato de ir fechando-na, — era só uma brincadeira, afinal — e então deslizo meus olhos para o chão, me deparando com um pequeno livro deitado sobre o tapete no hall de entrada, era um livro de capa vermelha-quase-cor-de-rosa e com letras douradas. Senti os cantos dos lábios atormentarem-se num sorriso logo ao tocar o livro com as mãos, ao abri-lo pude ver pequenas fagulhas multi-coloridas lançarem-se para fora das páginas como se dançassem a fim de contrastar com aquele céu agora de cores tão mais lindas nunca vistas antes em nenhum outro lugar. Jeremy estava de volta. Eu sabia. Sorri novamente.
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