domingo, 8 de agosto de 2010

Hello, Dad.

Há dias ela se questionava sobre o que deveria fazer. A data estava próxima, bem próxima e junto com ela, vinha o receio cada vez mais forte. Alguma decisão ela havia de tomar, era agora ou nunca. Teria que deixar seu orgulho de lado ou iria viver com aquela duvida por muito tempo. Pois bem, não tinha o número. Seria essa uma boa desculpa por não ter ligado? Não. Essa nunca seria a desculpa perfeita. Afinal, se ela não tinha, alguém poderia ter. Ninguém vive isolado do mundo. Ela só precisava de alguns contatos que o tivessem e ela sabia que conhecia alguém. "Ande logo, deixe de ser tonta!" Era o que a voz no seu inconsciente gritava. Essa era a chance, ela sabia disso. Era a hora. E então tomou coragem. Finalmente.
Após algumas ligações, ali estava ela, com o papel na mão e nele, havia apenas um número, que poderia mudar muita coisa ou não. Que poderia não significar nada pra ninguém, mas para ela, era como se fosse um passo enorme pra descoberta da humanidade. Por isso era tão dificil. Por dentro, ela estava ansiosa, um pouco "elétrica". Por fora, não esboçava reação alguma, como se aquilo ali não fosse nada. Mas era. Ela sabia que era, por isso estava assim. "Chega de enrolação." Ela falou para si mesma. Pegou o telefone e o deixou sobre o colo, fitava o número por várias e várias vezes, intercalando com algumas fitadas no telefone. "Ande logo!" Malditas vozes. Tirou o telefone do gancho e o colocou sobre os ouvidos, havia tomado uma dose repentina da tal coragem. Agora sim. Do outro lado, a ligação estava completando, aquele barulho da chamada lhe dava cada vez mais nervoso. Mas não ia voltar atrás. Logo em seguida, ouviu uma voz.
- Alô?
Era uma voz grossa. Só podia ser ele. O corpo dela estremeceu, achou por um momento que sua voz não iria querer sair.
- Oi. Tô te ligando pra te desejar Parabéns, por hoje.
- Ah, obrigado! Achei que nunca iria ligar. Me desculpe por não ter mantido contato, achei que não era uma coisa que você iria querer. Eu não sei. Você também não me procura.
Claro, sempre essa desculpa. Mas eu sei que o errado era ele. Mas não vou entrar nisso agora.
- Tudo bem. Eu sei que a situação toda é dificil. Não precisa se explicar. Bom, só liguei por isso, tenho que ir agora.
- Obrigado mais uma vez. Se cuide. Ah, eu te amo! Sinto sua falta.
- Aham. Se cuide também.
- Tá bom. Até mais.
E assim, ficou em silêncio. Mas não por muito tempo.
- Pai?
- Sim, filha?
- Eu te amo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Camuflagem.

Não sei o quão errado isso parece ser, mas as vezes sinto como se tivesse que me camuflar para conseguir viver a minha própria vida. Como se tudo isso que eu acredito ser meu, na verdade fosse de uma pessoa que não existe. De um eu meu que nem vida tem. E eu erro em achar que isso pode estar certo, que talvez tenha que ser assim pra conseguir seguir. E qual é a parte que eu vivo sem ter medo de errar ou de ser taxada de errada por pessoas que nem ao menos me conhecem? O pior, é que eu não sei. E nada mais poderei fazer, a não ser, deixar acontecer.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pra você.

- Você se lembra daqueles dias que passavamos deitados na grama do parque?
- Lembro. Ficavamos olhando o céu, dando forma as nuvens. E quando a noite chegava,
era como se eu pudesse tocar as estrelas. A cada dia que passava,
eu me via um pouco mais nas suas mãos.
- Me arrependo de ter te deixado partir, e agora me vejo sozinho,
deitado naquele mesmo lugar, querendo fazer com que os dias voltem.
- Mas eu não parti.
- Não?
- Não...
Eu ainda estou aqui e, não é só por mim. É por nós. Pra você.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aleatoriedade.

Toda essa vontade de gritar por conta de todas essas histórias falsas, esses momentos de felicidade extremamente passageiros. Esse meu eu, que nem sempre se é reconhecido, nem por mim mesma que sempre se faz presente pra tentar se conhecer. O problema é se importar com quem não se importa. Com quem não tá nem aí e só tá pagando pra ver. Não é ser você. Nem eu. É ser ninguém. Um ninguém com absolutamente nada. E o que se ganha? Palavras. Palavras vazias, sem cor, sem som, sem direção. Todas elas se perdendo num vazio infinito, misturadas em um nada que não existe. E que não vai existir nem se você quiser. As vezes viver sozinha te traz certa liberdade, mas junto com ela vem a sensação de estar só. E o quão ruim é isso? Só se sabe quando se vive, quando se sente. Tudo se resume em um mundo preto e branco. Quando não se tem mais vontade, nem força. Muito menos querer. Não é só querendo parecer ser forte que vai funcionar. Até porque, no final de tudo, quem acaba sendo forte, são os fracos.

domingo, 1 de agosto de 2010

30/07/2010 - 31/07/2010

Acordar, pensar no que fazer. Ligar pra Carol, esperar por novidades. Saber que amigas vão para a praia a noite. Chamar Carol. Marcar tudo. Se arrumar, pegar o ônibus, descer na casa de Larissa. Ir na Sendas, depois praia, esperar. 18:30. Ninguém. Conversar, filmes pornô, Shane, homem de ouvido em pé. Vovô na vibe fumando charuto olhando o mar. Rir. Tocar violão. Fumar. Bater fuscas. Planos falidos. Fome, ir na Sendas. Planos voltando. Esperar. 20:45. Encontrar Carol. Sendas. Praça. Ligar. Esperar. Ninguém. Comer. Goiano. Ideias, planos. Dormir na casa de Larissa. "Posso?" / "Sim." Se despedir de Goiano. Mais planos, "mafiar". Casa de Larissa. 23:00 Telefone. Pai. Risos. Mais planos 2. "Madrasta". Endereço. "Tá tudo bem?" / "Claro que sim." Rir mais. Pijamas. Sofá. Pedido de namoro. 01:38. Cama. Baralho. Cócegas. Mais ideias. Rua, Sendas de pijamas. Cerveja. Risos. Voltar pra casa. Se rabiscar, fotos, vídeos. "Sou foda, na cama te esculacho." Gírias, internas. Peixes que voam, cadeiras ao som das arabias que voa. Vídeos. Funk. Mais risos. Muito amor, carinho, cumplicidade. Conversas. Jogos. Twitter. Orkut. Amiga. Namorada. "Irmãs". Ambas minhas. Noite boa. Twitter. RT. 03:57. Sofá. Carinho. The L Word. Cama. Amor, palavras. Implicancias. 05:20. Varanda. Cigarro. Conversas. Twitter. Bubble Shooter. Blog. Rebeca online. Carência de contatos online. "Não como crianças." Ciúmes. Beijos. "Mimimi's". 06:28. Pijamas. Casaco. Praia. Nascer do sol. Banco. Cigarro. De volta pra casa. Sofá. Arrumar. Ouvir Sertanejo, animar. Deitar no sofá. Mais música. Ana Carolina, Maria Gadú, Marisa Monte, e por aí vai. Cochilar. 09:00. "Quanto tempo eu dormi?" / "20 minutos." Ir embora? Dois beijos, bochecha. Tensão. Lágrimas presas. Receio. Conversas. Medos. Entendimento. Pijama. Banho. Ouvir Paramore, vicio, músicas antigas. Cortar cabelo. Banho. Sofá. Abraço. Cochilo, pesadelo. Fotos ploc. Cone Crew Diretoria. Grande saldo de gírias, emoticons falados. Se arrumar. Despedidas. Ir embora. Dormir no ônibus. Passar do ponto. Sacudir. Chegar em casa. Dormir 5 horas. Fazer valer a pena.

Acho que amo vocês. Quero mais e agora? refle/