quarta-feira, 29 de julho de 2015

utopia

Vó,
hoje, dia 29 de julho de 2015 eu me despedi de você pela última vez... você tava serena e eu te vi através de um vidro. Não era mais você, era só seu corpo e não do jeito que eu estava acostumada a ver. A vida é difícil, vó. E mais ainda sem você aqui... mal completaram 24 horas sem você em corpo presente nesse mundo e parece que ele já me engole quase que por completo e que dormir é a unica solução pra tentar esquecer e continuar a vida. Mas como continuar a vida dormindo? Não há saída. Preciso enfrentar. Mas como? De que jeito? Eu, acostumada a ter teu colo desde que me entendo por gente, acostumada ao teu toque, teus cuidados... como vou me acostumar com a sua ausência sem você pra me dizer que tudo isso vai passar? Como me acostumar com a ideia de que você está dentro de um caixão, em uma gaveta de concreto, cimentada? Como entender esse ciclo maluco da vida que vai tirando aos poucos as pessoas que mais amamos? Sei que de onde você está, está feliz, serena e olha por mim e me acalenta de um modo que talvez eu não saiba, mas sinta, mesmo com todo esse desespero por não saber o que fazer, por ter sido pega de surpresa. Mas a vida tem dessas coisas, não é? A eternidade é algo utópico e da vida nós não entendemos nada. Nada e nem ninguém é eterno. Mas vó... você foi a melhor pessoa que eu pude ter ao meu lado ao longo desses 23 anos. Já passamos por tantas coisas, tantas! Muitas dificuldades gritadas, mas também caladas. O que me conforta é que você agora está em paz, sem sofrimento, como você sempre quis estar. Me cuida, vó! Me cuida de onde você estiver, daqui de baixo vou sendo quem você me ensinou a ser com todo teu amor e tua dedicação. Você sempre foi uma guerreira e eu vou te amar pra sempre. Obrigada por me ensinar o que é realmente amar.

Fica em paz.

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