domingo, 9 de janeiro de 2011

Pesadelo s. m. Sonho agitado, com sensação de opressão.

Niterói, 09 de Janeiro de 2010. Um dia simples e diria até que bem normal, mesmo com a chuva, ou era o que eu queria acreditar. Acordei cedo, me aprontei e fui a caminho da faculdade, havia prova. Sempre achei tudo isso uma chatisse, mas não tinha como escapar. Logo ao chegar, fui em direção a fila do elevador, seria algo tão rotineiro se não fosse por um fato. Ao chegar no andar da minha prova, dei uma olhada pela janela, queria saber onde estava R, mas acabei me deparando com algo que nunca deveria acontecer. M estava sentada com uns amigos e beijava um garoto. Foi aí que tudo desabou. Prova? Era o que eu menos precisava agora. Peguei o primeiro elevador que tardou a chegar e desci, ainda num estado de choque. Ao entrar, encontro G.
- Não vai fazer a prova? — Indagou.
- Não.
- E por que?
- Porque preciso descobrir o motivo de ter visto a minha namorada beijando outra pessoa. — Joguei as palavras com todo tom de raiva que me cabia.
Saí do elevador sem ao menos deixar G falar mais alguma coisa, fui até perto dela, que me encarava com uma expressão de indiferença.
- Viu R? — Perguntei.
- Não. — Respondeu segurando o meu braço e sorrindo de uma forma extremamente cínica.
Assenti com a cabeça e por instinto puxei meu braço e saí andando. E não, ela não veio atrás de mim. Me sentei do outro lado do Campus, fiquei ali por um tempo, deixando com que o ódio me corroesse cada vez mais por dentro, até que não aguentei. Senti uma raiva muito maior, quis saber o porquê de tudo aquilo. Me levantei e fui caminhando até ela, que sorria, se divertindo. Era como se nada tivesse acontecido, e percebi que para ela realmente não importava mais. Ao me ver, virou-se.
- Por que você fez isso? — Perguntei, tentando ao máximo me concentrar no meu motivo de estar ali, assim.
- Porque eu cansei. Eu não te amo, C. — Jogou as palavras sobre mim. Senti como se fosse um tapa na cara.
- Não me ama? E tudo o que você disse ontem quando estávamos na sua casa? O seu pra sempre acaba tão fácil assim? Achei que você fosse mais do que isso. — Tentava segurar o choro, enquanto ela se virava para I e ria, como se tudo não passasse de uma invenção minha.
- Mas eu não sou, e tudo o que eu falei era mentira. Nós não passamos de uma mentira. E agora eu sei o que eu quero e estou com quem eu quero estar.
Olhei para S, que fingia não estar prestando atenção na nossa conversa. Mas no fundo era tudo o que ele queria, sempre foi isso. Balancei a cabeça negativamente, não podia acreditar. Logo M se levantou e saiu andando com os amigos.
- Então é assim, M? — Deixei todas as lágrimas rolarem, não me importando com nada mais.
M deu a mão para S e se virou rapidamente para mim, sem parar de andar. E enquanto falava, ainda pude ver aquele sorriso indiferente nos lábios.
- Eu lhe disse tudo aquilo ontem e agora estou aqui, enquanto você está aí, chorando. — Terminou de falar e riu, indo embora.
Fiquei parada por um tempo e fui atrás de R, precisava dele, precisava sair dali. Não demorou muito e o encontrei, vinha olhando o caderno de questões da prova. Fui falar com ele e sem entender nada, apenas me abraçou, dizendo que não importava o que fosse, ia ficar tudo bem. Perguntei se ele tinha o número de T, que eu precisava falar com ela. Ele apenas assentiu, me passando o celular enquanto a ligação já estava em andamento. Contei tudo para ela, que apenas disse que tudo não passava de uma mentira, que M estava apenas fingindo. Era impossível. Me despedi e desliguei o telefone. Pensava em tudo o que passamos, olhava a aliança e ficava cada vez mais vazia por dentro. Apesar de tudo, só me cabia aceitar a decisão tomada por ela. E era o que eu iria fazer, aceitar. Me deitei na cama e fechei os olhos.

E então acordei. Tudo não passou de um pesadelo. Bem real, mas um pesadelo.

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