quinta-feira, 31 de março de 2011

"Sei, sei. Você vai perguntar: mas houve um erro?" c.f.

– Pensou comigo?
– O que?
– As pessoas erram, sabem que erram e quando você faz algo para que elas acordem, elas ainda te acham a parte errada da história.
– Normal. Enxergar o próprio erro é sempre o mais difícil.
– E perguntar o por que da coisa toda ter acontecido não serve? Não ajuda?
– Ajuda. Mas a pessoa está certa, você está errada. Compreende?
– Compreendo que é assim que perdemos as melhores coisas que temos na vida.
– Um dia a ficha cai.
– Só espero que não seja quando for tarde demais.


"E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim:
mas de quem foi o erro?" (Caio F.)

terça-feira, 22 de março de 2011

Álcool e amnésia.

(Apesar da música citada no texto, ele foi escrito ao som de
Copeland - California.)

Por vezes me pego olhando lá para trás e vejo o quanto podemos errar quando queremos alguma coisa demasiadamente. Já sonhei ter me arrependido de não ter te chamado para subir aquela noite, estávamos tão completamente bêbadas que essa seria a desculpa perfeita para um erro sem um pingo de justificação. Sim, sem justificação. Afinal, não precisaríamos de desculpas se isso fosse realmente um desejo nosso, nos entregar naquela noite. Talvez não tivéssemos nem tomado todas aquelas taças e mais taças de vinhos a fim de apenas nos entregarmos a uma pequena conversa na calada da noite. O que mais justificaria um erro cheio de outros erros a mais? Acredito bem lá no fundo de mim que não queríamos nada daquilo que pensávamos. Já começamos errando em pensamentos. Te pedi que respirasse fundo, se lembra? Que tentasse pelo menos sentir os seus sentidos, que deixasse toda aquela maresia pesada tomar conta das suas narinas e de ti por completo adentro. Era pura tolice todo aquele papo de é-isso-que-queremos-senão-não-estaríamos-pensando. Pensamos porque nos deixamos pensar, mas isso não quer dizer que deveríamos ter feito. Me entende? Acho que não, porque eu mesma já me perdi nos devaneios embaraçados nessa minha cuca confusa. Quando você disse que era tudo o que você queria, estar ali comigo naquele momento, naquela nossa data e eu ri.
- Por que ri?
- Porque acho graça no modo como você só fala as coisas quando bebe.
- Posso falar sem beber também.
- E por que nunca falou antes?
- Porque nunca me deu a oportunidade.
Era sempre esse seu jeito de me fazer calar, de bloquear meus pensamentos com apenas uma frase simples e ridícula. Sempre eu, também, que te privava das palavras por puro medo de me entregar demais e deixar com que tudo fosse como sempre foi antes. Dor, era esse o meu medo e aí me deixava arrepender mais lá para frente. Era puro medo, menina.
Na verdade, o que eu queria mesmo era que você tivesse subido naquela noite, que tivesse sentado bem aqui nesse sofá onde me sento agora para escrever todas essas palavras sem cabimento. Sei que iríamos rir a noite toda e que eu iria vê-la seguindo até o toca-discos e colocar alguma coisa como Beatles, talvez. As vezes penso que te conheço tanto e que me conheço de menos. Podia ter deixado o barquinho fluir, como aquela tua frase na tarde do parque.
- Apenas deixe fluir, meu bem. Deixe fluir.

Sempre falei de arrependimentos e agora me arrependo. Não deixei fluir, o barco não seguiu a brisa e hoje estou aqui, só. Eu, a garrafa de vinho e o toca-discos com uma frase baixa penetrando bem lá no fundo do fundo "Love is all we need, she loves you." Goles e mais goles de vinho, é tudo o que eu preciso e terei uma bela dose de amnésia. Queria que por um momento tudo fosse verdade, que eu me esquecesse mesmo de tudo isso e que pela manhã tudo não passasse de uma mentira. Apenas fechei os olhos e me deixei levar pelo inconsciente. Se fugir é para quem tem medo, eu fujo por ser forte.

terça-feira, 15 de março de 2011

"Não há nada a ser esperado. Nem desesperado." cfa.

Penso e repenso em você todas as vezes em que me tomas e me preenches esse vazio que as vezes acho que nunca será cessado e por fim reconheço que tudo possui um motivo e está escrito bem no fundo desse meu poço por vezes tão escuro e vazio que até te fazes perder-se no espaço oco com paredes cheias daquele musgo verde-antigo, local esse nunca explorado por nenhuma outra pessoa antes. A inquietação me indaga mentalmente tirando-me de devaneios: E aí quais são seus planos? Levaria-te comigo por todo caminho percorrido se meu coração trôpego não me traísse por inúmeras vezes seguidas.

Ah, meu bem... Penso também que nos traímos tanto! Não só em memórias, pensamentos, mas em palavras mais ainda. As palavras se perdem e me tiram do meu rumo certo de mim. Olho lá atrás e consigo enxergar todas as vezes em que repeti para mim mesmo que nunca mais iria me apaixonar ou colocar meu coração nas mãos de outra pessoa e aí me vejo aqui, lendo cartões trocados por nós e só o que me resta é sorrir, afinal, aí está a prova viva de que sempre nos traímos. Nunca seguimos nossos conselhos, por mais que saibamos o quão certo eles são. Mas acho mesmo que o certo é sempre fazer o errado, se entregar e ver até onde vai, certo? Vai saber. Estou bem onde estou e se é pra ser assim, vai ser. Nada de medos, receios ou pés atrás. Corpo, alma e coração entregues. Costumo colocar muito isso nos textos, mas é assim que é, é assim que tem que ser: Estar entregue. Não esperar nada e nem se desesperar. Se vivermos sempre com medo das coisas que aparecem para nós, lá no fim, podemos nos arrepender, e muito. Melhor deixar o vento soprar e te levar, ser feliz e mais nada.

O resto é consequência. Let it be.

segunda-feira, 7 de março de 2011

c.f.a.

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem, eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim."


Ao som de Transmissor - Aquática.


As vezes me pergunto tanto para onde vais sem mim assim, me deixando aqui desse jeito como se não tivessemos passado por nenhuma daquelas coisas que tu sabes que passamos. E aí caio no fundo do fundo do poço dos meus pensamentos e lástimas: O que eu quero, afinal? Se quero ir contigo nessa aventura tão nossa em sonhos ou se preciso deixar-te ir solitário percorrendo todos os cantos desse mundo como falavas que querias fazer antes de conhecer a mim. E agora, Deus? Penso no egoísmo que seria meu se lhe obrigasse a ficar nessa cidade pacata cheia de gentes que não sabem o que é amor e que não entendem talvez a força que um pode ter. Me pego por fim pensando no que fazer e mergulho cada vez mais fundo no dentro-dentro de mim e me perco e as vezes acho que nunca me acho até que lhe enxergos e sei que podes ver esse fundo tão fundo dentro de um eu desconhecido por mim mas tão conhecido por ti. Teus olhos doces e por vezes até turvos que me trazem uma calmaria sem tamanho e que me fazem esquecer todos os tempos em que não consigo entender um só nó atado dessa minha mente confusa. Ainda sim me sinto inquieta, essas vozes ecoando aqui dentro e que me indagam sempre sobre o que irei fazer e me paro em frente à um espelho qualquer e grito para mim mesma em voz alta para que ecoe bem dentro do espaço oco em mim: O que queres? Hãm? - E eu mesma me respondo com um balançar de cabeça enquanto as mãos seguem até a mesma. O que estou fazendo comigo mesma? Não poderia deixar-te ir sem mim, solitário desse jeito, prometemos tantas coisas que deviam ser cumpridas como aquelas frases do tipo para-sempre-mesmo-que-o-para-sempre-não-exista. Mas eu quero que exista, sou eu e você, você em mim e isso deveria ser o suficiente, não achas? O amor que eu sempre disse que sentia por ti e que dizias sentir o mesmo, isso tão nosso. Para-sempre, repeti mil vezes para mim enquanto via o quarto girar inúmeras vezes à cima da minha cabeça e sentia teus lábios tão quentes nos meus, me afagando até a alma e por fim lhe abraço, sentindo todo o meu mundo tão pequeno por caber em mim assim. E então decido à palo seco que é contigo que vou seguir para onde quiseres ir e me levar, não importa onde ou quando, sendo contigo. E aí me vejo saindo do fundo do poço e tenho a certeza de que é você quem sempre me puxa do fundo de mim e que eu não deveria estar em outro lugar do mundo a não ser aqui.