No rádio: "A falta de visão que nos levou a tudo isso,
foi tão difícil de se
acostumar.
Só quero olhar pra frente e esquecer você,
saber o meu lugar.
(...)
E eu que não sei como te falar,
Eu não sei o porque e não sei como mas mesmo estando fora da minha
vida você consegue tirar minha paz o meu sono e até sumir com as minhas
vírgulas. As vezes parece que entre nós há um fio de nylon que ninguém
pode ver mas mesmo assim existe e acaba por nos unir.
Todos esses
nós na garganta e esses nós atados entre nós parecem aço, ambos. O nó
que ao descer corta e o outro nó que ao prender machuca. Depois de tanto
se doar acabar recebendo tanto para se doer é amargo, doloroso e de
tantas palavras ainda guardadas, presas e de tantas frases inacabadas o
que guardo desses nossos nós são apenas aquelas cartas antigas e os
filmes que por vezes rolam nesse meu cinema particular guardado atrás
das pálpebras, escondido na pupíla, na retina.
Repito sempre que é
tudo uma questão de tempo, mas parei de repetir em voz alta, agora
sussurro para mim mesma, bem escondida. Não quero e nem preciso
demonstrar nada pra ninguém e muito menos provar o que quer que seja. Só
que dessa vez eu também resolvi ir embora, fechei a porta atrás de mim
sem barulho e parti. Comecei a acreditar que seu outro lado da cama não
pertence mais à mim.
"(...) Que não vai voltar, por mais que eu cante, escreva, toque, não vai dar."


