quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mesmo se for, bem no final. (...)

Escrito num dia de céu azul, com muitas nuvens e um frio de começo de inverno.

Me lembro bem daquela sua voz alta se embaralhando com o som saído do rádio do carro. Aquela sua risada que me puxava dos meus devaneios mais profundos. Um estalo pro fim do transe.
– É, meu bem, atraiçoamos os seus ideais.
– Que ideais?
– Sei que prometeu para si mesma nunca mais me ver.
E ainda podia e conseguia ler cada minimo detalhe de dentro de mim.
– Quem falou isso?
– Seu jeito de agir sempre te entregou.
– Não leve a mal.
Soltou outra gargalhada, dando um belo gole naquela Stella, – já quente, presumi. – No fundo algo como GRAM tocava bem baixo, mas ecoando na minha cabeça tão vazia de nada. “Você só me fez mudar, mas depois mudou de mim... Você quer me biografar, mas não quer saber do fim.” Quando passa aquele deja vu. Mesmo lugar, mesmo flashback. Eu. Você. Eu, sempre traindo minhas promessas. Você, sempre me fazendo dar pra trás. Agora deixei com que a gargalhada saísse de mim. Silêncio. Puxo fundo o ar pelas narinas. Cheiro de Camel... e álcool. Olho pro lado e tenho a mesma sensação de vazio que senti todos aqueles dias enquanto me sentava só sobre o carpete no chão da sala lembrando do meu corpo parado no vão da porta... e de você, se distanciando cada vez mais. A mesma música de agora também tocava naquele dia, e o cheiro, era o mesmo.
– Eu volto, é só um tempo que preciso pra mim. – disse.
Apenas assenti com a cabeça.

Poderia voltar, como sempre voltava, depois de meses. Choro muito nos primeiros dias, depois é como se tudo fosse se camuflando. Volto a sair e a ouvir músicas que antes eu não ouvia... Não mais aquelas músicas de fossa, toca agora Adele. “You had my heart inside of your hand and you played it to the beat.” E já consigo sorrir, acredita? Sei que sorrio alguns sorrisos falsos por aí, nenhum tão sincero quanto os que entrego à ti. Mas sorrio. Até que você volta... Volta trazendo tudo o que eu já havia fingido esquecer. Volta trazendo o nós e eu apenas dou espaço para que você entre. E você vai indo embora e voltando quando tem vontade... Porque sabe que se voltar, eu ainda vou estar aqui. E o quão ruim isso é? Não saberia dizer, só saberia dizer que é ruim. Mas a dimensão, é incalculável.

E quando prometo para mim mesma que a próxima vez que você for, será a última, eu me vejo aqui, nesse mesmo lugar... ao teu lado. Sorrisos, lembranças, momentos bons e esquecimento. Eu esqueço de mim e dos momentos ruins que passo quando você se vai, e só penso em como é bom poder te ter de volta. E tudo por fim se encaixa e eu sinto como se só pudesse ser completa com você, mesmo com tantas idas e vindas... É sempre pra mim que você volta. Isso basta, pelo menos por agora.

domingo, 19 de junho de 2011

Alvo na mira.

Foi como acertar num alvo imóvel. Não precisei de muita precisão, apenas uma mira rápida e certeira. Mas como tudo na vida, algum dia, acaba dando errado... Eu esqueci de mim mesma e não pensei em consequências futuras.

Posso sentir meu coração pulsar agora como se quisesse sair por aí caminhando sozinho e pudesse deixar o meu corpo estendido aqui sobre esse grande vazio chamado cama. Rolo de um lado para o outro, lado-cá lado-lá e por vezes sinto que a noite vira infinita. (Não vai acabar nunca?) Sou menos vazia ao amanhecer, com várias xícaras de café na beirada da janela olhando o sol saindo por detrás daquelas montanhas tão verdes. Já lhe falei que a luz vinda dos teus olhos ao olharem os meus se parece com a luz vinda desse sol pela manhã? Talvez seja por isso que eu estou sempre aqui nessas horas observando-o. Quero lembrar teus olhos, lembrar você. Tentar preencher esse vazio tão grande meu. Acredita que às vezes me dá certa vontade de dar uns toques bruscos com os ossos dos dedos em mim mesma para ver se não fiquei oca por dentro? Me pergunto se eu ouviria aquele mesmo barulho de quando bato na porta da tua casa e não me atendes. Barulho de silêncio, de solidão. (Sabia que nenhum dos mil cafés que tomo diariamente me tiram essa sensação de vazio de dentro?) Acho que escolhi um caminho-de-fuga errado. Mais um de tantos outros caminhos... Pudera eu voltar atrás de tudo.

Juro como não iria acertar ninguém com essa minha carência-afetiva. Juro como não iria exigir tanto de você como andei exigindo e não iria afastar-te de mim assim, desse jeito rude. Mas isso combina tanto contigo... Digo... O jeito rude, me entende? Agora é tarde, acho que contigo também foi assim. Quando não consigo dormir, penso que junto contigo também foi o meu sono. Tudo bem, eu fico aqui com meu sol e meu café. E esse sorriso bobo que se forma nos meus lábios sempre que te lembro. Acredita que ainda sinto vontade de lhe escrever mil-e-uma cartas? (E escrevo.) Não mandaria nenhuma... São minhas, só minhas. É como uma válvula de escape pros sentimentos confusos. Te conto minha vida, meus vazios e até os curtos momentos de felicidade que me batem. Se você voltar, talvez te mostre todas elas, ou apenas algumas... Só para rirmos de mim, de ti e desses nós só de sentimentos. (Aqui vai mais uma pra gaveta abarrotada.) Acho que vou esvaziar outra e guardar o resto. Termino aqui, agora imóvel. Sem alvo, sem mira. Sem sorriso. Mas com muitas lembranças.


Ei... Será que você ainda me deixa lembrar de você?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que você nunca vai saber.

Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.

Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.

(Verônica H.)

Combinou tanto comigo, que nem exitei em compartilhá-lo.

sábado, 4 de junho de 2011

"É grave? Tem cura? Um dia vou ter saco outra vez?"

Sabe aquelas fases da vida em que tu se sente de saco cheio de tudo e de todos? Pois é... Ando meio que estacionado nessa fase, daqueles tipos que não andam nem para trás e nem para frente. Cansei do cinismo e do sarcasmo das pessoas. Acho que as coisas ruins acabam bastando em nós mesmos, não precisamos de uma porcentagem à mais no nosso cotidiano, saca? Eu nem sei quando é que essa fase vai embora, mas bem que queria poder te dizer algo do tipo como: Ah-amanhã-passa. Mas não passa... E eu é que não vou mentir pra ninguém agora, como também não mentirei para mim mesmo.

Só acho que chega uma hora da vida que a gente enche o saco mesmo, cara. E eu enchi... Achei que demorou bastante, até... E que eu tive bastante paciência comigo mesmo e com o resto todo. Não enlouqueci ninguém e nem à mim mesmo, - pelo menos por enquanto. - Como também acho que não devo me afastar de ninguém, assim, como quem se tranca num casulo e fica lá por dias, meses ou até anos, naquele mundo fechado, cubículo chato. Vou sair por aí, andar, viajar, ver pessoas antigas e conhecer tantas outras novas, talvez. É aquele tempo em que quero que se danem todos, mas que também acabo por querer todos perto, mesmo que por um momento. É um foda-se-mas-não-se-foda. Sei lá... Acho que já enrolei demais. Só queria dizer que ando sem saco pras pessoas mesmo e que ao mesmo tempo que quero conhecê-las, também não quero. Quero todos longe e todos perto.

Pô cara, como eu ando chato! Penso que se eu não enlouquecer antes, acabo por enlouquecer todo mundo e aí sim, quem vai encher o saco são as pessoas. E de mim. Já pensou que merda? Se as pessoas cansarem de mim com tanta facilidade quanto eu canso delas, já era. Vou ter que conversar comigo sozinho e ficar horas em casa ouvindo aqueles discos com músicas tipo-dor-de-cotovelo. Por isso acho que é meio que um aviso... Pra que as pessoas tenham paciência naqueles meus dias de fundo do poço, de chatisse agúda e carência de comunicação. Aceito uns solavancos, umas sacudidelas pra acordar um pouco quando estiver enchendo o saco. Mas nada muito alarmante, nem grosseiro. Não quero que se afastem e nem que desistam de mim. Talvez precise só de uma força mesmo. Acho que é só.


(E meus textos cada vez piores... Felicidade não me traz inspiração.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Meio fora-de-foco.

Vezenquando bate aquela vontade louca de ser meio inconsequente, de correr atrás de um sentimento que não me pertence. Sei que se tudo isso que tu diz sentir realmente fosse todo meu, iria me assustar e logo eu desejaria te deixar aqui e ir embora como se não me importasse seus sentimentos e muito menos os meus. Sabe aquela vontade de não pensar, só fazer? Isso é culpa de todo aquele medo instaurado no dentro-dentro de mim, aquele medo que vem bem de lá do fundo, e que é tão raro de ser entendido por pessoas de fora. É aquele medo da perda. Já perdi a conta de quantas vezes abafei todos aqueles meus gritos noturnos com o travesseiro. Me sinto fatigado da vida... da vida desse jeito. As coisas não andam mais me agradando e a cada dia que passa sinto que essa distância de todas as pessoas ao meu redor só aumenta. Ando me fechando no meu mundo, querendo tudo e todos longe. Aí me bate aquela necessidade de uma válvula de escape, sento-me sobre a escrivaninha e tento colocar todo esse sentimento para fora, mas só o que saem são palavras soltas, frases inacabadas.

É quase como: Nada no papel e nada no coração. Me entende? Encho meu saco e saio pela noite, vou à bares, festas... Beijo bocas que não são minhas, procuro em todas elas um gosto desconhecido, mas afinal há um conhecido? E se eu um dia achasse esse tal... iria reconhecê-lo? Sei lá, sei lá. Uma vez me falaram: É por isso que as pessoas vão para a noite e beijam várias bocas, nenhuma é o suficiente. Podem ser bocas infinitas, porque são só bocas, não são sentimentos. Sentimento é o que preenche, bocas só deixam aquela sede no final. Procura em demasia me cansa, por isso ando naquela fase de barquinho na correnteza... Se for pra ser, será. Procurar demais acaba nos trazendo aquele sentimento the flash, muito amor no começo, muito calor e no fim... Indiferença e frieza.

Quero abraços, carinhos e beijos calorosos. Quero poder pedir todos os dias Que seja eterno, que seja doce. Quero poder sonhar com alguém de olhos abertos antes de dormir e poder pegar o telefone de madrugada e discar aquele número já gravado na memória só pra ouvir a voz embriagada de sono do outro lado da linha. Quero noites em claro, quero cafés quentes e um amor também. Quero eu e quero um alguém que esteja entregue por inteiro.

Estou cansado de pessoas que só se entregam pela metade.


(Texto dedicado à Anna Molly” pois ontem andava precisando de uma daquelas
luzes-no-fim-do-túnel e ela falou uma frase e dela, saiu esse pequeno texto.
Ando sem inspiração, desculpem pelas teias no Blog.)