Escrito num dia de céu azul, com muitas nuvens e um frio de começo de inverno.

Me lembro bem daquela sua voz alta se embaralhando com o som saído do rádio do carro. Aquela sua risada que me puxava dos meus devaneios mais profundos. Um estalo pro fim do transe.
– É, meu bem, atraiçoamos os seus ideais.
– Que ideais?
– Sei que prometeu para si mesma nunca mais me ver.
E ainda podia e conseguia ler cada minimo detalhe de dentro de mim.
– Quem falou isso?
– Seu jeito de agir sempre te entregou.
– Não leve a mal.
Soltou outra gargalhada, dando um belo gole naquela Stella, – já quente, presumi. – No fundo algo como GRAM tocava bem baixo, mas ecoando na minha cabeça tão vazia de nada. “Você só me fez mudar, mas depois mudou de mim... Você quer me biografar, mas não quer saber do fim.” Quando passa aquele deja vu. Mesmo lugar, mesmo flashback. Eu. Você. Eu, sempre traindo minhas promessas. Você, sempre me fazendo dar pra trás. Agora deixei com que a gargalhada saísse de mim. Silêncio. Puxo fundo o ar pelas narinas. Cheiro de Camel... e álcool. Olho pro lado e tenho a mesma sensação de vazio que senti todos aqueles dias enquanto me sentava só sobre o carpete no chão da sala lembrando do meu corpo parado no vão da porta... e de você, se distanciando cada vez mais. A mesma música de agora também tocava naquele dia, e o cheiro, era o mesmo.
– Eu volto, é só um tempo que preciso pra mim. – disse.
Apenas assenti com a cabeça.
Poderia voltar, como sempre voltava, depois de meses. Choro muito nos primeiros dias, depois é como se tudo fosse se camuflando. Volto a sair e a ouvir músicas que antes eu não ouvia... Não mais aquelas músicas de fossa, toca agora Adele. “You had my heart inside of your hand and you played it to the beat.” E já consigo sorrir, acredita? Sei que sorrio alguns sorrisos falsos por aí, nenhum tão sincero quanto os que entrego à ti. Mas sorrio. Até que você volta... Volta trazendo tudo o que eu já havia fingido esquecer. Volta trazendo o nós e eu apenas dou espaço para que você entre. E você vai indo embora e voltando quando tem vontade... Porque sabe que se voltar, eu ainda vou estar aqui. E o quão ruim isso é? Não saberia dizer, só saberia dizer que é ruim. Mas a dimensão, é incalculável.
E quando prometo para mim mesma que a próxima vez que você for, será a última, eu me vejo aqui, nesse mesmo lugar... ao teu lado. Sorrisos, lembranças, momentos bons e esquecimento. Eu esqueço de mim e dos momentos ruins que passo quando você se vai, e só penso em como é bom poder te ter de volta. E tudo por fim se encaixa e eu sinto como se só pudesse ser completa com você, mesmo com tantas idas e vindas... É sempre pra mim que você volta. Isso basta, pelo menos por agora.
3 comentários:
É verdade que quando amamos alguém, ficamos cegos e irracionais. A pessoa vai,volta,vai,volta e nós sempre de braços abertos como se fosse a melhor coisa do mundo. Seria ótimo se todos percebessem que é bem melhor dar seu amor para alguém que nunca te abandona. Beijos
http://biacentrismo.blogspot.com
Essa rotina 'monotona', que desgasta e cura, sempre me vicia, e ele de certa forma, sempre me convence que dessa vez será diferente. Diferente seja talvez, pra ele, que me ilude todas as vezes, de maneiras diferentes, mas o meu choro é sempre o mesmo, e minha dor nunca passa, meus risos não tem cura.
My darling, é isto que o amor idiota faz, nos deixa de braços abertos esperando a volta, mesmo que digamos que será a última vez, o coração trai, sufoca e faz isso.
Amei *---*
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