E talvez tudo o que eu
pense ou fale sejam só confissões insanas de uma mente sempre tão
perturbadamente confusa e que talvez não haja entendimento algum, ou cabimento
algum.
Palavras soltas n'uma folha qualquer.
Uma menina solta n'um mundo
inexistente.
Apenas eu.
Talvez eu e meu superego, assim, tudo junto mesmo, sem
hifens ou separações. Uma cabeça abarrotada de frases soltas, pensamentos
embolorados como aquele morango guardado no fundo da gaveta. Pena minha cabeça
não ser como ela, - como a gaveta - pudera eu arrumar e jogar o que não
há mais serventia fora. Pena também eu ser assim, tão confusa, tão desmedida,
tão... levemente solta e profundamente presa. Pássaro engaiolado, louco para
fugir, voar longe, conhecer novos horizontes. Pena, é sempre uma enorme pena.
Reclamo demais e reluto de menos, acabo ficando meio acomodada com a situação e
errando assim. Tantos anos, tantas perdas, dramas, choros, sorrisos. Tanto
tempo solta, tanto tempo presa e depois de tanta coisa, de tanto se prender e
se soltar, desaprender a ser livre é a maior decepção de todas. Quando é que
nos perdemos sem perceber desse jeito? Céus... quando foi que isso aconteceu?
Onde e quando começamos a perder nossa liberdade sem nem sequer rebater contra?
São decepções demais para poucos anos de vida, são lamentos demais para poucas
linhas. E eu não entendo, mesmo querendo, já deixei de entender. Mas talvez eu
realmente nem queira, quem sabe não seja só mais uma acomodação de tantas
outras?...


