terça-feira, 28 de abril de 2015

onze

hoje encontrei você
você não me viu ou não quis ver
ao te ver passar pude ver todo o meu passado ali, batendo na minha porta, sua indiferença batendo na minha cara novamente
e eu ali
tão pequena, tão eu
essa sempre fui eu pra você
sempre fui o nada enquanto você era o tudo
você levou uma parte de mim, levou meus amigos, levou meus dias, levou minha vontade de acordar de manhã, me levou
as horas pararam de passar e os segundos passavam na mesma velocidade que os dias do mês de agosto
hoje quando eu te vi
meu coração parou
me senti vazia
e logo depois me senti cheia
quando você se foi levando tudo meu consigo, eu achei que nunca iria me recuperar
achei que tudo tinha acabado ali
hoje tudo acabou
os segundos voltaram a correr
minha alma voltou
você não me viu
mas eu sei
e digo com um sorriso enorme nos lábios
seu egoísmo me prendeu e o universo finalmente conspirou a favor
eu não sou mais você
eu não sou mais tua
agora eu sou só eu
e mais do que nunca
eu sou minha!

e hoje
enquanto sua indiferença me batia
eu aprendi a rebater

sábado, 25 de abril de 2015

de acordar do teu lado

eu sou uma frase inteira 
e você é um ponto final
o fim se aproxima sem nem começar 
eu: uma história sem enredo 
você: meu ponto final pra tudo 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

if you be my boat, i'll be your sea

eu queria ser tanto
e queria te dizer tanto
que me transformei em silêncio 
deixei a brisa leve do mar me levar enquanto sentia a areia fininha nos meus dedos e a onda vinha e eu ia e você ia e nunca vinha e o mar me levava e eu sentia que eu podia me jogar de cabeça e me deixar afundar 
eu nunca conto que não sei nadar
eu raramente encontro o caminho de volta
eu vou 
e vou
e vou mais um pouco
eu me afogo
e eu aprendo a me encontrar
mas dessa vez eu não consigo mais encontrar nenhum resquício que me traga de volta desses teus olhos castanhos e eu já não sei o que faço 

me transformei em mar
mas, e agora quem vai me ensinar a nadar até encontrar a terra firme?

quinta-feira, 23 de abril de 2015

aleatoriandoaleatoriedades

hoje acordei com um vazio
um vazio daqueles que eu tento preencher cada vez que vou nas sessões da terapia onde eu sento e olho pra ela e os olhos dela me perguntam todas as coisas que aconteceram em uma semana longe e eu puxo o fôlego e falo falo falo falo falo puxo o fôlego de novo falo falo falo falo até que perco o fôlego e ela fala eu concordo eu rebato eu falo e meus vazios vão diminuindo ali ficando em cada canto daquela sala bem decorada com tsurus pendurados perto da janela
eu nunca falei mas nesses oito anos de terapia aquela sala sempre me trouxe um misto de conforto e paz e ansiedade e eu nem sei mas pareço até livre mesmo que esteja presa atrás daquelas paredes em cima de todos aqueles andares 
meu coração já começa a se abrir quando entro naquele elevador velho que fala as horas os andares quando a porta vai se abrir e se fechar
aquele elevador 
esses oito anos
a terapia

um dia ela me disse que eu parecia ser mais racional do que emocional e eu ri, com todas as coisas que eu falo falo falo falo perdendo e recuperando o fôlego ela ainda acha que meu lado racional consegue falar mais alto
e eu rio sem fôlego discordando porque até ali meu emocional tá gritando querendo sair e fazer uma loucura qualquer 
ele bate na minha racionalidade e eu choro
e eu me entrego
e eu me perco até me achar
sentei em um ponto de ônibus qualquer peguei meu isqueiro que estava perdido 
acendi um cigarro 
talvez eu esteja me encontrando novamente

quarta-feira, 22 de abril de 2015

o que passou: calou

e mais uma vez
essa sou eu parada aqui
fitando o nada
na minha mente se passam inúmeras coisas, tantas coisas que talvez eu não consiga realmente entender o que acontece à minha volta. por muito tempo eu estive presa, por muito tempo, eu repito. tanto tempo que quase me esqueci de quem eu sou. parei de me reconhecer quando olhava o reflexo no espelho, não reconhecia mais quem eu era. decidi deixar tudo para trás. 
joguei os velhos discos fora. e até coloquei fogo na antiga caixa de memórias. nada disso me pertence mais, nem eu mesma me pertencia. a vida as vezes é uma enorme decepção, mas passa. e um dia, a gente se (re)encontra e percebe que necessário mesmo é o que passa no tempo chamado: agora. o que está por vir, dirá.

levantei e coloquei meus pés no chão. finalmente, depois de anos, essa aqui sou eu. que alívio!