segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

1689

Querido Klaus,


Não pense que é fácil o que estou fazendo, sinceramente me dói ter que te escrever esta carta assim. Mas acho que já passou da hora de saberes sobre todas essas coisas e palavras que venho guardando dentro de mim. A primavera já se foi e agora os pássaros cantam como se anunciassem o começo de uma nova estação. Penso todos os dias no peso demasiado dessa distância que tanto insiste em nos separar. Acho também que já está na hora de acabarmos com toda essa sofreguidão que não cessa. Não sei mais o que pensar... Reparastes que a nossa sinfonia nunca mais tocou? A minha velha vitrola sempre engasga na primeira nota e dessa não se ouve mais nenhum outro acorde. Ah, meu bem. Pra onde foi que a vida nos levou afinal? As flores novas já estão para nascer e não recebo sequer uma notícia sua e isso, bom, há tempos. Me esqueceu? Outrora diria que era bobagem tudo isso e eu tola iria acreditar. A ponte já não me leva mais ao mesmo caminho e os seus passos eu não sigo mais. A felicidade agora procura outros horizontes e a minha visão já alcança pra lá do Oceano. Não fujas mais de mim.

Com amor,
Anne.

Querido Klaus,

Não ouço mais você e meu coração inquieto já cansou de esperar pelo calor do seu. O que me resta agora é acalentá-lo, pois que amanhã já é outro dia e não somos mais tão crianças.

Carinhosamente,
Anne.

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