segunda-feira, 16 de setembro de 2013
It’s a game, boy… I don’t wanna play.
E é como se eu não pudesse fazer mais nada.
Vejo você indo e não faço nada, só assisto você sumir da minha vida como se tudo o que já foi vivido não tivesse servido, como se não tivesse sido importante. Você marcou em mim e tudo o que eu consigo fazer é abrir mão, como se tudo o que já passou tivesse sido apagado de um jeito que nem eu saberia explicar.
Mas é sempre aquela mesma pergunta: O que eu posso fazer?
Você se deixou partir antes mesmo de ser ausência de fato. Você vai… eu fico. E tudo o que eu sempre aprendi a fazer foi assistir. Assistir a partida e segurar o coração, você desatou todos os nós. Mais um fim dos nós cheios de nós. Mais um ponto de partida… quase sempre sem volta.
Depois de todos os anos, de tanto tempo, de tantas despedidas e de tanta ausência consciente, aprendi que o que fica de mim e em mim é cada vez mais verdadeiro, sou cada vez mais minha e só. Não restou quaisquer resquício de falta tua ou de vontade tua. Tudo o que sobrou dos nós atados, foram as lembranças de uma vida não tão à dois assim.
E o que a gente espera, quase sempre, e sem saber, é só o fim.
He says to me so I stay the night.
12 de setembro de 2013.
O tempo não é algo que se tem. Olhando pra você agora, consigo ver todos os nossos anos já se transformando em memórias, como um filme rodando por trás dos teus olhos. Esses teus olhos cor de fundo do poço, esse poço em que tanto me perdi e que ainda me perco.
(E esses tantos nós que somos.)
E te ter por perto me remete à um tempo em que todas as coisas do mundo pareciam tão fáceis. Todas aquelas noites em claro, o dia amanhecendo (e eu ainda consigo me ver sentada na varanda), o céu ficando claro. Posso e ainda consigo lembrar de ouvir você dizer que a cor do céu, assim, bem claro, pareciam os meus olhos no sol. Suas cores favoritas. Anos e anos. E por mais distante que pudéssemos estar, nada mudava. Os abraços, os sorrisos, os beijos. A sua voz bem baixinha tentando não ser mais alta do que o som do carro.
Seu fundo do poço sempre me puxava e quanto mais fundo, mais viva eu me sentia. Nunca foi tão bom se perder e se encontrar. Nunca gostei tanto de me afogar.
Mas o tempo passa. Agora você se vai… e eu já consigo ver você indo. E lá se vai você outra vez, pra do outro lado da minha sala, pra do outro lado do meu mundo. Meus olhos quase não conseguem mais te ver… e daqui há algum tempo, só os filmes vão fazer parte de toda essa história. E eu não posso mais lutar contra.
Os rolos de filme vão virar nó.
Aprendi que o tempo é algo que se possui… e eu nunca mais vou ser feliz de novo.
Just a young heart confusing my mind.
24 de agosto de 2013.
01:43 p.m.
Eu te chamava. E tudo o que eu ouvia era um agudo e enorme eco, eu me respondendo e você… não. Você sequer estava ali. Aliás… vai muito além disso: você nunca esteve. Talvez nunca estaria. Penso sempre comigo que, na verdade, mesmo que eu nunca quisesse enxergar, eu sempre soube que você nunca quis estar aqui. Nem por mim, nem por você… nem por nós. E existiu nós? Também não sei. Mais uma enorme interrogação existente, mais uma de muitas outras. Muitas outras, repito.
Eu errei. E errei querendo errar, sabendo do meu erro e mais ainda… sabendo das consequências. Tola. Sempre tola. Não você, eu. Afinal, que provas eu tinha de que era tudo isso o que você realmente queria? Você nunca falou, concordou ou se entregou de fato. O erro foi meu, mais uma vez. E duas, três, quatro e mais… bem mais. Muito mais.
Você ia e eu não fechava a porta.
Eu não ia por medo de não saber voltar.
Só que eu sempre soube voltar, isso tudo era apenas mais uma desculpa. Eu vou… mas e se você voltar?
E você vinha… e ia.
E ia.
Ia.
Vinha.
E ia muitas outras vezes mais. Dizia se perder. Dizia não saber voltar. Mas do mesmo jeito que eu tinha consciência de saber voltar caso eu fosse, você sabia bem mais que eu que se perder era apenas um estado de espírito, era só uma vontade. Você sempre soube o caminho de volta.
Você sabia ir, você sabia voltar.
Sabia estar e se perder quando quisesse.
Você era tudo. E eu repito sempre e sempre e sempre: você foi tudo.
Enquanto eu…
…com tudo…
só aprendi a ser ausência.
sábado, 20 de julho de 2013
(It's ok with me.)
Eu sempre soube que nunca poderia depender de uma pessoa que, mesmo sabendo o que faz, escolheu um caminho que é muito longe do meu. Você se tornou uma estranha. E eu esperei que você ligasse de madrugada e dissesse: "Olha, está tudo bem, eu vou... mas eu volto. Me espera!" Eu esperava. Juro como eu esperava. Eu parava metade da minha vida, ou toda ela, mas eu te esperava. Só que não foi assim. Tudo o que eu ouvi de ti foi um: "Olha, eu não volto mais." Só que eu sempre entendi, esse é o pior... eu sempre entendi! Você só pensou em você, só pensa em você, sempre, o tempo todo, foi sempre assim. Enquanto eu mudava meus pontos de vista, ampliava minhas visões sobre as coisas, o meu jeito, meu modo de ser, de agir. Me moldei de um jeito que te fizesse feliz, que te orgulhasse. Cresci, joguei fora a acomodação e não ganhei nada de ti no fim de tudo. Entendo também que tudo o que tu queira é fugir, correr de tudo, sair dessas cordas que tanto te prendem, de tudo o que te controla, mas eu... eu não preciso fugir, eu não quero fugir. Nunca quis. Mesmo assim... você poderia ter me colocado nos seus planos, mas eu sei... é que esse teu egoísmo desenfreado nunca te permitiu pensar além. Então vai, que já nos perdemos antes mesmo de alguém se lembrar.
"And i know i'm not what you need, but it's okay.
Yeah, it's okay with me.
So how can i tell you i need you to stay?
I've done it before, it don't mean anything."
domingo, 5 de maio de 2013
Vesânia II.
De todos os males,
o menor.
E de todos os problemas...
o fim.
A verdade mesmo é que eu sempre fui muito problemática e talvez esse seja o motivo de ninguém conseguir ficar muito tempo comigo. O convívio em si já é difícil, tudo só piora. Não que seja a culpa de alguém, veja bem, acho que as pessoas só não aguentam mesmo... mais pela bagagem-problemática pesada demais, sabe? E eu não culpo ninguém, nunca. Longe de mim fazer isso. Eu até entendo. Afinal de contas ninguém é obrigado a carregar a bagagem de ninguém, muito menos a minha.
Mas sabe que eu não carrego ninguém comigo?
Talvez por isso eu me afaste tanto e oscile tanto. Eu acabo protegendo todo mundo dos meus surtos psicológicos, meu nível de humor vai-e-vem. Quem tem seu próprio mundo sempre foge de problemas maiores. Mas é que na verdade, talvez eu acredite mesmo naquela afirmativa que diz que nós só temos o que merecemos.
E talvez eu mereça mesmo a solidão.
Let it be.
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