domingo, 8 de julho de 2012

Quem é você que me prendeu e depois me deixou pra trás?

No rádio: "A falta de visão que nos levou a tudo isso, 
foi tão difícil de se acostumar. 
Só quero olhar pra frente e esquecer você, 
saber o meu lugar. 
 (...) 
E eu que não sei como te falar, 
já escrevi tanto."



Eu não sei o porque e não sei como mas mesmo estando fora da minha vida você consegue tirar minha paz o meu sono e até sumir com as minhas vírgulas. As vezes parece que entre nós há um fio de nylon que ninguém pode ver mas mesmo assim existe e acaba por nos unir.

Todos esses nós na garganta e esses nós atados entre nós parecem aço, ambos. O nó que ao descer corta e o outro nó que ao prender machuca. Depois de tanto se doar acabar recebendo tanto para se doer é amargo, doloroso e de tantas palavras ainda guardadas, presas e de tantas frases inacabadas o que guardo desses nossos nós são apenas aquelas cartas antigas e os filmes que por vezes rolam nesse meu cinema particular guardado atrás das pálpebras, escondido na pupíla, na retina.

Repito sempre que é tudo uma questão de tempo, mas parei de repetir em voz alta, agora sussurro para mim mesma, bem escondida. Não quero e nem preciso demonstrar nada pra ninguém e muito menos provar o que quer que seja. Só que dessa vez eu também resolvi ir embora, fechei a porta atrás de mim sem barulho e parti. Comecei a acreditar que seu outro lado da cama não pertence mais à mim.


"(...) Que não vai voltar, por mais que eu cante, escreva, toque, não vai dar."

domingo, 1 de julho de 2012

É uma noite longa, pra uma vida curta.

'Você entende?' você me perguntou e eu disse que sim, que estava tudo bem. Tu deverias ter visto nos meus olhos marejados de lágrimas que tudo estava mal. Mas eu sei, você não me conhece... não mais. Tu se deixou esquecer, quis deixar pra lá e quis também que eu o fizesse. E sem me perguntar. Tudo bem, repito. Melhor do que se prender em algo que já deixou de existir, em algo que já se quis esquecer e já se deixou esquecer mesmo sem pensar.

Você vai negar, posso até te ouvir falar que sou maluca, que invento histórias onde não tem, que coloco palavras na sua boca. A verdade é que você sempre foi fraco demais e sempre preferiu fugir de mim sem deixar rastros. Eu sempre soube que nunca deveria te esperar, mas eu sempre o faço, sempre me traio... isso já é normal.

Mas lhe digo mais... sempre falei que tu eras o grande motivo, pois eu menti. O motivo de tudo sempre fui eu. Você acabou virando apenas algumas notas de rodapé rabiscadas no fim da página. E eu agora também começarei a aprender a me esquecer de te lembrar. Afinal, agora só existe você e eu. Nessa distância gigante. Quase do outro lado do oceano, e você ainda nem foi embora de verdade.

Só que o pior mesmo é ver que o que era doce virou amargo.
E não vai voltar a ser doce nem que eu repita mais de 7 vezes

domingo, 17 de junho de 2012

Mofados.


E talvez tudo o que eu pense ou fale sejam só confissões insanas de uma mente sempre tão perturbadamente confusa e que talvez não haja entendimento algum, ou cabimento algum. 

Palavras soltas n'uma folha qualquer. 
Uma menina solta n'um mundo inexistente. 
Apenas eu. 

Talvez eu e meu superego, assim, tudo junto mesmo, sem hifens ou separações. Uma cabeça abarrotada de frases soltas, pensamentos embolorados como aquele morango guardado no fundo da gaveta. Pena minha cabeça não ser como ela, - como a gaveta - pudera eu arrumar e jogar o que não há mais serventia fora. Pena também eu ser assim, tão confusa, tão desmedida, tão... levemente solta e profundamente presa. Pássaro engaiolado, louco para fugir, voar longe, conhecer novos horizontes. Pena, é sempre uma enorme pena. Reclamo demais e reluto de menos, acabo ficando meio acomodada com a situação e errando assim. Tantos anos, tantas perdas, dramas, choros, sorrisos. Tanto tempo solta, tanto tempo presa e depois de tanta coisa, de tanto se prender e se soltar, desaprender a ser livre é a maior decepção de todas. Quando é que nos perdemos sem perceber desse jeito? Céus... quando foi que isso aconteceu? Onde e quando começamos a perder nossa liberdade sem nem sequer rebater contra? São decepções demais para poucos anos de vida, são lamentos demais para poucas linhas. E eu não entendo, mesmo querendo, já deixei de entender. Mas talvez eu realmente nem queira, quem sabe não seja só mais uma acomodação de tantas outras?...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quantos mal me quer?

Eu sempre fui muito assim, sempre me contentei com o pouco ou com o muito que as pessoas podem me dar, meio oito e oitenta. O importante era estar feliz, mesmo me doando mais do que deveria e recebendo bem menos do que eu queria. Mas eu estava feliz. Até que um dia eu levei um soco, e digo mais, um belo e forte soco na boca do estômago, daqueles que te tiram o ar e os pés do chão. Me perdi e foi sem querer. Digo isso porque existem pessoas que querem se perder e pedem e se perdem. Eu não quis, não tive escolha, não tive nem sequer uma opção qualquer. Resolvi aceitar, tudo bem, um dia vou ficar feliz, vou olhar para trás e rir.

Mas e agora? E agora enquanto essa felicidade não vem, o que eu faço? O que será que eu faço, céus? Me sinto desnorteada, a cabeça rodando e rodando e rodando vidas atrás e você assim tão longe de mim e eu me pergunto: Que diabos eu fiz?
Mas tudo bem, se me contentei sempre com tudo que ganhei e perdi antes, vou me contentar agora também. Vou tentando sempre ser o melhor que posso. A felicidade já sorriu antes, se está em preto e branco agora, um dia vai voltar a se colorir. Tudo bem, tudo bem. Só que eu ainda me pergunto quando é que vou parar de achar que está tudo bem. Eu não errei, eu não quis, eu não fiz... e perdi.

Me doo sempre demais, em ambos os sentidos, de doação e de dor. Se doar e se doer. O problema é que o que dói agora é esse buraco no peito, parece que levei um tiro. E acho que levei. O tiro veio de você, um tiro desse egoísmo desenfreado que sem querer você deixou falar mais alto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Oh, my darling Clementine.


Velhos bilhetes jogados em gavetas me traem, nego sentir falta quando na verdade isso é tudo o que sinto. Velhas lembranças de nós me atraem, quando o que mais quero é apagar da memória tudo que o vento ousa em voltar a trazer.

Ela era do avesso. Dizia não ter escolha, quando tinha. Lhe deixei livre durante 5 anos... e vejam só, quando a prendi, ela se libertou. Pés no chão, cabeça no céu. Não que isso fosse errado, veja bem: Errado é se prender. Fui pega na minha própria armadilha, me prendi quando tentei prendê-la. Quão irônico isto é? Rio ao me lembrar de todas as vezes em que disse: "Não irei te prender, fique se quiser, não me importa. Se quiser ir, tudo bem." Para ser sincera, o que eu sempre quis dizer era: "Fique, por favor. Não me lembro quem sou quando não estou com você." Mas era me doar demais, sofrer em demasia logo depois. De que adiantou? Essa sou eu, aqui, parada, fitando a janela inúmeras vezes, inquieta, rodeando pela casa, pensando, talvez, o que estaria você fazendo nesse momento? Será que estaria pensando em mim como eu estou pensando em você? Ou será que está vivendo outros amores?, enquanto eu parei no tempo, esqueci de pedir para o mundo parar de girar para que eu pudesse descer. As vezes acho que deveria fazer o mesmo que você, chutar tudo para o alto, jogar as lembranças no fundo de uma gaveta qualquer e ir aproveitar todo o resto da vida que eu ainda tenho para viver. Talvez eu consiga... talvez eu precise apenas de um tempo para mim. Um tempo longo ou curto... ou talvez eu precise apenas de uma máquina que apague minha memória e tudo o que eu preciso e quero esquecer.