um vazio daqueles que eu tento preencher cada vez que vou nas sessões da terapia onde eu sento e olho pra ela e os olhos dela me perguntam todas as coisas que aconteceram em uma semana longe e eu puxo o fôlego e falo falo falo falo falo puxo o fôlego de novo falo falo falo falo até que perco o fôlego e ela fala eu concordo eu rebato eu falo e meus vazios vão diminuindo ali ficando em cada canto daquela sala bem decorada com tsurus pendurados perto da janela
eu nunca falei mas nesses oito anos de terapia aquela sala sempre me trouxe um misto de conforto e paz e ansiedade e eu nem sei mas pareço até livre mesmo que esteja presa atrás daquelas paredes em cima de todos aqueles andares
meu coração já começa a se abrir quando entro naquele elevador velho que fala as horas os andares quando a porta vai se abrir e se fechar
aquele elevador
esses oito anos
a terapia
um dia ela me disse que eu parecia ser mais racional do que emocional e eu ri, com todas as coisas que eu falo falo falo falo perdendo e recuperando o fôlego ela ainda acha que meu lado racional consegue falar mais alto
e eu rio sem fôlego discordando porque até ali meu emocional tá gritando querendo sair e fazer uma loucura qualquer
ele bate na minha racionalidade e eu choro
e eu me entrego
e eu me perco até me achar
sentei em um ponto de ônibus qualquer peguei meu isqueiro que estava perdido
acendi um cigarro
talvez eu esteja me encontrando novamente
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