Pense nisso como se fosse uma carta, ou sei lá, um bilhete qualquer
que você achou jogado n'um canto, daqueles que com certeza foi achado
por puro destino (porque não vou nem dizer que seria sorte).
Eu me apeguei demais. Aquele mesmo erro de sempre.
Você correspondeu. E eu já nem esperava por isso.
Mas
depois de tudo vivido e todas as coisas divididas juntas tu bater na
minha porta e falar tanta coisa, mas tanta coisa a ponto de me fazer
querer enfiar tua cabeça no primeiro buraco que aparecesse na minha
frente, desse jeito teu - tolo de ser, tento
acreditar eu - foi de uma sofreguidão absurda. Total-e-puro-egoísmo. De
tua parte. Da minha. Nem sei mais! Mas que tanto faz. Só acho que
poderia ter sido diferente e até foi, por um certo ponto de vista. Mas
que agora... virou vazio, dor, aperto-no-coração e mil e tantas outras
coisas daquelas bem doídas.
E eu nunca te pedi
demais e nem você. Eu sei e você também sabe. Nos amamos demais... e de
menos. Foi gostar, amar, pirar e mais o que dirá. Foi doer, sofrer e por
fim correr. Correr de tudo. Eu corri, tu correu e fugimos assim dos
sentimentos sentidos e vividos, achando que assim também teria como
correr da dor. Besteira. Você ficou gravado em mim e assim vai ser pelo
resto da vida. O que a gente realmente vive não se apaga, por mais que a
gente tente usar a borracha. O que se viveu, gravou. E o que virá, será
gravado também. Nossa vida é como uma fita cassete e um gravador. Até
mesmo um diário ao céu aberto, um diário de voz, e até com folhas. Mas
eu ainda posso repetir que é tudo g-r-a-v-a-d-o. Não tem como desligar o
gravador e nem apagar as nossas linhas já escritas.
Hoje
eu posso dizer que está tudo bem, que você pode ir, que eu também vou.
Talvez eu não volte mais e nem você. Mas não vai ter mais como esquecer.
E o que hoje dói, amanhã pode não doer mais. Com certeza lembrança isso
tudo vai se tornar. Pode ir.
Só que, olha... sinceramente, vou sentir a tua falta.