Você se foi.
E mais do que nunca agora eu tenho a certeza de que a ida é para sempre.
Depois de tanto tempo, de tantos anos vividos juntos, você me transformou em um fantasma.
Quem sou eu?
Pra você: ninguém.
Quem sou eu?
Pra mim: as vezes nem eu sei mais.
Me perdi, não me reconheço mais. Sua indiferença me matou por dentro… e por fora.
Fiquei oca. Não sinto, não sei, não sou. Nunca fomos.
Por muito tempo consegui me enxergar no fundo dos teus olhos castanhos, que agora, não reflito mais. O mais triste é ver que todo o amor dado e doado por tanto tempo virou nada, o amor doado virou amor doído. Não sobrou nem o pó do nó de nós, porque até o pó, você não quis mais. Queimou as lembranças e quis que fosse assim. Talvez eu devesse fazer o mesmo… talvez eu devesse. Mas é tanto talvez que eu não faço nada. Simplesmente estacionei. Estacionei aqui, nesse mesmo lugar em que há alguns anos te vi chegar e sorrir pra mim - “Você quer ficar?” - e nesse mesmo lugar em que te vi partir - não havia mais lugar pra mim. - Estacionei nessas mesmas memórias, que talvez estejam tão mais vivas agora do que estavam vivas quando ainda eram o presente. As vezes acho que se ainda te espero aqui, é só porque quero respostas. As respostas que nunca tive, as respostas que talvez eu nunca terei.
E agora eu sei… Eu dei tchau pro nosso futuro enquanto você dava tchau pro passado e pro futuro comigo.
E eu ainda me pergunto, todos os dias: Quem é você, afinal? Quem foi você?
Mas depois de tudo… e com tudo… eu consigo ter a certeza de que nunca te conheci e que nunca vou conhecer. E parando pra pensar, talvez eu realmente não queira mais nem te ver voltar.
O antigo futuro já passou e você não cabe mais no meu novo presente.
Sweetheart, stay well.
terça-feira, 14 de abril de 2015
sábado, 2 de novembro de 2013
O tempo que se sente.
01:37 a.m.
O tempo é sempre.
Mesmo que muita gente não acredite.
Ninguém percebe.
O tempo corre de um lado para o outro como se não pudesse perder o trem na estação,
o vento escorre como se fosse aquele vento que corre forte no deserto e você mal vê.
o vento escorre como se fosse aquele vento que corre forte no deserto e você mal vê.
Se você não souber agarrar,
seja lá o que for,
o tempo sente.
E a dor da gente vira só um ponteiro no relógio.
O tempo é sempre.
E o tempo ensina que a dor da gente só a gente sente.
domingo, 27 de outubro de 2013
Push me out to sea on the little boat that you made.
"Well, this is torturous
electricity between both of us
and this is dangerous..."
09 de outubro de 2013.
11:38 p.m.
E ontem eu chorei,
chorei por todas as vezes
que não havia chorado
enquanto ainda te tinha
e por não ter te aproveitado
tanto quanto eu podia.
Pois que agora tudo o
que eu tinha já se acabou
e amanhã é outro dia.
"...'cause I want you so much
but I hate your guts."
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
It’s a game, boy… I don’t wanna play.
E é como se eu não pudesse fazer mais nada.
Vejo você indo e não faço nada, só assisto você sumir da minha vida como se tudo o que já foi vivido não tivesse servido, como se não tivesse sido importante. Você marcou em mim e tudo o que eu consigo fazer é abrir mão, como se tudo o que já passou tivesse sido apagado de um jeito que nem eu saberia explicar.
Mas é sempre aquela mesma pergunta: O que eu posso fazer?
Você se deixou partir antes mesmo de ser ausência de fato. Você vai… eu fico. E tudo o que eu sempre aprendi a fazer foi assistir. Assistir a partida e segurar o coração, você desatou todos os nós. Mais um fim dos nós cheios de nós. Mais um ponto de partida… quase sempre sem volta.
Depois de todos os anos, de tanto tempo, de tantas despedidas e de tanta ausência consciente, aprendi que o que fica de mim e em mim é cada vez mais verdadeiro, sou cada vez mais minha e só. Não restou quaisquer resquício de falta tua ou de vontade tua. Tudo o que sobrou dos nós atados, foram as lembranças de uma vida não tão à dois assim.
E o que a gente espera, quase sempre, e sem saber, é só o fim.
He says to me so I stay the night.
12 de setembro de 2013.
O tempo não é algo que se tem. Olhando pra você agora, consigo ver todos os nossos anos já se transformando em memórias, como um filme rodando por trás dos teus olhos. Esses teus olhos cor de fundo do poço, esse poço em que tanto me perdi e que ainda me perco.
(E esses tantos nós que somos.)
E te ter por perto me remete à um tempo em que todas as coisas do mundo pareciam tão fáceis. Todas aquelas noites em claro, o dia amanhecendo (e eu ainda consigo me ver sentada na varanda), o céu ficando claro. Posso e ainda consigo lembrar de ouvir você dizer que a cor do céu, assim, bem claro, pareciam os meus olhos no sol. Suas cores favoritas. Anos e anos. E por mais distante que pudéssemos estar, nada mudava. Os abraços, os sorrisos, os beijos. A sua voz bem baixinha tentando não ser mais alta do que o som do carro.
Seu fundo do poço sempre me puxava e quanto mais fundo, mais viva eu me sentia. Nunca foi tão bom se perder e se encontrar. Nunca gostei tanto de me afogar.
Mas o tempo passa. Agora você se vai… e eu já consigo ver você indo. E lá se vai você outra vez, pra do outro lado da minha sala, pra do outro lado do meu mundo. Meus olhos quase não conseguem mais te ver… e daqui há algum tempo, só os filmes vão fazer parte de toda essa história. E eu não posso mais lutar contra.
Os rolos de filme vão virar nó.
Aprendi que o tempo é algo que se possui… e eu nunca mais vou ser feliz de novo.
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