quinta-feira, 23 de abril de 2015

aleatoriandoaleatoriedades

hoje acordei com um vazio
um vazio daqueles que eu tento preencher cada vez que vou nas sessões da terapia onde eu sento e olho pra ela e os olhos dela me perguntam todas as coisas que aconteceram em uma semana longe e eu puxo o fôlego e falo falo falo falo falo puxo o fôlego de novo falo falo falo falo até que perco o fôlego e ela fala eu concordo eu rebato eu falo e meus vazios vão diminuindo ali ficando em cada canto daquela sala bem decorada com tsurus pendurados perto da janela
eu nunca falei mas nesses oito anos de terapia aquela sala sempre me trouxe um misto de conforto e paz e ansiedade e eu nem sei mas pareço até livre mesmo que esteja presa atrás daquelas paredes em cima de todos aqueles andares 
meu coração já começa a se abrir quando entro naquele elevador velho que fala as horas os andares quando a porta vai se abrir e se fechar
aquele elevador 
esses oito anos
a terapia

um dia ela me disse que eu parecia ser mais racional do que emocional e eu ri, com todas as coisas que eu falo falo falo falo perdendo e recuperando o fôlego ela ainda acha que meu lado racional consegue falar mais alto
e eu rio sem fôlego discordando porque até ali meu emocional tá gritando querendo sair e fazer uma loucura qualquer 
ele bate na minha racionalidade e eu choro
e eu me entrego
e eu me perco até me achar
sentei em um ponto de ônibus qualquer peguei meu isqueiro que estava perdido 
acendi um cigarro 
talvez eu esteja me encontrando novamente

quarta-feira, 22 de abril de 2015

o que passou: calou

e mais uma vez
essa sou eu parada aqui
fitando o nada
na minha mente se passam inúmeras coisas, tantas coisas que talvez eu não consiga realmente entender o que acontece à minha volta. por muito tempo eu estive presa, por muito tempo, eu repito. tanto tempo que quase me esqueci de quem eu sou. parei de me reconhecer quando olhava o reflexo no espelho, não reconhecia mais quem eu era. decidi deixar tudo para trás. 
joguei os velhos discos fora. e até coloquei fogo na antiga caixa de memórias. nada disso me pertence mais, nem eu mesma me pertencia. a vida as vezes é uma enorme decepção, mas passa. e um dia, a gente se (re)encontra e percebe que necessário mesmo é o que passa no tempo chamado: agora. o que está por vir, dirá.

levantei e coloquei meus pés no chão. finalmente, depois de anos, essa aqui sou eu. que alívio! 

terça-feira, 21 de abril de 2015

you say i’m like the ice, i freeze

hey babe,
você vai rir,
eu sei.

caí na besteira de fazer planos futuros com um alguém
que acha que o futuro é só uma grande incerteza.
alguém que me colocou dentro dos planos
e aos poucos vai me chutando para fora como se eu não percebesse.
lá no fundo agora toca aquela sua música.
eu que não bebo,
pedi um whisky.
como nós nos traímos.
planejar o futuro é como estar parado na beira de um precipício,
mais um empurrão seu e eu caio.
minha cabeça bagunçada fervilha tanto que acho que pode explodir.

tenho a certeza de que eu não sei mais quem é você
e nunca soube quem era o nós.

eu ia trocar de estação,
mas você já trocou.


30/05/2014
maisie

domingo, 19 de abril de 2015

gosto de te olhar quando você sorri

os anos passam
o tempo corre
o mundo gira
e te surpreende nas inúmeras voltas
que ele pode dar

a vida separa
o universo une 

a gente ama
e a felicidade supre
todos os vazios que um dia
já imaginamos ter

hoje
o teu sorriso é o caminho
que meu coração quer seguir

terça-feira, 14 de abril de 2015

Quem é que vai nos proteger agora?

Você se foi.
E mais do que nunca agora eu tenho a certeza de que a ida é para sempre.

Depois de tanto tempo, de tantos anos vividos juntos, você me transformou em um fantasma.
Quem sou eu?
Pra você: ninguém.
Quem sou eu?
Pra mim: as vezes nem eu sei mais.
Me perdi, não me reconheço mais. Sua indiferença me matou por dentro… e por fora.
Fiquei oca. Não sinto, não sei, não sou. Nunca fomos.

Por muito tempo consegui me enxergar no fundo dos teus olhos castanhos, que agora, não reflito mais. O mais triste é ver que todo o amor dado e doado por tanto tempo virou nada, o amor doado virou amor doído. Não sobrou nem o pó do nó de nós, porque até o pó, você não quis mais. Queimou as lembranças e quis que fosse assim. Talvez eu devesse fazer o mesmo… talvez eu devesse. Mas é tanto talvez que eu não faço nada. Simplesmente estacionei. Estacionei aqui, nesse mesmo lugar em que há alguns anos te vi chegar e sorrir pra mim - “Você quer ficar?” - e nesse mesmo lugar em que te vi partir - não havia mais lugar pra mim. - Estacionei nessas mesmas memórias, que talvez estejam tão mais vivas agora do que estavam vivas quando ainda eram o presente. As vezes acho que se ainda te espero aqui, é só porque quero respostas. As respostas que nunca tive, as respostas que talvez eu nunca terei.

E agora eu sei… Eu dei tchau pro nosso futuro enquanto você dava tchau pro passado e pro futuro comigo.
E eu ainda me pergunto, todos os dias: Quem é você, afinal? Quem foi você?

Mas depois de tudo… e com tudo… eu consigo ter a certeza de que nunca te conheci e que nunca vou conhecer. E parando pra pensar, talvez eu realmente não queira mais nem te ver voltar.
O antigo futuro já passou e você não cabe mais no meu novo presente.

Sweetheart, stay well.