sábado, 2 de novembro de 2013

O tempo que se sente.

01:37 a.m.


O tempo é sempre.
Mesmo que muita gente não acredite.
Ninguém percebe.
O tempo corre de um lado para o outro como se não pudesse perder o trem na estação,
o vento escorre como se fosse aquele vento que corre forte no deserto e você mal vê.
Se você não souber agarrar,
seja lá o que for,
o tempo sente.
E a dor da gente vira só um ponteiro no relógio.
O tempo é sempre.
E o tempo ensina que a dor da gente só a gente sente.

domingo, 27 de outubro de 2013

Push me out to sea on the little boat that you made.

"Well, this is torturous 
electricity between both of us 
and this is dangerous..." 


09 de outubro de 2013.
11:38 p.m.


E ontem eu chorei, 
chorei por todas as vezes 
que não havia chorado
enquanto ainda te tinha
e por não ter te aproveitado
tanto quanto eu podia.
Pois que agora tudo o 
que eu tinha já se acabou
e amanhã é outro dia.


"...'cause I want you so much 
but I hate your guts."




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

It’s a game, boy… I don’t wanna play.


E é como se eu não pudesse fazer mais nada.

Vejo você indo e não faço nada, só assisto você sumir da minha vida como se tudo o que já foi vivido não tivesse servido, como se não tivesse sido importante. Você marcou em mim e tudo o que eu consigo fazer é abrir mão, como se tudo o que já passou tivesse sido apagado de um jeito que nem eu saberia explicar.

Mas é sempre aquela mesma pergunta: O que eu posso fazer?

Você se deixou partir antes mesmo de ser ausência de fato. Você vai… eu fico. E tudo o que eu sempre aprendi a fazer foi assistir. Assistir a partida e segurar o coração, você desatou todos os nós. Mais um fim dos nós cheios de nós. Mais um ponto de partida… quase sempre sem volta.

Depois de todos os anos, de tanto tempo, de tantas despedidas e de tanta ausência consciente, aprendi que o que fica de mim e em mim é cada vez mais verdadeiro, sou cada vez mais minha e só. Não restou quaisquer resquício de falta tua ou de vontade tua. Tudo o que sobrou dos nós atados, foram as lembranças de uma vida não tão à dois assim.

E o que a gente espera, quase sempre, e sem saber, é só o fim.

He says to me so I stay the night.

12 de setembro de 2013.

O tempo não é algo que se tem. Olhando pra você agora, consigo ver todos os nossos anos já se transformando em memórias, como um filme rodando por trás dos teus olhos. Esses teus olhos cor de fundo do poço, esse poço em que tanto me perdi e que ainda me perco.

(E esses tantos nós que somos.)

E te ter por perto me remete à um tempo em que todas as coisas do mundo pareciam tão fáceis. Todas aquelas noites em claro, o dia amanhecendo (e eu ainda consigo me ver sentada na varanda), o céu ficando claro. Posso e ainda consigo lembrar de ouvir você dizer que a cor do céu, assim, bem claro, pareciam os meus olhos no sol. Suas cores favoritas. Anos e anos. E por mais distante que pudéssemos estar, nada mudava. Os abraços, os sorrisos, os beijos. A sua voz bem baixinha tentando não ser mais alta do que o som do carro.

Seu fundo do poço sempre me puxava e quanto mais fundo, mais viva eu me sentia. Nunca foi tão bom se perder e se encontrar. Nunca gostei tanto de me afogar.

Mas o tempo passa. Agora você se vai… e eu já consigo ver você indo. E lá se vai você outra vez, pra do outro lado da minha sala, pra do outro lado do meu mundo. Meus olhos quase não conseguem mais te ver… e daqui há algum tempo, só os filmes vão fazer parte de toda essa história. E eu não posso mais lutar contra.

Os rolos de filme vão virar nó.

Aprendi que o tempo é algo que se possui… e eu nunca mais vou ser feliz de novo.

Just a young heart confusing my mind.

24 de agosto de 2013.
01:43 p.m.


Eu te chamava. E tudo o que eu ouvia era um agudo e enorme eco, eu me respondendo e você… não. Você sequer estava ali. Aliás… vai muito além disso: você nunca esteve. Talvez nunca estaria. Penso sempre comigo que, na verdade, mesmo que eu nunca quisesse enxergar, eu sempre soube que você nunca quis estar aqui. Nem por mim, nem por você… nem por nós. E existiu nós? Também não sei. Mais uma enorme interrogação existente, mais uma de muitas outras. Muitas outras, repito.

Eu errei. E errei querendo errar, sabendo do meu erro e mais ainda… sabendo das consequências. Tola. Sempre tola. Não você, eu. Afinal, que provas eu tinha de que era tudo isso o que você realmente queria? Você nunca falou, concordou ou se entregou de fato. O erro foi meu, mais uma vez. E duas, três, quatro e mais… bem mais. Muito mais.
Você ia e eu não fechava a porta.
Eu não ia por medo de não saber voltar.
Só que eu sempre soube voltar, isso tudo era apenas mais uma desculpa. Eu vou… mas e se você voltar?
E você vinha… e ia.
E ia.
Ia.
Vinha.
E ia muitas outras vezes mais. Dizia se perder. Dizia não saber voltar. Mas do mesmo jeito que eu tinha consciência de saber voltar caso eu fosse, você sabia bem mais que eu que se perder era apenas um estado de espírito, era só uma vontade. Você sempre soube o caminho de volta.
Você sabia ir, você sabia voltar.
Sabia estar e se perder quando quisesse.
Você era tudo. E eu repito sempre e sempre e sempre: você foi tudo.
Enquanto eu…
…com tudo…
só aprendi a ser ausência.