quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Céu.

Sabe que as vezes eu penso que sou como o céu? É, pode ser engraçado, estranho. Mas é a verdade. Certos dias ele amanhece limpo, sem nuvens e aí você acha que está tudo bem. Sem esperar ou dar um aviso prévio ele se fecha, bravo, o vento bate e com ele vem as nuvens, tudo fica encoberto, embaçado. Sabe aquelas mudanças de humor repentinas? E aí chove. Com a chuva vem os trovões, sei que não é sempre, mas pode acontecer. E vou te confessar que as vezes me assusta, porque eu mesma acabo por me assustar certas vezes. Mas logo em seguida o tempo se abre e o vento leva tudo embora novamente, o céu volta a ficar limpo, claro. Nossa visão acaba ficando mais ampla, pra enxergar mais além, sabe? Acho que, na verdade, todos nós somos um céu. Concorda?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Âncora.

Creio que não posso e nem devo confiar em um alguém que abandona um outro alguém assim. Que grande egoísta! Sempre pensando em si mesmo. Sempre achando que fugir é a solução. Mas está errado, como sempre. Que se vá então. Acho que o certo é te deixar. Isso sempre me passou pela cabeça, desde o inicio. Imagine o porquê. Certa vez você me deixou aqui, disse alguma coisa como "É melhor assim, para ambas as partes." E eu fiquei me perguntando quando é que você passou a fazer parte de mim para saber o que é ou não é o melhor. Mas deixei assim, procurei não dar muita atenção, talvez fosse mesmo o melhor. E sempre que aparecia um obstáculo na sua vida, você voltava a entrar na minha vida. Me sentia uma espécie de bote salva-vidas, sempre disposta a te tirar do mar. Você sabia que eu nunca deixaria você se afogar. Nunca. O tempo foi passando e você tornou a fazer as mesmas coisas, aquele ciclo vicioso. Por fim, achei que daria certo. Acabamos por construir um barco, e tinhamos um porto. Que tola eu fui. Você me deu a âncora e a soltou. Eu afundei. E não foi como eu esperei, você não estava lá para que eu não me afogasse.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu, tu, ele.

Meus dias são sempre como uma véspera de partida. Movimento-me entre as pontas como quem sabe que daqui a pouco já não vai estar presente. As malas estão prontas, as despedidas foram feitas. Caminhando de um lado para outro na plataforma da estação, só me resta olhar as coisas lerdo e torvo, sem nenhuma emoção, nenhuma vontade de ficar. As janelas abrem para fora, os bancos parecem-se aos bancos e os vasos foram feitos para se colocar flores em seu oco. As coisas todas se parecem a si próprias. Nada modificará o estar das coisas no mundo, e a minha partida ontem, hoje ou amanhã, não mudará coisa alguma. Cada coisa se parece exatamente com cada coisa que ela é. Assim eu próprio, me parecendo a mim mesmo, de um lado para outro, entre cigarros sem sabor, jornais sangrentos e a certeza de que o único fato que poderia deter minha partida seria a tua aceitação deste convite: não queres me ajudar a matá-lo? (...)

Tríplice inseparado para sempre, a morte de um é a morte de três, não quero que me ajudes a matá-lo porque mataria a ti e também a mim. E me recomponho, e te recomponho, e recomponho a ele, que é também eu e também tu.

c.f.a.

sábado, 18 de setembro de 2010

butterfly.

Queria te falar que. Teve uma época em que eu possuía várias borboletas. Preste atenção, várias borboletas aqui dentro de mim. E elas se escondiam. Eu não sei a razão, mas elas sempre voltavam a aparecer quando meu olhar ia ao encontro do seu. Era desconfortável, ao mesmo tempo que era bom. Me abria um sorriso. Olha, eu não te falo isso apenas por falar. Eu quero que saiba todos os pequenos frenesis que me causava. Sabe que em certas horas eu achava que elas iriam ficar aqui pra sempre? Talvez fosse culpa do vórtex de sentimentos que se espalhavam e tomavam conta de mim ao estar contigo. Mas, isso foi se dissipando ao longo do tempo. Quero que saiba que não foi por uma vontade minha. Apenas aconteceu. Me parece ter sido uma escolha nossa, mesmo que não tenhamos percebido. Não queria ter que dizer isso, mas, as borboletas não aparecem mais. Acho que foram embora.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

lie.



E se disser que tentar esquecer é uma decisão sábia, vai estar errado, porque quanto mais se tenta é quando mais se lembra e você vai estar enganando a si mesmo.