quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sobre saudade,

Saudade.: sf.(a) 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhado do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.2. Pesar da ausência de alguém que nos é querido.



Penso comigo mesma até que ponto a distância pode ser boa para uma saudade. Sinto saudade quando estou perto, imagine a saudade em demasia que sinto agora já que estou há quase dois dias longe de tudo o que amo. Penso também que saudade é coisa deveras ruim, mesmo quando certas pessoas dizem que: "É bom, só vai mostrar a vocês o quanto se gostam e se querem juntas." Ah vá, não preciso estar tão longe pra saber que amo e que lhe quero junto. Se o perto pra mim já é longe, e digo mais, estar longe é a pior coisa que se existe quando se ama. E não é besteira. Ficamos chatos, irritados e carentes. Isso tudo é falta de amor e saudade em grandes doses. Saudades antecipadas que não tiveram tempo suficiente de serem esgotadas. Saudades que ficam guardadas, emboladas e que aumentam cada dia mais. Saudade é ruim. Queremos tudo o que amamos sempre perto, me entende? Temos uma vida, uma rotina e acabamos nos acostumando com ela. Acordar, ler mensagem. Almoçar, falar ao telefone. A tardinha, sair, tocar, amar. É disso o que eu estou falando! Amor perto. Não amor longe. Essas coisas causam sofreguidão em demasia, coisa chata. Como diz um amigo meu: "É ranço de vida." E concordo. Acho isso tudo desperdício de amor, de felicidade. Quero-na pertinho de mim, coladinha, agarradinha. Quero poder enchê-la de beijos e abraços infinitos que não cabem em mim e que nem eu os quero guardar. São todos dela, assim como eu sou dela. Da cabeça aos pés. Eu só sei que essa saudade está longe de ter fim, doze dias contadinhos nos dedos, gravados na ponta do lápis. Saudades da voz, dos beijos, dos abraços e dos sorrisos. Todos tão nossos. Não preciso estar longe pra saber que sinto falta e que a quero sempre comigo. O amor é infinito. O choro também, só que isso eu consigo segurar.
Diretamente de São Paulo, SP.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

1689

Querido Klaus,


Não pense que é fácil o que estou fazendo, sinceramente me dói ter que te escrever esta carta assim. Mas acho que já passou da hora de saberes sobre todas essas coisas e palavras que venho guardando dentro de mim. A primavera já se foi e agora os pássaros cantam como se anunciassem o começo de uma nova estação. Penso todos os dias no peso demasiado dessa distância que tanto insiste em nos separar. Acho também que já está na hora de acabarmos com toda essa sofreguidão que não cessa. Não sei mais o que pensar... Reparastes que a nossa sinfonia nunca mais tocou? A minha velha vitrola sempre engasga na primeira nota e dessa não se ouve mais nenhum outro acorde. Ah, meu bem. Pra onde foi que a vida nos levou afinal? As flores novas já estão para nascer e não recebo sequer uma notícia sua e isso, bom, há tempos. Me esqueceu? Outrora diria que era bobagem tudo isso e eu tola iria acreditar. A ponte já não me leva mais ao mesmo caminho e os seus passos eu não sigo mais. A felicidade agora procura outros horizontes e a minha visão já alcança pra lá do Oceano. Não fujas mais de mim.

Com amor,
Anne.

Querido Klaus,

Não ouço mais você e meu coração inquieto já cansou de esperar pelo calor do seu. O que me resta agora é acalentá-lo, pois que amanhã já é outro dia e não somos mais tão crianças.

Carinhosamente,
Anne.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre luzes e pianos,


Quem sou eu agora? Me sento em frente ao piano e sinto como se nunca estivesse aqui antes, apesar de todas as noites com os mesmos acordes e sons. As luzes da cidade agora batem na minha janela, algumas pareciam brigar para ultrapassar apenas certas frestas, consigo olhar as vitoriosas refletidas sobre o tampo do piano. É a única coisa que me ilumina por aqui. Por que sinto esse lugar tão desconhecido? Corro os dedos pelas teclas, me arriscando em apertar uma ou outra. Não ouço nenhuma melodia que me faça lembrar dias anteriores. Fico por horas ali, sentada, os dedos correndo de um lado para o outro novamente, agora sem força alguma. Não emito nenhum tipo de som. Estou cansada de me sentir sozinha. - era a única coisa de que me lembrara. Não haviam mais lembranças. Podia virar meu rosto e ver a imagem de uma garota refletida no espelho. Penso comigo mesma: - Pobre garota. Todas as noites sentada no mesmo lugar, sem ninguém. Logo sinto um vento forte entrar pela janela, abrindo-a mais, fazendo todas as partituras voarem para longe. Pareciam folhas livres que caíram de uma árvore. Soltei apenas um suspiro, nem um pouco leve e me levantei sem pressa alguma. Me ajoelhei sobre o chão e catei folha por folha, tentando estudar com a vista forçada os desenhos das melodias sobre o papel. Me lembrei da claridade vinda da janela, mas logo percebi que de nada iriam adiantar. Eram apenas algumas luzes bobas de Natal.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vertigem,

É o que sinto todas as vezes que olho bem no fundo dos seus olhos negros turvos, me sinto num poço escuro, perdido. Abro um sorriso forçado e me perco nesses teus braços largos, nesses abraços vagos. Pra onde foi que a vida me levou afinal? Não acho que seja esse o meu lugar, nem o seu. Várias vezes nos traímos nas lembranças de vidas passadas. Vidas essas que não nos pertencem mais, mas sempre nos deixamos levar. Ah, criança... O que foi que fizeram com você? Entendo que todos os seus planos foram levados embora, todos nesse oceano de lágrimas que escorrem dos seus olhos. Mas você não pode e nem vai se deixar vencer. Não foi essa pessoa pela qual eu me apaixonei. - Sim, me apaixonei. Um segredo tão meu agora que nem em sonhos deixo transparecer, talvez devesse, mas não -. Acho que não lembra daqueles dias na praia, éramos felizes. Você me completava e eu podia ver aquele brilho intenso nos seus olhos, brilho agora que foi ofuscado por uma dor que eu nem sei de onde surgiu. Dói em mim saber que nada me afeta mais, nem mesmo a sua indiferença. Mesmo assim, sinto como se tivesse que te defender de tudo aquilo que te faz mal. Pode ser difícil, mas eu vou estar sempre aqui. Vou sempre te velar, te cuidar. Dorme, criança... Dorme que agora a chuva cai com força pra lavar a nossa alma; E todas as lembranças também.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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Passo a mão sobre o espaço vazio ao lado do meu. E essas lembranças? Ah! Sempre me traindo. Talvez fosse só um sonho, ou seria a minha pequena-grande vontade de te ter aqui. Posso estar errada. Eu nego, penso e paro. Repito mil vezes para mim mesma: "Pare de se torturar! - Ela não vem." E esse cheiro tão teu que eu sinto então, de onde vem? Abro um livro, dois, três. Bato as almofadas do sofá. O cheiro é tão intenso, mas ao mesmo tempo tão fugaz. Depois de ouvir todas aquelas músicas - nossas músicas - eu me jogo sobre o tapete e fecho os olhos, posso e sinto você chegar. Traição. Mente insana e traíra que me arrasta prum mar totalmente ilusório. Tola sou eu que me deixo levar. Mas eu sei que não é só um mero sonho, uma vontade. Sei que vai voltar. Seu lugar é aqui, comigo. Meus braços sentem falta de um abraço que nunca teve, de um sorriso que só se foi imaginado. Todos os espaços vagos, dias tardos. Passo todos eles esperando você chegar, e sei que vai. Quero dormir bem tarde, talvez eu acredite em tudo isso.