quarta-feira, 2 de setembro de 2009

De manhã.

O hábito de estar aqui agora aos poucos substitui a compulsão de ser o tempo todo alguém ou algo. Um belo dia – por algum motivo é sempre dia claro nesses casos – você abre a janela, ou abre um pote de pêssegos em calda, ou mesmo um livro que nunca há de ser lido até o fime então a idéia irrompe, clara e nítida: É necessário? Não. Será possível? De modo algum. Ao menos dá prazer? Será prazer essa exigência cega a latejar na mente o tempo todo? Então por quê? E neste exato instante você por fim entende, e refestela-se a valer nessa poltrona, a mais cômoda da casa, e pensa sem rancor: Perdi o dia, mas ganhei o mundo. (Mesmo que seja por trinta segundos.)

Paulo Henrique Britto.

Um comentário:

A autora. disse...

Muito simpático esse seu 'cantinho'...
Gostei daqui. Gostei do jeito que você escreve.
;)