domingo, 17 de junho de 2012

Mofados.


E talvez tudo o que eu pense ou fale sejam só confissões insanas de uma mente sempre tão perturbadamente confusa e que talvez não haja entendimento algum, ou cabimento algum. 

Palavras soltas n'uma folha qualquer. 
Uma menina solta n'um mundo inexistente. 
Apenas eu. 

Talvez eu e meu superego, assim, tudo junto mesmo, sem hifens ou separações. Uma cabeça abarrotada de frases soltas, pensamentos embolorados como aquele morango guardado no fundo da gaveta. Pena minha cabeça não ser como ela, - como a gaveta - pudera eu arrumar e jogar o que não há mais serventia fora. Pena também eu ser assim, tão confusa, tão desmedida, tão... levemente solta e profundamente presa. Pássaro engaiolado, louco para fugir, voar longe, conhecer novos horizontes. Pena, é sempre uma enorme pena. Reclamo demais e reluto de menos, acabo ficando meio acomodada com a situação e errando assim. Tantos anos, tantas perdas, dramas, choros, sorrisos. Tanto tempo solta, tanto tempo presa e depois de tanta coisa, de tanto se prender e se soltar, desaprender a ser livre é a maior decepção de todas. Quando é que nos perdemos sem perceber desse jeito? Céus... quando foi que isso aconteceu? Onde e quando começamos a perder nossa liberdade sem nem sequer rebater contra? São decepções demais para poucos anos de vida, são lamentos demais para poucas linhas. E eu não entendo, mesmo querendo, já deixei de entender. Mas talvez eu realmente nem queira, quem sabe não seja só mais uma acomodação de tantas outras?...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quantos mal me quer?

Eu sempre fui muito assim, sempre me contentei com o pouco ou com o muito que as pessoas podem me dar, meio oito e oitenta. O importante era estar feliz, mesmo me doando mais do que deveria e recebendo bem menos do que eu queria. Mas eu estava feliz. Até que um dia eu levei um soco, e digo mais, um belo e forte soco na boca do estômago, daqueles que te tiram o ar e os pés do chão. Me perdi e foi sem querer. Digo isso porque existem pessoas que querem se perder e pedem e se perdem. Eu não quis, não tive escolha, não tive nem sequer uma opção qualquer. Resolvi aceitar, tudo bem, um dia vou ficar feliz, vou olhar para trás e rir.

Mas e agora? E agora enquanto essa felicidade não vem, o que eu faço? O que será que eu faço, céus? Me sinto desnorteada, a cabeça rodando e rodando e rodando vidas atrás e você assim tão longe de mim e eu me pergunto: Que diabos eu fiz?
Mas tudo bem, se me contentei sempre com tudo que ganhei e perdi antes, vou me contentar agora também. Vou tentando sempre ser o melhor que posso. A felicidade já sorriu antes, se está em preto e branco agora, um dia vai voltar a se colorir. Tudo bem, tudo bem. Só que eu ainda me pergunto quando é que vou parar de achar que está tudo bem. Eu não errei, eu não quis, eu não fiz... e perdi.

Me doo sempre demais, em ambos os sentidos, de doação e de dor. Se doar e se doer. O problema é que o que dói agora é esse buraco no peito, parece que levei um tiro. E acho que levei. O tiro veio de você, um tiro desse egoísmo desenfreado que sem querer você deixou falar mais alto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Oh, my darling Clementine.


Velhos bilhetes jogados em gavetas me traem, nego sentir falta quando na verdade isso é tudo o que sinto. Velhas lembranças de nós me atraem, quando o que mais quero é apagar da memória tudo que o vento ousa em voltar a trazer.

Ela era do avesso. Dizia não ter escolha, quando tinha. Lhe deixei livre durante 5 anos... e vejam só, quando a prendi, ela se libertou. Pés no chão, cabeça no céu. Não que isso fosse errado, veja bem: Errado é se prender. Fui pega na minha própria armadilha, me prendi quando tentei prendê-la. Quão irônico isto é? Rio ao me lembrar de todas as vezes em que disse: "Não irei te prender, fique se quiser, não me importa. Se quiser ir, tudo bem." Para ser sincera, o que eu sempre quis dizer era: "Fique, por favor. Não me lembro quem sou quando não estou com você." Mas era me doar demais, sofrer em demasia logo depois. De que adiantou? Essa sou eu, aqui, parada, fitando a janela inúmeras vezes, inquieta, rodeando pela casa, pensando, talvez, o que estaria você fazendo nesse momento? Será que estaria pensando em mim como eu estou pensando em você? Ou será que está vivendo outros amores?, enquanto eu parei no tempo, esqueci de pedir para o mundo parar de girar para que eu pudesse descer. As vezes acho que deveria fazer o mesmo que você, chutar tudo para o alto, jogar as lembranças no fundo de uma gaveta qualquer e ir aproveitar todo o resto da vida que eu ainda tenho para viver. Talvez eu consiga... talvez eu precise apenas de um tempo para mim. Um tempo longo ou curto... ou talvez eu precise apenas de uma máquina que apague minha memória e tudo o que eu preciso e quero esquecer.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Já não vejo porque voltar.

Respiro fundo e posso sentir aquele cheiro pesado e a fumaça do cigarro entrando pelas narinas, embriagando-me por dentro. Corro as mãos no espaço ao lado do meu na cama e pela primeira vez em anos consigo tocar algo... ou melhor... alguém. Havia me esquecido como era bom ter companhia ao acordar, mesmo no silêncio do quarto escuro iluminado apenas por alguns resquícios da luz da manhã.

E então penso: Menina de poucas palavras e coração gigante, me conta o nome da sua rua para que eu possa te ver passar naqueles momentos em que as horas me batem e a saudade aperta. Menina de olhos turvos cor de oceano, por vezes tão vastos como tal, me deixa te ler enquanto o silêncio da noite nos toma. Me deixa te ninar até que a luz da manhã nos invada, me deixa entrelaçar os dedos nos teus enquanto vejo essa sua mente arredia pedir conselhos daquele teu jeito tão tímido e guardado de ser aos meus dizeres. Me conta todos os seus sonhos, daquele mais profundos e os mais bobos e deixa que eu a ajude a florescer. Deixa eu te falar a falta enorme que fez e a que faz quando se vai e o quão cheio de saudades fica esse quarto tão cheio de vazios. Te deixo me ler enquando ainda sou eu, completa e cheia de linhas bem acabadas como um livro novo, pois sem você não sou inteira, sou apenas metade e já fico perdida sem saber quem sou.
Me deixa sorrir e dizer o enorme clichê que me tornei ao perceber que isso tudo é só amor, porque eu sinto... mesmo sem ouvir ou falar nada. Até mesmo de longe.

terça-feira, 3 de abril de 2012

I'll be your sea.



Lembro-me bem quando dissera:
— Sempre que sentir saudades olhe para o mar. — Logo pensei: Esse mar é tão vasto quanto todas as minhas lembranças. É imensidão demais para se apegar.

E todas aquelas vezes em que eu corri as mãos no espaço vazio ao lado do meu, aquele outro lado da cama o qual você nunca quis prencher. Foi tudo uma mera aventura para ti... e não para mim. Mas que grande novidade... sempre caio na rede do apego. Sou sempre sugada por essa enorme areia movediça, tento sair e sou sempre puxada de volta e quando vejo já acabou por ser tarde demais. Sempre traindo meus próprios ideais. Digo que não vai ser assim, que não vou repetir... mas meu mar manso adora se juntar em águas turbulentas. Sou movida pela tentação, pelo perigo. Gosto de me jogar em lugares desconhecidos que não sei onde vão dar, gosto do fato de ser desconhecido. Então deixo que a brisa me leve...

Quero conhecer outro mar mesmo sem saber nadar. Deixar-me afogar.