quarta-feira, 19 de setembro de 2012

(Re)confesso.

Escrito n'uma madrugada quente, 
na vitrola: Los Hermanos ao vivo no Cine Íris. 


O meu medo era que todo esse nosso sentimento mútuo se transformasse em pó, em nada. Como agir caso isso acontecesse? Seria como me perder n'um mar de sofreguidão lenta e profunda. Falo dramatizando o máximo que posso p'ra ver se assim consigo demonstrar ao menos um pouco o quão vazia eu fico cada vez que tu resolve passar por aquela porta soltando palavras doídas e sem pensar, dizendo que vai e pior que isso: que vai e não volta nunca mais.

No fim, sempre te vejo voltar, eu sei... mas é que penso sempre com aquele meu medo instaurado: "E se dessa vez for mesmo pra sempre?" Ia me perder enfim, te perdendo em mim e esquecendo tudo o que aprendi nesses anos todos contigo. Mas eu repito, é tudo culpa desses nossos nós tão bem amarrados que me fazem sempre acreditar que não há vida ou sequer felicidade se não for ao teu lado. Mas também, e se tiver? Se tiver, eu não quero conhecer e muito menos saber como é. Deixa meu coração trôpego continuar manso com teu jeito leve e intenso de me levar por aí...

Eu já não ligo mais se me esqueci de te esquecer.
Você vai, você volta, eu permaneço.
Mas te espero porque sei que você sabe o caminho de volta
e como trazer tudo que estava no fundo de volta pra superfície.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

E eu não sei, não me lembro.

Eu sempre quis demais, esperei demais e no fim o tombo foi bem mais alto do que eu poderia imaginar. Acontece que sempre fica aquela ponta de esperança, mesmo que seja lá no fundo, sempre esperamos a resolução do problema, a volta de tudo. Chega a ser engraçado, não é? As coisas mudam n'um piscar de olhos, tanto para mal quanto para bem e você fica perdido, sem entender nada.

Essas rasteiras da vida são difíceis, dolorosas e mesmo que você tente fugir, não consegue. Mas tudo bem, as coisas sempre acontecem quando tem que acontecer. Seja hoje ou daqui há um milhão de anos. Só não deveria esperar demais, essa sim foi a grande decepção. A espera em demasia. Tudo em excesso acaba machucando no fim, tanto o amor quanto a amizade, a esperança, a possessividade. Tudo ao extremo acaba sendo coisa demais para se doer e mais motivos ainda para se machucar quando o fim chega. Porque o fim sempre chega, mesmo que você lute muito contra isso. Coloquei na minha cabeça que tudo passa, anda tudo muito assim: passageiro. Acho que esse acaba sendo o segredo, saber abrir mão das coisas, saber que nada é para sempre, mesmo que você feche os olhos apertados, cruze os dedos e peça com muita força.

A vida é finita mas existem infinitas formas de vivê-la, por isso devemos aprender sempre a sermos barquinhos na correnteza, indo e vindo, mas nunca com um cais. Daqueles trocadilhos bem bobos: Cais causam o caos. E é no caos que tudo acaba sempre piorando. A vida é assim, um punhado de momentos mal vividos, frases inacabadas, histórias pela metade. São muitas reticências, muitas vírgulas para poucos pontos finais. Respira e deixa tudo ir... ou vir. Viva, se deixe viver. O que tiver de ser, será, mesmo contra tudo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lembra que no primeiro toque deu choque?



Virei para trás e acabei tendo um pequeno deja-vu. Me vi parada no estacionamento e você se afastando, indo embora. Lembro que chovia muito, parecia que o céu chorava sobre mim, que as lágrimas que caíam lá de cima se juntavam também com as minhas que rolavam pelo meu rosto. Sentia como se o mundo fosse desabar sobre mim, como se eu não fosse conseguir dar mais nenhum passo a diante, que meus pés haviam colado no chão. Repetia sempre por dentro: Respira fundo, respira. Seca essas lágrimas, vira e vai embora também, mostra que você sabe ir e que pode nunca mais voltar. 

E fui...

domingo, 29 de julho de 2012

Kiss me hard before you go.


Não adianta. Talvez não seja mais nada, ou talvez seja tanta coisa, mas tanta coisa que a unica saída que você encontrou foi fugir de mim sem deixar rastros. Quis apagar da memória, trocar o número do telefone, apagar todo e qualquer vestígio meu e de tudo aquilo que foi vivido por nós. Eu vou dizer que está tudo bem, como sempre digo, mas talvez não esteja. Você já parou para pensar nisso? Eu até entendo, fugir acaba sempre sendo mais fácil. Acho também que tudo foi sempre vivido de um lado só. Sempre a vivência do fim, do tudo bem, do vai passar. Pode passar, como também não pode. Poderíamos ter vivido mais, sem medos e noites mal dormidas. Eu poderia estar andando contigo pelas ruas na madrugada vazia, mas não...

Sempre reclamei demais, eu entendo. Nunca fui do jeito que você quis. Mas veja só agora, olha p'ra você. Sei que sente falta, saudade, que escreve milhões de coisas e no fim apaga ao invés de me enviar. Eu também o faço. Eu também fujo. Não sei até quando, mas sei que uma hora a gente cansa. É só teimosia do nosso lado criança. Teimosia do coração. Essas coisas assim. Eu sei, são confusas... mas acho que tudo passa, não é? Lá no fundo eu sempre fico: "Não sinto sua falta. Mais. Não sinto sua falta mais." Sempre sorrio no fim, talvez esteja apenas tentando reafirmar à mim mesma que passou. Nosso tempo passou.

Acho que o problema acaba sendo também as outras pessoas. Elas falam demais, perguntam demais, se intrometem demais. Isso enche o saco. Pelo menos o meu, quero dizer. Acho que o egoísmo nem foi bem nosso, pra ser sincera. Nada de egoísmo mútuo... falei besteiras demais por estar recente, mas depois que a cabeça esfria a gente pensa: "Por que?" O pior é que acabam existindo muitos por quê's. Mas o que importa? O tempo sempre passa. Já passou antes. Passou para você. Vai passar para mim. Ele sempre passa e vai passando, passeando, levando coisas e as vezes até trazendo tantas outras. Inimigo. Amigo. É justo. O fim sempre chega, mesmo que demore... ele vem.

E quando vem... não tem como fugir.
Mas e se ele voltar... pra que lado você vai fugir dessa vez?

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Estive a dois passos...

Never Let Me Go by Florence and the Machine on Grooveshark

Agora eu me pergunto onde é que tudo isso vai nos levar...

Sinceramente parece que o fim é a beira de um precipício e que quem está por um fio sou eu. Talvez não haja um motivo certo que dê razão a todas essas coisas que ficam entaladas na minha garganta... ou talvez não haja uma salvação plausível que me impeça de pular. Quem sabe eu já não tenha desistido, mas queira ter uma certeza a mais, algo para me segurar ou me puxar de volta.

Meu medo talvez seja, na verdade, mais a superfície do que o fundo em si. É aquele medo de ver as coisas claras demais, a perda bem mais evidente do que se tem sido perceptível. (E lá vamos nós...) Fechei o olho e caí, e muito pelo contrário, não foi do jeito que se tinha imaginado... não havia nada mais que me prendesse de pé no topo de tudo. Não achei vestígio algum de mim, de você ou de nós. Vai ver que realmente tudo deixou de existir bem mais além da minha cabeça. Posso e vou conviver com isso... o fim já estava próximo, só não enxergou quem não quis.

(Um, dois, três, quatro...)

Respirei fundo e voltei à mim, o ônibus havia chegado. Graças a Deus o ponto hoje estava vazio.