sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre luzes e pianos,


Quem sou eu agora? Me sento em frente ao piano e sinto como se nunca estivesse aqui antes, apesar de todas as noites com os mesmos acordes e sons. As luzes da cidade agora batem na minha janela, algumas pareciam brigar para ultrapassar apenas certas frestas, consigo olhar as vitoriosas refletidas sobre o tampo do piano. É a única coisa que me ilumina por aqui. Por que sinto esse lugar tão desconhecido? Corro os dedos pelas teclas, me arriscando em apertar uma ou outra. Não ouço nenhuma melodia que me faça lembrar dias anteriores. Fico por horas ali, sentada, os dedos correndo de um lado para o outro novamente, agora sem força alguma. Não emito nenhum tipo de som. Estou cansada de me sentir sozinha. - era a única coisa de que me lembrara. Não haviam mais lembranças. Podia virar meu rosto e ver a imagem de uma garota refletida no espelho. Penso comigo mesma: - Pobre garota. Todas as noites sentada no mesmo lugar, sem ninguém. Logo sinto um vento forte entrar pela janela, abrindo-a mais, fazendo todas as partituras voarem para longe. Pareciam folhas livres que caíram de uma árvore. Soltei apenas um suspiro, nem um pouco leve e me levantei sem pressa alguma. Me ajoelhei sobre o chão e catei folha por folha, tentando estudar com a vista forçada os desenhos das melodias sobre o papel. Me lembrei da claridade vinda da janela, mas logo percebi que de nada iriam adiantar. Eram apenas algumas luzes bobas de Natal.

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